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Guga completa 15 anos da chegada ao Nº 1. Reviva a glória!

Quarta, 02 de dezembro 2015 às 20:29:32 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - Nesta quinta-feira, 3 de dezembro, o tênis brasileiro celebra 15 anos de seu maior feito. Quis o destino que Lisboa fosse o palco deste momento em que pela primeira vez um brasileiro chegava ao topo do ranking mundial e quis o esporte da raquete que este brasileiro fosse Gustavo Kuerten.



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O eterno número um do Brasil viveu um ano mágico em 2000, fez semifinal em dois Masters 1000, foi vice-campeão em outros dois, e conquistou cinco títulos, dentre eles o bicampeonato em Roland Garros. Foram 16 semanas liderando a corrida para a Masters Cup, que era equivalente ao ATP Finals, mas o topo do ranking chegou apenas na última semana da temporada, justamente na Masters Cup.

Guga chegou à Masters Cup brigando diretamente com o russo Marat Safin para finalizar a temporada como líder do ranking.A diferença era mínima, 375 pontos os separavam, e uma boa campanha em Lisboa era crucial para tornar o sonho do número um realidade para o Manézinho da Ilha.

O brasileiro e o russo foram dos principais protagonistas da temporada 2000, tendo decido em jogos difíceis os títulos em Indianapolis e Hamburgo, não poderia ser diferente a briga pelo topo do ranking.

A Masters Cup funcionava exatamente no mesmo formato do ATP Finals. Como princpais favoritos, cada um deles caiu em um
grupo, difícil. Guga tinha como desafios André Agassi, Magnus Norman e Yevgeny Kafelnikov. Para Safin, a parada dura era com Lleyton Hewitt, Alex Corretja e Pete Sampras.

Em comum apenas "dois aspectos: estávamos todos igualados no final da temporada: destruídos, mas querendo o título a todo jeito", definiu Guga em sua biografia oficial.

A ideia do número um foi ficando distante para Guga, que perdeu a primeira partida contra Agassi de virada, ainda sentiu uma lesão nas costas e ainda viu Safin por sua vez venceu Corretja em três sets.

Guga descreve em sua biografia que passou a noite sendo cuidado pela mãe para se recuperar da lesão nas costas e que um dia descanso, mais a dúvida se conseguiria entrar em quadra o levaram a atropelar Norman na segunda rodada. No outro grupo Safin teve dificuldades, mas bateu o jovem Hewitt.

Na terceira rodada, Kuerten precisava vencer a pedreira Kafelnikov para se manter vivo no torneio. O catarinense escreve em sua biografia que "já não pensava mais no número um", pois Safin estava a uma vitória de garantir-se no posto até o fim do ano. Mas Sampras não deixou o russo festejar e o venceu, como Guga a Kafelnikov.

Nas semifinais, Safin ainda mantinha a condição de que precisava apenas de uma vitória. Em seu caminho, André Agassi.

"Desconfio que Safin deva ter sentido o peso do que significaria mais uma vitória. Na pior das hipóteses, mesmo se não vencesse a final, ele assumira a liderança do ranking. Aquilo pode ter sido demais para ele; O resultado é que Safin travou e Agassi massacrou. Não podia existir resultado melhor pra mim, subitamente voltei a ter mais chance de terminar o ano como número 1", recorda Guga em sua publicação.

Guga estava finalmente mais próximo que nunca do sonho do número um, mas pela frente tinha Pete Sampras na semifinal. "O melhor jogador que enfrentei na vida jogando naquele piso (quadra rápida)", define assim sua missão.

Difícil, mas não impossível. Guga começou mal a partida, viu Sampras abrir 3/0, mas se recuperou e perdeu a primeira parcial no tiebreak. Na sequência, o brasileiro abriu 3/0 no segundo set e controlou o placar. No set final, muito sacrifício em uma disputa dura. Contra, o até então maior jogador da história, Guga sofreu, conquistou uma quebra no nono game e como relembrou em seu livro com mínimos detalhes sofreu para levar a partida com um ace.

Estava feito! Agora o Manézinho da Ilha tinha um jogo para conquistar a Masters Cup e o número um, mas o rival era Agassi, o único que o vencera naquela competição.

De longe, pela TV, Guga não parecia ter entendido bem o que estava fazendo. Se vencesse o Sampras, além do troféu, do número um, se tornaria o primeiro (e único) jogador que venceu Sampra e Agassi em um mesmo torneio. O Manézinho da Ilha ia tombando dois gigantes de sua geração, dois dos maiores da história e ia definitivamente fixando-se ali na história também.

O domingo três de dezembro de 2000 chegou. Guga conta em sua biografia que seu tênis rasgou antes da final, que Larri Passos lixou durante uma tarde toda a sola de um tênis novo e mesmo assim o brasileiro entrou em quadra com o tênis velho e precisou parar a partida para trocar os sapatos.

Guga descreve em sua biografia que utilizou os duelos Sampras x Agassi para preparar a estratégia de seu nono encontro contra seu ídolo na adolescência. Com a confiança de quem venceu Norman com autoridade e dores nas costas, o brasileiro abriu o jogo conquistando quebras de saque, vencendo, apesar da reação do norte-americano nos sets seguintes, com certa tranquilidade.

O ponto de tensão esteve no momento decisivo para a partida. Guga sacava para a partida e por tanta coisa que estariam por vir, por desatenção viu Agassi ter 15/30, mas foi firme e levou o Brasil e toda sua luta ao topo do ranking mundial.

Ali, Guga permaneceu por 43 semanas oficiais, mas segue no topo há 15 anos para o Brasil. 

Resultados da Masters Cup de 2000:

Final - Gustavo Kuerten (BRA) 3x0 Andre Agassi (EUA) 6/4 6/4 6/4

Semi - Gustavo Kuerten (BRA) 2x1 Pete Sampras (EUA) 6/7 (7/5) 6/3 6/4

3ª Rodada - Gustavo Kuerten (BRA) 2x0 Yevgeny Kafelnikov (RUS) 6/3 6/4

2ª Rodada - Gustavo Kuerten (BRA) 2x0 Magnus Norman (SUE) 7/5 6/3

1ª Rodada - Gustavo Kuerten (BRA) 1x2 Andre Agassi (EUA) 4/6 6/4 6/3

 

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