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Cordas - Parte II - Controle, potência e o melhor para o estourador!

Quinta, 18 de novembro 2010 às 12:29:02 AMT

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Diego Vidal - II
Por Diego Vidal e Arcelino Motta - Veja a segunda parte de um artigo traduzido com as perguntas mais frequentes sobre as cordas, parte fundamental para uma raquete. Desta vez você saberá como a corda de uma raquete influi na potência e no controle de seu jogo.

Veja Também:
Saiba maissobre as Cordas - Parte I

PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE CORDAS PARA RAQUETE DE TÊNIS

7. Se a tripa natural e o nylon oferecem excelente elasticidade, porque algumas cordas são feitas de poliéster ou Kevlar?
Elasticidade (ou baixa rigidez dinâmica) é uma propriedade da corda que contribui para facilitar a rebatida (jogar sem fazer força). Outra característica importante é sua durabilidade. Corda de tripa natural e nylon oferecem uma durabilidade aceitável para a maioria dos jogadores, mas jogadores que batem forte normalmente as arrebentam em algumas horas de jogo. Poliéster e Kevlar oferecem uma durabilidade muito maior, porém trazem um aumento na rigidez. O Poliéster oferece maior resistência na produção de fendas nos pontos de cruzamento das cordas, e por este motivo dura mais que o nylon (pelo menos 3 vezes mais). O poliéster é normalmente um filamento grosso simples (envoltórias com filamentos externos não aderem ao poliéster) é na realidade a única corda de monofilamento disponível para o tênis. O Kevlar é a marca registrada para o famoso material utilizado pela Dupont na confecção de coletes a prova de bala. Genericamente, cordas de Kevlar são conhecidas como Aramids (Technora é outra corda aramid). Aramids proporciona uma durabilidade excepcional (talvez 5 ou mais vezes a mais que o nylon), mas são extremamente rígidas.

8. Eu sou um estourador de cordas. Qual a melhor corda que devo usar?
A Silent Partner recomenda o poliéster ao invés de Kevlar, isto porque a rigidez dinâmica do poliéster está mais próxima do nylon, e sua durabilidade está mais próxima do Kevlar. Dessa forma o poliéster oferece um excelente equilíbrio entre a facilidade de jogar e durabilidade. Além disso, o Kevlar é um material sintético mais caro que o poliéster.

9. Eu quero a durabilidade do poliéster ou do Kevlar mais eu não quero que minha raquete fique tão rígida como uma tábua. O que devo fazer?
Mesmo quando são usadas cordas muito rígidas, como Kevlar, a rigidez do encordoamento (a rigidez do conjunto das cordas e não de uma corda individual) pode ser reduzida de varias formas. O maior fator que contribui para rigidez do encordoamento é a tensão no qual a raquete é encordoada. Uma maneira de diminuir a rigidez do encordoamento é reduzindo a tensão. Normalmente recomenda-se ao jogador que está usando Kevlar pela primeira vez, redução da tensão em 10% quando comparado com os encordoamentos anteriores com nylon. O Poliéster exige um ajuste menor. A outra forma mais usada para reduzir a rigidez do encordoamento é através das combinações de cordas, o “híbrido”.

10. O que é um encordoamento híbrido e como é alcançado ?
O híbrido consiste num encordoamento com diferentes cordas para as “principais” (cordas que correm longitudinais a cabeça da raquete) e as “cruzadoras” (cordas mais curtas que correm em angulo reto com as principais). Híbridos são normalmente utilizados para maximizar a durabilidade mantendo a rigidez tão baixa quanto possível. Visto que as principais estouram antes das cruzadoras, emprega-se o poliéster ou Kevlar nas principais, visando maior durabilidade, e as cordas mais elásticas nas cruzadas, visando flexibilidade. A Silent Partner recomenda tripa sintética (Nylon) de espessura 17 gauge para as cruzadas, quando o poliéster for usado nas principais e tripa sintética espessura 16 gauge nas cruzadoras quando o Kevlar for usado nas principais. É interessante notar que na maior parte de sua carreira, Andre Agassi usou Kevlar para as principais e tripa natural para as cruzadoras. Isso é uma combinação pouco usual que funcionou bem para ele. Por bater forte na bola necessita da durabilidade do Kevlar e por ser um jogador de ponta não está preocupado com o custo da tripa natural nas cruzadoras.

11. Os híbridos são usados por outros motivos, além de aumentar a durabilidade e diminuir a rigidez?
Os híbridos também podem ser usados para melhorar as características do jogo, com a vantagem de manter um baixo custo no encordoamento. Pelo fato das principais serem as cordas mais longas de uma raquete, são elas que determinam as características de um encordoamento. Partindo deste princípio, utilizamos nas principais as cordas de melhor características para o seu jogo. Por exemplo, um jogador que quer as características da tripa natural vai conseguir seus benefícios, usando-a nas principais (combinando, é claro, com a tripa sintética 17 Gauge de baixo custo para as cruzadoras), fazendo com que o custo do encordoamento caia quase pela metade, mantendo as características, praticamente idênticas, as de um encordoamento feito somente com tripa natural. A combinação Kevlar/ tripa usada por Agassi não é usual porque a maioria dos jogadores não conseguiria perceber as qualidades da tripa natural quando ela é usada nas cruzadas. Temos que levar em conta que a sensibilidade do Agassi para esse tipo de combinação é sem dúvida muito superior que as de um jogador comum.

12. Como é definida a espessura de uma corda e como deve ser escolhida?
A espessura de uma corda é definida em gauge (G) e corresponde a sua grossura. Cordas de tênis variam de 15 gauge (cerca de 1.4mm) até 18 gauge (cerca de 1.1mm). O “L” que acompanha na medida de uma corda, como 15L, se refere a uma leve variação para menos na espessura (desta forma 15L fica entre 15 e 16). A espessura mais comum para cordas de tripa sintética na América do Norte é 16 gouge, mais jogadores que buscam durabilidade, podem escolher cordas mais grossa como 15 ou 15L, enquanto jogadores que procuram mais elasticidade podem escolher cordas mais finas de 17 ou 18 gauge. A espessura de uma corda tem grande influência na sua elasticidade e característica de jogo. A USRSA informa que uma corda de 17 gauge tem cerca do dobro da elasticidade de uma corda de 15 gauge, quando fabricada com o mesmo material e mesma construção.

13. Qual a corda sintética de maior elasticidade e melhor característica de jogo?
A corda sintética mais elástica tem baixa espessura (como espessura 18) e é feita de material elástico (como nylon), usando uma construção de multifilamento (que aumenta a elasticidade). Poucos jogadores usam corda de 18 gauge, especialmente para as principais, porque elas estouram muito rápido. Mesmo corda com espessura 17 não são muito duráveis quando utilizadas nas principais. Mas uma corda de nylon multifilamento de 16 gauge é uma boa escolha, quando se quer promover elasticidade com durabilidade aceitável. Silent Partner Filament Frenzy se enquadra nesta categoria.

14. Quais características de uma corda que contribuem para potência?
A resposta tradicional para esta pergunta é: quanto mais elástica for a corda e quanto menor for a tensão, maior será a potência gerada no golpe, por causa do efeito trampolim. Esta noção é correta apesar de simplificada demais. Isto porque quando a bola bate no encordoamento, as cordas deformam como um trampolim (ou uma cama elástica), mas a bola também deforma. Essa dupla deformação reflete o acúmulo de energia (do choque) tanto no encordoamento quanto na bola. Quanto mais rígido for o encordoamento, menor será sua deformação e maior será a deformação da bola. Quanto mais frouxo for o encordoamento maior será sua deformação e menor será a da bola.

A questão importante é saber qual a parcela da energia acumulada no encordoamento e na bola é reincorporada na bola, quando ela está saindo do encordoamento.

Pelo fato das cordas voltarem a sua forma mais rápido que a bola, existe um acúmulo maior de energia no encordoamento que na bola. Esta energia acumulada no encordoamento é transmitida para bola, no instante que ela sair da raquete, e vai se somar com a energia acumulada na bola, ou seja, antes da bola tentar recuperar o seu formato ela sofre um aumento de deformação, em função da transmissão de energia do encordoamento para bola quando a bola deixa a raquete. Essa dupla deformação resulta numa perda de energia. Considerando estes fatos fica mais fácil visualizar que baixa tensão produz mais potência do que alta tensão. Complicando um pouco mais testes e cálculos publicados na revista da USRSA (artigo do Professor Rod Cross publicado na edição de Setembro de 2000 da Racquet Tech) indicam que a tensão e a elasticidade das cordas têm um efeito desprezível na potência (ou seja, um encordoamento de Kevlar a 65 libras gera a mesma potencia que um encordoamento de tripa natural a 55 libras). Isso é uma afirmação bastante controversa tendo em vista anos de experiência, e a Silent Partner endossou essa afirmação, mas somente após esclarecer o significado da palavra “desprezível”. A Silent Partner realizou testes comparando tripa natural ao Kevlar encordoadas a 60 libras. Bolas foram lançadas por uma máquina contra a cabeça de uma raquete fixa. As condições dos testes foram cuidadosamente controladas, raquetes e tensões idênticas foram utilizadas em ambos os testes. As bolas que rebateram no encordoamento de tripa natural foram lançadas 7% em média mais longe que as bolas rebatidas no encordoamento de Kevlar. Embora 7% aparenta ser uma diferença estatisticamente insignificante, isto pode representar uma diferença de vários pés a ponto de em bola originada de uma resposta de serviço tocar ou não a quadra do lado do sacador. Então uma diferença desprezível para um físico pode representar uma bola fora para um jogador. Num jogo em que poucas polegadas determinam se uma bola foi dentro ou fora, deve-se levar em consideração qualquer diferença por menor que seja. Daí a importância de testes realizados por pessoas que entendam do assunto. A posição assumida pela Silent Partner é que os critérios de avaliação dos testes empíricos e os termos utilizados para descrever as diferenças causadas pela variação da tensão das cordas devem estar relacionados com a pratica do jogo de tênis.

15. Que características as cordas possuem que contribuem para o controle?
O controle é o inverso da potência (outro lado da moeda). Jogadores de nível avançado não têm dificuldade em gerar velocidade, pois rebatem a bola com swing completo e com alta aceleração da cabeça da raquete. Para eles, a preocupação principal é não isolar a bola. O problema com o efeito trampolim discutido na questão 14 é que ele cria variação na trajetória da bola, fato que não ocorre quando a força é oriunda do swing propriamente dito (controle completo do jogador). Por este motivo, jogadores de alto nível preferem alta tensão no encordoamento por não propiciar variação na trajetória devido ao efeito trampolim. Talvez uma boa analogia seja: um carro esportivo mantém o motorista em maior contato com a roda (aderência), de forma semelhante a que o encordoamento fortemente tensionado mantém o tenista em maior contato direto com a bola.

Então, como se pode gerar controle? Primeiramente por meio de um encordoamento mais tencionado (você sabia que o Bjorn Borg às vezes acordava de noite em seu quarto de hotel por causa do som provocado pelas cordas se partindo espontaneamente? Suas raquetes eram encordoadas com mais de 80 libras!!).

Uma outra forma de controle seria utilizar cordas mais rígidas como Kevlar, apesar de subjetivamente estas cordas rígidas não possuírem as mesmas características das cordas mais elásticas, e esta é provavelmente a razão pela qual elas serem raramente utilizadas pelos jogadores profissionais.

O artigo foi traduzido por Arcelino Mota e extraído da United State Racquet Stringer Assocciation. Arcelino é o encordoador da Equipe de Treinos de Diego Vidal.

Dúvidas e Sugestões: arcelino2@yahoo.com.br equipediegovidal@gmail.com
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