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Disciplina, representatividade, cultura e aprendizado. O tênis, por Aliassime

Terça, 05 de março 2019 às 18:00:00 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - Em sua passagem por São Paulo, o jovem canadense Felix Auger Aliassime, conversou com exclusividade com o Tênis News, por um período curto de tempo, em razão de sua rígida rotina de treinos, alimentação e descanso.



Aliassime chegou à São Paulo na segunda-feira, e no mesmo dia realizou, no período da noite, um pequeno bate-bola e um trabalho de recuperação física na academia do Ginásio do Ibirapuera. A reportagem do Tênis News assistiu um pouco do treino físico do jogador, que era assistido pelo treinador Guillaume Marx às 23h.

Aliás, a disciplina faz muito parte do dia a dia do garoto, que segue à risca as determinações de Marx. Na terça-feira, por exemplo, Aliassime treinou por volta da meia noite, logo após o fim da rodada noturna. Já na quarta-feira, após seu jogo, ficou determinado que o jovem descansasse, sem muito tempo para imprensa, mas com carinho dedicado aos fãs.

A disciplina de Felix vem da estrutura familiar, filho de pai professor de tênis e minha mãe professora, o jovem sempre encontrou disciplina em casa, seja pela exigência de ter decidido ainda aos sete anos de ser tenista profissional, seja pelo fato dos pais terem em mente que ele e a irmã, Malika, precisavam ir além de uma preparação para serem atletas profissionais.

Aliassime toca piano sempre que está em casa. "Eu sou 'ok' no piano. Estudei dos sete aos nove anos, aprendi as canções clássicas e é isso que eu sei e gosto de tocar. Mas agora eu estou longe de casa, então eu já esqueci", disse ele rindo. 
Ele encontrou em um de seus hobbies favoritos, a música, uma disciplina complementar e paciente para sua atuação em quadra. "É um complemento. O que é muito bom. Eu não pensei diretamente sobre isso, afinal, eu estava com sete anos. Mas pela minha mãe e meu pai, eles achavam que eu tinha que ser mais que um jogador de tênis e estudante, que eu deveria ver e aprender sobre coisas diferentes. eu sempre me dediquei ao tênis, mas eu aprendi e fiz muitas outras coisas e isso faz de mim uma pessoa mais completa", revelou.

Filho de pai togolês e mãe canadense, Aliassime trata questões como racismo com muita tranquilidade, mas buscando afastar-se sempre das polêmicas.  

Em respeito a este posicionamento, questionamos o jovem sobre a diferença do tênis em relação aos demais esportes em termos globais: "O tênis é um dos melhores esportes onde podemos aprender sobre diversidade. Desde meu ponto de vista, eu sou muito jovem ainda, mas eu pude viajar bastante, sou sortudo por ser atleta neste esporte global, eu pude ver muitos lugares diferentes, precisei me adaptar a diferentes condições e outras coisas. Mas isto, pra mim, é maior que o tênis porque pude ver coisas que eu jamais veria se competisse outro esporte ou fosse um estudante. Isto tudo abriu meus olhos e minha mente para as coisas que não estão em casa. Isto me deixa de olhos abertos para o que acontece no mundo e sobre refletir a respeito disso".

Em resposta à revista Veja, com quem dividimos esta conversa, o canadense explicava sobre como tornou-se tenista e apontou o francês Jo-Wilfried Tsonga como seu ídolo. "Tsonga, porque tem o jogo parecido com o meu. Há também o [Rafael] Nadal, [Roger] Federer e o [Novak] Djokovic, sempre que se fala em ídolos é preciso citá-los", disse o jovem buscando dar um foco técnico para sua inspiração.

Indagado pelo Tênis News sobre representatividade, o jovem abriu o coração: "Quando eu era criança, eu olhei, disse e pensei: 'Nossa, ele [Tsonga] se parece comigo e isso é legal!' Eu não gosto muito de entrar nestes temas de política racial, mas o tênis é ótimo porque não importa de onde você vem, a língua que fala ou de onde seus pais são. Acho que isso deveria ser aplicado em todas as partes de nossas vidas. É incrível ver diferentes jogadores se enfrentando, curtindo juntos e sem pensar muito nesses pormenores. Neste exato momentos temos um sérvio e um tunisiano jogando[Laslo Djere e Malek Jaziri, o primeiro de origem eslava e o segundo árabe] e é incrível ver essas misturas. É uma coisa maravilhosa de se viver".

Por fim, perguntamos ao jovem o que será do tênis nos próximos cinco ou dez anos: "Muito físico, muito rápido, explosivo. Você vê todos os jovens caras agora sacando muito bem, eu inclusive, Denis [Shapovalov], [Stefanos] Tsitsipas, [Frances] Tiafoe... Todos esses caras são fortes fisicamente. [Alex] De Minaur é muito rápido e bem forte também. Acho que será interessante, porque será muito competitivo, com grandes caras competindo. Vamos ver quem chega no topo, mas é empolgante pensar nisso", disse ele que contou no inicio da conversa ter sonhos comuns aos colegas do circuito como ser campeão de um Grand Slam, da Copa Davis e número 1 do mundo.

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