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Stakhovsky abre o jogo sobre o escândalo no Conselho dos Jogadores da ATP

Quinta, 31 de outubro 2019 às 11:53:48 AMT

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Tênis Profissional

A temporada de 2019 foi marcada por diversos problemas envolvendo o Conselho dos Jogadores da ATP, inclusive uma debandada de diversos membros durante o torneio de Wimbledon, algo que foi um verdadeiro escândalo no mundo do tênis.



Recentemente o ucraniano Sergiy Stakhovsky, um dos ex-membros do Conselho a debandar durante Wimbledon, conversou com um meio de comunicação de seu país e abriu o jogo sobre todos os ocorridos nos bastidores da entidade, inclusive comentando a participação do norte-americano Justin Gimelstob, ex-membro do ATP Board condenado por agressão.

“Alguns dos membros começaram a tomar decisões acordadas apenas entre eles e isso estava tudo orquestrado por uma pessoa que já não estava dentro do Conselho (fazendo referência a Gimelstob). Ele se viu obrigado a deixar sua posição, mas deixou tudo pronto para que seu escolhido pudesse entrar e que ele pudesse seguir influente no Board, afim de regressar no futuro”, iniciou o explicando o ucraniano.

“Tivemos de eleger um novo representante dos jogadores na região dos Estados Unidos, e a primeira reunião sobre isso aconteceu em Roma. Tínhamos, se não me engano, 15 candidatos. Precisávamos estuda-los e fazer uma lista pequena para a votação posterior. Talvez apenas eu e algum outro lemos todos os currículos. Haviam candidatos que não encaixavam no nosso critério, pois trabalhavam na USTA e não poderia ser alguém vinculado à Federações. Após restarem apenas seis candidatos, na minha opinião três se destacavam muito: Austin Nunn, Nicolas Lapentti e Mark Knowles. Knowles fez uma apresentação maravilhosa, parecia o mais forte deles, tinha ideias interessantes e agradou a todos. No entanto, na votação foi o que menos votos recebeu. Todos foram para Lapentti e Weller Evans, ambos com quatro votos”.

“Foi então que o Conselho se dividiu em um grupo de dois, um de cinco e outro de cinco. Sabíamos que Evans era o ‘falso’, pois uma metade voltou a seu favor e outra metade contra. A decisão foi jogada para Londres (Wimbledon) e oferecemos uma alternativa: Knowles, para que assumisse o cargo até o fim do ano, quando decidiremos quem nos agradasse mais. A outra metade, então, disse: ‘Não, apenas queremos Evans e ninguém mais’. Tudo começou a ficar complicado daí. O Conselho tomou uma decisão errônea, em meu modo de ver, e aceitaram Evans até o fim do ano. Foi aqui que (Robin) Haase, (Jamie) Murray e eu saímos do Conselho, pois estávamos cansados dessa coisa toda sem sentido”, revelou.

Muito se comentou nos veículos especializados em tênis que o sérvio Novak Djokovic, presidente do Conselho, estaria muito do lado de Gimelstob. Stakhovsky tem uma opinião bem formada acerca dos motivos. “Eles querem o controle. O Conselho dos Jogadores pode eleger quem se senta no Conselho dos Diretores (ATP Board). Se você controla a direção, então pode eleger os presidentes da região Ásia-Pacífico quando quiser. Alguém não gostou do Kermode? Por isso agora ele está fora da ATP”.

Posteriormente à toda polêmica, o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal, ambos ex-presidentes, voltaram ao Conselho dos Jogadores. “Estou seguro que isso vai criar um contrapeso e normalizará a situação”, defende o ucraniano. “Eles estiveram mais de seis anos no Conselho e nunca tivemos metas pessoais, todo o que fazíamos era pensando se seria bom para as próximas gerações de jogadores, mas a última composição do Conselho foi criada exclusivamente para perseguir alguns interesses pessoais, e nos últimos 7 meses não fizemos absolutamente nada. A premiação não vai aumentar no ano que vem porque não foi feito plano algum para mudar os torneios ATP 500 e 250 pelo fim do contrato”.

“Federer e Nadal anunciaram oficialmente seu desejo de retornar ao Conselho e ninguém poderia negar suas propostas. Uma coisa é alguém dizer ‘Stakhovsky, não, pois todos sabemos mais que você, mas quem vai dizer isso ao Federer? Inclusive, eles têm medo do Federer, e por isso os dois foram aceitos de volta. Se não aceitassem a volta de Roger e Rafa teria havido uma explosão”.

“Com nossa saída, tudo ficou desnivelado já que o outro bando era maioria, mas com Federer e Nadal, não apenas igualou tudo novamente, mas também diria que está pesando para o lado dos dois. Aqueles que me diziam ser mais inteligentes e que podiam fazer melhor que eu, agora não podem dizer o mesmo a Roger. No Conselho diziam que Roger apoiava algo, mas como ele não estava ali, a decisão era tomada por outros. Se Federer agora diz algo, duvido que alguém o contradiga”, concluiu o tenista ucraniano.

O bate-papo com Stakhovsky foi publicado na Ucrânia no último dia 20 de outubro, desde então, o Conselho dos Jogadores despediu Evans e elegeu Knowles como Representante das Américas, como era pensado originalmente, e o italiano Andrea Gaudenzi foi eleito novo presidente da ATP, substituindo Chris Kermode.

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