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Na Praia! A Necessidade de Mudança

Quinta, 28 de abril 2016 às 08:00:00 AMT

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Tênis Profissional

Por Luiz Gimpel, jogador profissional de Beach Tennis

No início de 2016, a ITF (Federação Internacional de Tênis) divulgou, em seu regulamento de Beach Tennis, algumas mudanças, visando sobretudo o crescimento e a maior visibilidade do esporte.



Dentre elas, é possível destacar um novo sistema de pontuação e premiação, como confirma um dos representantes do comitê de jogadores da ITF, o italiano Michele Folegatti: “A mudança faz com que os torneios que oferecem maior premiação também sejam premiados com mais pontos. A mudança se estende também ao mundial por equipes, ao Campeonato Pan-Americano e ao Campeonato Europeu, que passam a valer menos em comparação com o Mundial por duplas na Cervia (Itália).”

Além disso, Folegatti revelou que até a realização dos principais eventos de 2016, isto é, até setembro, aproximadamente, a ITF não aplicará novas mudanças em seu regulamento oficial. Portanto, não acontecerão alterações na dinâmica do jogo até o final do ano, quando a ITF poderá iniciar uma fase de testes ou até mesmo alterações definitivas, buscando uma dinâmica mais espetacular do jogo. Vale ressaltar também que as mudanças são esperadas somente para o circuito masculino, mas sem confirmação da entidade, até o presente momento.

Levando em consideração as informações acima, é evidente que o Beach Tennis encontra-se em uma fase “divisora de águas”, ou seja, chegou o momento onde as mudanças se tornaram necessárias para o desenvolvimento e evolução do esporte. Atualmente, a modalidade encontra dificuldades para ser veiculada nas mídias massivas, sobretudo na televisão, e esse fato faz com que os eventos e atletas encontrem dificuldades na busca de patrocínios, pois, como o esporte não consegue ser “vendido” para as mídias, os possíveis investidores acabam decidindo não incentivá-lo financeiramente, por acreditar que não receberão a devida visibilidade e retorno. Isso se deve ao fato de a categoria não atrair visualmente os espectadores porque a duração dos pontos é muito curta, não há a presença de “rallys” e das jogadas de “tirar o fôlego”, agradando somente aos que praticam o esporte. Um exemplo de sucesso é o Vôlei de Praia, que foi moldando sua dinâmica e suas regras de forma que o esporte se alavancasse visualmente ao passar dos anos, que a cada dia atrai mais espectadores, praticantes e, principalmente, patrocinadores e mídia. O Beach Tennis, em contrapartida, se contenta apenas com algumas matérias coadjuvantes na TV e em revistas, mesas redondas nas rádios e transmissões ao vivo via Internet, como aconteceu recentemente nos torneios da ITF em Fortaleza e nas Ilhas Reunião (França).

É evidente que a solução reside na velocidade do jogo. A solução, então, está diretamente atrelada à desaceleração na trajetória da bola durante os pontos. Em alguns lugares, isso é ainda mais difícil por questões geográficas, isto é, em locais acima do nível do mar, por exemplo, a bola tende a andar mais, ou então em locais como Santos, por exemplo, a areia é mais dura e os jogadores conseguem executar jogadas de maior potência. Além dos fatores geográficos, é possível destacar também que, desde 2009, aproximadamente, quando a ITF passou a liderar o movimento do Beach Tennis no Mundo, ela adotou bolas provenientes das marcas de Tênis: sempre “stage 2”, mas aquelas que tinham como características o peso avantajado e a maior pressurização, diferentemente das bolas originais de Beach Tennis, que costumam ser mais leves e menos pressurizadas. As raquetes, apesar de terem um caráter pessoal para cada tipo de jogador, foram também sofrendo alterações em suas características básicas. É possível constatar um aumento na produção de raquetes mais espessas, compridas e que impõem mais potência nos golpes.

Sem sombra de dúvidas, toda uma série de fatores contribuiu para o estágio atual, que é dependente de mudanças imediatas. Alguns jogadores, inclusive, já realizaram alguns testes informais para simular o jogo de forma mais lenta. Diversas soluções vêm sendo discutidas pelos jogadores; dentre elas, é possível destacar a rede com 1.80m de altura como possibilidade ou a utilização de raquetes mais curtas: em torno de 45cm e 46cm, como eram utilizadas nos anos 90 e 2000, diminuindo a envergadura e alavanca dos jogadores. Eu, particularmente, acredito que a solução gire em torno da bola, pois uma bola com a pressão ideal - nem muito dura e nem muito murcha - e maiores medidas enfrenta mais resistência com ao ar. Além disso, uma bola com maior diâmetro ganha visibilidade quando filmada e facilita uma possível adesão das mídias televisivas.

Um esporte que quer crescer precisa se tornar independente, criando seu próprio material, não utilizando a “rebarba” do já consolidado Tênis, adotar regras e medidas próprias que sejam construtivas, fomentadoras e desenvolvam um crescimento exponencial. É extremamente necessário seguir uma linha de raciocínio de autoria própria para almejar os objetivos que esse esporte merece alcançar para, quem sabe um dia, tornar-se olímpico.

 

Até a próxima pessoal,

 

Luiz Gimpel

 

Sobre Luiz Gimpel 

De aspirante à tenista universitário nos Estados Unidos para estudante de Comunicação Social na ESPM e praticante ferrenho do Beach Tennis, a decisão de largar as quadras veio após o sentimento de amor à primeira vista com o novo esporte. Hoje, ocupo a posição de número 58 no mundo (ITF) e 9 no Brasil (CBT), além de já ter participado do Rei da Praia Carioca, ter sido convocado para um treino da seleção principal do país e conquistado o título mundial IFBT em 2013 com Narck Rodrigues.

 

A coluna Na Praia é escrita também por Horácio Mello.

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