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Tenistas brasileiros voltam aos treinos em Santa Catarina

Domingo, 26 de abril 2020 às 16:04:23 AMT

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Tênis Profissional

Por Fabrizio Gallas - A região sul do país é a mais adiantada no que se diz respeito à abertura de atividades econômicas de forma gradativa diante da pandemia do coronavírus.



Na última quarta-feira, o estado de Santa Catarina começou a flexibilização e a partir desta segunda-feira os tenistas de alto rendimento retornam aos poucos aos treinamentos.

É o caso dos atletas da ADK Tennis, no Itamirim Clube de Campo, em Itajaí (SC). São mais de 100 alunos do clube e o retorno será aos poucos com 40 a 50% da equipe de competição. Três deles do profissional retomam as atividades com restrições. Igor Marcondes, 806º colocado, João Sorgi, 646º do mundo, e Mateo Reyes, sem ranking, serão os primeiros e farão treinos de simples entre eles. Outros tenistas profissionais como Orlandinho Luz, 301º, e João Menezes, 185º, devem se juntar para os treinos no começo de maio.

O clube limitou em 45 minutos cada treinamento com uso obrigatório de máscara na chegada ao clube e durante a atividade. Cada atleta trará seu material e suas garrafas de água, os bebedouros não estarão funcionando. Cada quadra terá álcool e gel disponível e será dado um intervalo de 15 minutos para que a quadra possa ser ocupada novamente por outros membros da equipe. O clube recomenda também a não utilização das mãos para pegarem as bolas e os técnicos terão um local limite de distancimento para ficarem dos atletas.

"Estamos reabrindo com as devidas restrições e assim iremos gradativamente, todas as faixas etárias terão programação específica em função dessa situação. Estamos felizes com o retorno, mas diante de uma responsabilidade que isso envolve, o clube tomou todo o cuidado para preparar pois desde quarta-feira que estava aberto. Será uma primeira semana de adaptação e o mês de maio deveremos estar voltando à normalidade de acordo com as liberações dadas pelo governo local", disse Patrício Arnold, coordenador da equipe ADK Tennis: "Teremos treinos apenas de simples, cada um de um lado da quadra e teremos 30% da capacidade das quadras do clube com quadras intercaladas para ter mais espaço. Normalmente a equipe usa nove quadras do clube, estaremos usando apenas três".

O tenista Igor Marcondes, que treina no local, comemorou o retorno: "Vai voltar um pouco a rotina, não será muito por dia, mas estaremos no ambiente, preparação física. E é manter a cabeça firme quando o circuito voltar pois nenhum tenista tem o controle sobre o que vai acontecer, não pensar no que acontecerá lá na frente e sim dia a dia, é nossa profissão, pensar ponto a ponto, sem sofrer por antecipação quando voltará, não depende de nós", disse Marcondes que durante a quarentena passou parte com a família em Caraguatatuba (SP), foi para São José dos Campos (SP) para um condomínio com duas quadras com apoio de Júnior Veneziani onde conseguiu fazer alguns treinos por períodos curtos por dia.

 

Júnior lhe ajuda na parte financeira para os treinamentos em Itajaí (SC), mas mesmo assim a paralisação o prejudicou financeiramente: "Difícil pois recebi vários 'não' sobre patrocínios,não tivemos nenhum torneio de grana pois estava tudo parado, dar aula não rolava. Ele (Veneziani) está me ajudando como pode, mas vamos ver até quando, espero que consiga algo para seguir jogando que é o que eu quero".

 

 

João Sorgi, ex-top 10 juvenil, e que foi top 300 no profissional com final de challenger no currículo, optou por ficar próximo de Itajaí, em Balneário Camboriú com sua namorada, distante dos pais em Sertãozinho (SP) que fazem parte do grupo de risco por conta da Covid-19. O tenista chegou a bater bola em uma propriedade particular durante a quarentena. Afastado por seis meses ano passado por lesão, ele lamentou essa parada forçada, mas comemorou o retorno.

"O retorno do circuito mundial vai demorar até todas as fronteiras estarem abertas. É estar preparado para agosto, setembro. Independente do circuito não voltar é retornar a fazer o que eu gosto, treinar, me movimentar, estar jogando. Os impactos na minha carreira não são positivos dessa parada pois ano passado fiquei seis meses parado, consegui jogar quatro torneios e o circuito foi cancelado, mas essa pausa de minha lesão me fez lidar melhor com essa parada de agora para estar preparado da melhor forma possível",disse Sorgi, herói do Brasil na Copa Davis em 2018 contra a República Dominicana.

Sobre o impacto financeiro, Sorgi comentou: "Houve um impacto financeiro, mas não suficiente para a necessidade de buscar outra opção por enquanto. Não sei no futuro. Tenho o auxílio da minha família que me permite fazer o que faço, porque não é novidade para ninguém que no ranking que estou não tenho condição de me sustentar sem nenhum patrocínio. Mas não sei o quanto isto pode durar, porque agora eles não estão trabalhando".

Sorgi também vê com possibilidade bem real a organização de eventos profissionais pela Confederação Brasileira de Tênis quando assim estiver liberado. A entidade afirmou que deseja valorizar ainda mais o circuito que organizava até então e ter assim os melhores tenistas:  "Quando a situação aqui estiver mais controlada,mais segura, que todos os governos estejam em comum acordo, torço para que a CBT organize eventos nacionais já que o circuito mundial em princípio volta mais para o fim do ano".

 



Retorno em Joinville foi na última quarta

Em Joinville (SC), quem voltou a treinar foi Pedro Boscardin Dias, número 52 do ranking juvenil e que disputou o quali do Rio Open e serviu como sparring de grandes feras do circuito mundial. Pepe, como é chamado, vem dando ênfase na parte física e desde a reabertura na quarta-feira passada está batendo bola de três até quatro vezes na semana, respeitando o distanciamento, com o treinador Ricardo Schlachter na academia RS Tennis. "Estamos muito felizes com esse retorno. Estamos respeitando o distanciamento e seguindo as normas impostas pelo governo local desde a reabertura. Projeção para o Boscardin é de focar primeiramente na parte física, sem esquecer a parte técnica. Quando tivermos a certeza da data da volta, faremos uma programação para ter pelo menos seis semanas bem focadas na parte técnica", apontou Schlachter, que tem no currículo vitória sobre Gustavo Kuerten no ano seguinte ao primeiro título de Guga em Roland Garros e já trabalhou com o ex-top 50, Ricardo Mello: "Acima de tudo, espero que tanto ele como todos tenistas tenham oportunidade de ainda competir em 2020. Isso acontecendo já estaremos muito felizes. Resultados serão consequência".

"Está sendo gradativo o retorno, com a liberação e tomando bastante cuidado. Como a previsão de volta é para julho, agosto, ainda não treino todos os diasem quadra, principalagora é tentar se manter fisicamente bem para estar pronto quando o circuito retornar", disse Boscardin.

Santa Catarina tem pouco mais de 1.200 casos da doença com 42 mortes. O Brasil já beira os 60 mil casos com mais de 4 mil mortes.  

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