X

Na linha, Paulinha - Challenger de Floripa, Costão do Santinho

Sexta, 28 de abril 2006 às 21:30:00 AMT

Link Curto:

Paula Capulo - Costao I

Por Paula Capulo, árbitra de cadeira da ITF

Nesta edição Paula Capulo, única árbitra de cadeira brasileira da ITF (Federação Internacional de Tênis), vai ao paradisíaco e melhor resort de praia do país, o Costão do Santinho em Florianópolis, onde ocorreu o Aberto de Santa Catarina. Uma semana de muito trabalho tanto na cadeira como na linha. Mesmo assim sobrou um tempinho para desfrutar das belezas do local além de se aventurar no arvorismo, nova prática de esporte radical. Na seção Regras, a árbitra explica algumas mudanças do jogo de duplas. Não perca e mande suas perguntas que Paulinha responde!

paulinhacapulo@hotmail.com


Oi Pessoal,

Estou aqui nessa edição para contar como foi a experiência de trabalhar no segundo maior torneio do Brasil. Nunca antes tinha tido a oportunidade de fazer jogos de cadeiras de um torneio desse valor de premiação e pontos, aqui no Brasil. Esse torneio foi o Challenger de Santa Catarina, distribuindo o total de 100 mil dólares em premiação e 125 mil em pontos.

O evento foi realizado no Resort Costão do Santinho, que fica na praia do Santinho cerca de 40km do centro de Florianópolis (SC). A paisagem é linda, lembrando muito a Costa do Sauipe, onde é disputado o maior torneio de tênis do Brasil. O clima ajudou bastante, já que o sol marcou presença todos os dias e o vento deu uma aliviada para a alegria dos tenistas.

Sabrina Giusto, ex-tenista profissional, e Paula Capulo

Fui convocada para trabalhar como juíza de linha num total de 26 de todo o país. Mas, como geralmente acontece em torneios grandes profissionais, os White badges, que trabalham como linha na semana, tem a possibilidade de fazer jogos no qualy para ter uma experiência em um circuito maior. Pois em nosso nível, trabalhamos mais como árbitros de cadeira em torneios menores, como de 10, 25 e 50 mil dólares.





Então assim podemos ter a chance de atuar em um nível superior ao que estamos acostumados. Eu queria, nessa coluna especialmente, parabenizar meu amigo e árbitro Rafael Maia, Bronze Badge, que atuou nos principais jogos. Ele foi um dos cinco árbitros no mundo escolhido para fazer parte de um programa da ITF de desenvolvimento na arbitragem internacional.

Da esq. pra dir. - Pedro Bravo, Paulinha, Rafael Maia, Adão Chagas e Miguel Ternera

REGRAS

Eu fiz jogos no qualy e um de primeira rodada na chave principal de duplas. O público ainda não se familiarizou com o novo sistema da ATP no jogo de duplas, onde mudou um pouco a regra.

No “iguais”, ou seja, 40/40, entra a regra do “No-Ad”, sem vantagem, ponto decisivo. Quem faz o ponto ganha o game, e quem escolhe o lado para o saque são os recebedores, já que não precisa ser feito na direita, como na simples. E no terceiro set, já que mudou para o “macth tié break”. Quem faz 10 pontos ganha, se caso empatar 9/9, vai a 11. Sempre com dois pontos de vantagem, como o tié break normal.

Lá aconteceu um fato curioso com um jogador duplista, como vocês devem ter acompanhado aqui no site. E foi exatamente um dos problemas que teve nesse jogo que eu expliquei na minha segunda coluna: o hindrance.

Nesse jogo o que aconteceu foi o que o parceiro do recebedor, na dupla, começou a mexer os braços de maneira que atrapalhasse o sacador. O arbitro de cadeira chamou um hindrance, e a dupla de recebedores perdeu o ponto.

Felizmente o torneio acabou num lindo dia de sol, pena que o vento voltou com todas as forças e incomodou um pouco os tenistas da final. A vitória, no terceiro set, ficou com o brasileiro Ricardo Mello e o público lotou as arquibancadas da quadra central.

AVENTURAS DA PAULINHA

Bom, depois do meu último dia de trabalho, quis experimentar uma nova aventura e topei de fazer o Arvorismo. Para quem não conhece, fica no Costão do Santinho o maior percurso de arvorismo do sul do Brasil, com 29 atividades acrobáticas, suspensas a 10 metros de altura. É um esporte totalmente novo, que começa a ser desenvolvido nos EUA e na Europa. O Arvorismo é praticado sob as copas das árvores. São passados cabos entre as árvores e os praticantes caminham entre elas fazendo vários tipos de desenvolvimento físico: pontes, cabos aéreos, redes, tambores e tirolesas de até 100 metros de comprimento, sempre utilizando todos os equipamentos de segurança específicos.



Das quadras de tênis dava para olhar e até sentir um frio na barriga do pessoal lá no alto, praticamente pendurado por um cabo de aço. Consegui convencer um pequeno grupo (de loucos!!!) para subir comigo e fomos acompanhados por dois instrutores: o Marinho e Jefferson,não deixando ninguém sozinho ou com medo lá nas alturas. Devido a minha grande altura (1,58), tinha percursos onde eu não alcançava no cabo de aço superior, e o vento não ajudava muito, me balançando de um lado a outro.



A visão da praia, das dunas, da ilha e de tudo que possa estar abaixo dos 10 metros, é impressionante. Sendo que esses essa altura não é em relação ao nível do mar, pois todo o trajeto foi construído em cima de elevações. A altitude passa dos 50 metros. Demoramos quase duas horas para terminar todo o percurso, e já estava quase noite.



Queria agradecer muito à atenção especial do instrutor Jefferson e das fotos e paciência do Marinho. Foi uma atividade diferente, que eu simplesmente adorei fazer. Recomendo aos corajosos e aos que não são também. Pois a segurança é total e a diversão garantida.

Um beijo e até a próxima!

Pergunte que Paulinha Responde!

Aqui é Eusebio Resende, locutor do Sportv. Escrevo com o objetivo de valorizar ainda mais o importantíssimo trabalho de vocês na arbitragem do tênis e além disso me colocar à disposição para a troca de informações!!! Estamos ligados nos jogos e na coluna na internet. Abraços!!!!

Oi Eusébio

Muito obrigada pelo email e estamos buscando fazer nosso melhor nas quadras do brasil e do mundo em prol do tênis. Quando quiser é só mandar mensagem!


Olá, admiro muito você, acho você uma ótima profissional. Sou tecnica de tênis, dou aula em um clube aqui em Ponta Grossa (PR), e lendo sua reportagem na Tenis News , fiquei mais interessada em arbitragem. Fiz apenas um curso com Ricardo Reis, mas agora quero aprender mais sobre arbitragem, e gostaria que um dia você viesse arbitrar um torneio em minha cidade!!!! Tambem ficaria feliz em poder participar em um curso seu no futuro, aguardo noticias sobre um curso proximo!!!!

Um grande abraço!!!!!

Iolanda

Oi Iolanda,
Muito obrigada pelo elogio e fico feliz por poder incentivar mais mulheres a participarem da arbitragem. O Ricardo Reis também foi meu primeiro professor e tenho certeza que você aprendeu bastante com ele. Estou muito agradecida pelo convite do curso, mas quem administra essa área hoje é o Ricardo Reis de São Paulo e o Roberto Almeida, de Recife. Seria uma honra eu poder trabalhar na sua cidade, ficarei aguardando um torneio aí. E quaisquer dúvidas de arbitragem, já sabe: Na linha, Paulinha!
banner
banner