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Tênis e Saúde - A Mulher Atleta

Terça, 18 de outubro 2011 às 09:02:49 AMT

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Tênis Profissional
Por Gilbert Bang, médico do time brasileiro da Copa Davis - A participação de mulheres em competições vem aumentando nas últimas décadas e o conhecimento científico neste campo tem se desenvolvido exponencialmente, mas ainda há muitos pontos a serem esclarecidos que vamos tratar aqui.

O treinamento deve levar em conta as peculiaridades morfológicas, fisiológicas e biomecânicas do corpo feminino principalmente após a puberdade, quando ocorrem alterações na composição e dimensão corporal.

As mulheres tem menor quantidade de massa muscular que os homens, principalmente nos membros superiores. Além disso, as fibras musculares mais predominantes são as do tipo I, ou seja, as mais lentas. Isso explicaria a menor potência muscular dos golpes no tênis feminino.

Classicamente a tríade da mulher atleta é o tópico mais discutido: alterações do ciclo menstrual, transtornos alimentares e os distúrbios minerais ósseos. Felizmente, o número de atletas que apresentam a tríade é baixo, mas os sintomas podem aparecer lenta e gradualmente.

A menstruação em si não é fator que impede a prática de exercícios ou treinamento intenso. A limitação pode acontecer quando há dor associada ao período menstrual, conhecida como dismenorreia. Um ponto importante a ser considerado é que o rendimento pode ser melhor após o período menstrual, influenciando na programação do treinamento físico.

As causas das alterações do ciclo menstrual, que pode chegar à ausência do mesmo (amenorreia), ainda não são bem definidas. As alterações hormonais que levam a essas alterações podem ser decorrentes de fenômenos psicológicos, volume, frequência e intensidade de treinamento. Talvez o início precoce em treinamento possa atrasar a primeira menstruação e aumentar o risco de amenorreia.

Os transtornos alimentares estão relacionados à manutenção da composição corporal ideal seja para a competição seja por pressão social (estética). A anorexia e bulimia devem ser tratadas precocemente e o controle do peso corporal deve ser rígido!

Essas duas primeiras possíveis alterações podem resultar em distúrbios minerais ósseos (osteoporose). A deficiência de estrogênio pela amenorreia e a baixa ingesta de cálcio decorrente dos distúrbios alimentares são as principais causas da perda de tecido ósseo na mulher atleta.

Outros temas relacionados a atleta mulher devem ser considerados como a gravidez, tamanho dos seios influenciando a postura e mudança do eixo do ombro, o baixo centro de gravidade e as nuances do esqueleto como tendência em “x” das articulações.

Voltaremos ao assunto. Até a próxima!

Sobre Dr. Gilbert Bang

Gilbert Bang é médico fisiatra, mestre em Ortopedia e Traumatologia, médico do Centro de Reabilitação do Hospital Albert Einstein (SP), membro da Society for Tennis Medicine and Science (STMS). Bang também é Médico da Equipe Brasileira da Copa Davis e do Departamento Infanto Juvenil da CBT.

Fale com o Bang: gilbertbang@hotmail.com
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