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Meligeni – 10 anos sem sua raça

Sábado, 10 de agosto 2013 às 17:36:51 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Hoje, como muita gente já sabe, completa-se 10 anos da retirada do Fernando Meligeni do tênis profissional. A despedida foi em grande estilo, com o ouro do Pan Americano de Santo Domingo, na República Dominicana, mas falamos disso depois.

Toda vez que se fala de um ex-atleta profissional comenta-se sobre os números, dos grandes feitos e eu fiquei pensando: “Claro que eu preciso falar destes aspectos do Fininho, mas ele nunca foi só isso”. Nunca foi mesmo.

Meligeni foi para muitos da minha idade a primeira referência de tênis para o Brasil e mesmo assim ele era o “argentino naturalizado brasileiro”. Com meus sete anos nunca entendi porque ser “naturalizado”, me parecia uma coisa ruim. E acredito ser algo péssimo “odiar” e disfarçar de “rivalidade” Brasil e Argentina. Nunca entendi porque “ganhar da Argentina é melhor”. E sabe o que é pior? Não é recíproco, aqui odeia-se os de lá de graça.

Voltando ao Fernando, eu gosto muito dele pelo que jogou de tênis (dentro das suas margens), pelo que ele tenta fazer pelo esporte (em geral), pela a postura como uma pessoa da comunicação e pela forma (aparentemente) positiva como ele encara tudo. Acompanho seu trabalho pelo blog, rádio, e televisão, sempre tem algo bacana para quem gosta do esporte e aprendo sempre.

Pelo sangue argentino (pode me ofender), Fernando é pra mim sinônimo de raça.

Já tive a honra de entrevistá-lo umas três ou quatro vezes e aprendi horrores. É esse tipo de personagem que percebo que nós, jornalistas, não podemos deixar desaparecer. Eles têm sempre que ser ouvidos pelo que sabem e principalmente pela “coragem” de dar a cara a tapa e dizer o que pensam num país tão hipócrita quanto o nosso.

Mesmo sendo bem respeitado e considerado no meio do tênis brasileiro, ainda não vi as mesmas reações de admiração, gratidão e respeito que tenistas e ex-tenistas estrangeiros têm pelo Fininho. Essa semana conversei com três treinadores (dois argentinos e um chileno) que gratuitamente falaram de Meligeni de como ele também podia ser usado como exemplo para seus pupilos.

Juan Mónaco é um ex-top 10 que comentou comigo: “roubaram ele da gente” numa conversa rápida (não era entrevista) no Brasil Open deste ano. Juan Carlos Ferrero foi outro que falou com admiração do Fino: “lembro de Roland Garros contra o Corretja. Que foi aquilo?”. Mas uma reação que me impressionou foi a do Guido Pella numa entrevista ano passado em SP. Seus olhose brilhavam ao falar de Meligeni.

Vamos ao números e feitos: O melhor ranking da sua carreira foi 25º do ranking em 11 de outubro de 1999. Na oportunidade, o top 10 era (na sequência 1-10) Andre Agassi, Yevgeny Kafelnikov, Pete Sampras, Todd Martin, Guga Kuerten, Marcelo Ríos, Greg Rusedski, Richard Krajicek,Tim Henman e Alex Corretja.

Grandes vitórias: Meligeni coleciona vitórias emblemáticas na carreira. Venceu, pelo menos uma vez, os seguintes ex-números um do mundo (em sua época): Pete Sampras (Roma, Itália, 1999), Carlos Moyá (Long Island, EUA, 1999), Yevgeny Kafelnikov (Praga, Rep. Tcheca e Gstaad, Suíça, em 1998), Patrick Rafter (com esse o head a head é de 2×1 para o Fininho – vitórias em Pinehurst, EUA,1996, e Roland Garros 1999) e Marcelo Ríos (Pan Americano 2003).

Ele tem três títulos de simples na carreira e sete em duplas e perdeu três finais.

O primeiro título do Fininho foi em 1995, ano de sua primeira final perdida. Foi no tradicional torneio sueco de Bastad. Na campanha o Fernando bateu o Carlos Costa (empresário de Rafael Nadal) na semifinal, o local e muito bom tenista Magnus Norman, que na época tinha furado o quali, mas que em 2000 foi número 2 do mundo e perdeu a final de Roland Garros para Guga. Além do espanhol Oscar Martinez e o austríaco Gilbert Schaller na estreia. Ele ganhou final de Mats Wilander.

Fernando foi para a final do ATP de Pinehurst, nos Estados Unidos, e estava tão confiante que nem ligou de ser o 76º do ranking da ATP contra o 35º.

Em 1998 ele venceu o russo Yevgeny Kafelnikov na final do ATP de Praga. O rival era o sexto do mundo, naquela semana.

Há quase um mês eu relembrei ouro do Meligeni e sua despedida em um post sobre a retirada do chileno Marcelo Ríos. Foi um dos jogos de tênis mais loucos da minha vida. E acho que foi onde mais pode se ver o quanto o Meligeni é raçudo e positivo.

Mas é sempre bom lembrar que o Fino foi quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996. Perdeu o bronze para o Leander (highlander) Paes, que venceu a primeira medalha olímpica da Índia. Ouro ficou para Agassi e a prata para Sergi Bruguera.

Além disso, o Meligeni fez Roland Garros brilhantemente em 1999. Jogou bem a semana inteira.

1º RD. Ele pegou o americano Justin Gimelstob, 70º e jogo sem televisão lógico.

2ªRD. A vitima foi o marroquino Younes El Aynaoui, 33 do mundo

3ª RD. Foi contra o terceiro colocado, o australiano Patrick Rafter – 6/4 6/2 3/6 6/3

Nas oitavas de final foi a batalha campal contra espanhol Felix Mantilla, então 15º. 6/1 5/7 7/5 7/6 (1)

Nas quartas a “aulinha básica” para Alex Corretja, então seis da ATP, 6/2 6/2 6/0.

Na semifinal tinha Andrei Medvedev, 100º, que tirou o Guga do torneio, nas quartas, o Fino por 7/5 3/6 6/4 7/6 (6) e levou uma sacolada do Agassi na final.

Fernando Meligeni é um dos gigantes do esporte no Brasil. Então relembrar sua carreira é a maior e melhor maneira de reverenciá-lo e incentivar os demais. Fui! Ariane Ferreira
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