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Uma luz no fim do túnel

Quarta, 16 de agosto 2006 às 18:43:11 AMT

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Federer - Toronto II


Por Daniel Lacerda

A derrota de Roger Federer para o britânico Andy Murray não tira o favoritismo total do suíço para o US Open. Ele continua dominando o circuito e sua pontuação recorde no ranking é uma prova forte disso. No entanto, é inegável que ela traz um fôlego novo a todos os jogadores, já que a áurea de invencibilidade caiu. Com exceção de Nadal, parece que todos os tenistas entravam temerosos em quadra para enfrentar o número um do mundo. Mas Murray mostrou que é possível. E isso será uma atração a mais para o último Grand Slam da temporada.

Talvez o temor atual seja menor do que era há dois meses, mas não é nada que Federer não possa transformar com seu jogo. Se nas primeiras rodadas ele mostrar seu verdadeiro tênis, vai ser difícil para os outros tenistas acreditarem que é possível vencê-lo, sempre tendo Rafael Nadal como exceção.

Vale lembrar que a derrota de Federer não é um componente único. As atuações do suíço no Masters Series de Toronto foram irregulares e muitos jogadores perderam batendo na trave. Mesmo em Cincinnati, a vitória na estréia diante de Srichaphan não foi brilhante. Uma hora a casa caiu e Murray teve todos os méritos.

No entanto, a derrota de Roger Federer pode ter um lado positivo para ele próprio. Primeiro, porque certamente ele terá mais motivação para voltar a levantar um troféu. Segundo e principal: ele terá quase duas semanas somente para treinar, descansar a mente e se concentrar para o US Open. Alguns casos anteriores mostram que uma derrota precoce um pouco antes do evento principal pode ser importante.

Podemos usar como exemplo o próprio Federer, que foi derrotado na estréia em Cincinnati há dois anos atrás. Na ocasião, ele foi superado por Dominik Hrbaty de virada, na semana seguinte do título em Toronto. Três semanas depois, ele aplicou dois pneus em Lleyton Hewitt e foi campeão do US Open.

Outro exemplo ilustrativo ocorreu com Guga em 2001. Depois de ser campeão em Monte Carlo e vice-campeão em Roma perdendo para Juan Carlos Ferrero, o brasileiro caiu na estréia em Hamburgo, ao ser eliminado pelo bielorrusso Max Mirnyi. Curiosamente, três semanas depois ele também aplicou pneu, em Alex Corretja, e conquistou seu terceiro título em Roland Garros.

Somando as últimas atuações de Federer e os dois exemplos citados, é fácil perceber que isso pode ter sido um acidente de percurso. Mas não custa nada para os outros tenistas acreditarem no que era impensável. E só Roger Federer pode voltar a estabelecer a ordem mundial. Com seu talento e sua incrível capacidade de levantar troféus.
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