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Opinião - Federer desprestigiado

Sábado, 21 de junho 2008 às 12:00:00 AMT

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Federer - Derrotado Roma 08

Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

Surpreendente o noticiário que vem antecedendo o torneio de Wimbledon. Refiro-me, especialmente, à declaração de Bjorn Borg a respeito dos favoritos para o título do grand slam londrino. Segundo a lenda sueca, Federer é apenas o terceiro favorito para vencer no All England Club, ficando atrás de Rafael Nadal e Novak Djokovic. Seus feitos foram meramente ignorados pelas circunstâncias positivas vividas por seus principais rivais.

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Até entendo que a evolução de Rafael Nadal na grama é assustadora e foi confirmada pela conquista do torneio de Queen’s diante do excelente tenista sérvio Novak Djkovic, que segundo Borg tem mais chances hoje de vencer Wimbledon do que o atual pentacampeão, Roger Federer. Nadal tem duas ‘armas’ que o colocam numa posição de destaque entre os tenistas que lutarão pelo título no All England Club: primeiro, o fator psicológico especificamente sobre Federer devido à vitória arrasadora sobre o suíço na final de Roland Garros; segundo, a motivação e confiança de quem faturou o tetracampeonato no saibro francês e em uma rápida transição para grama conseguiu erguer o troféu em Queen’s.

Em relação a Novak Djokovic, o sérvio mostrou após a conquista no Australian Open - onde venceu Roger Federer nas semi-finais em meio às especulações de debilidade física do tenista da Basiléia devido a uma mononucleose - que pode vencer qualquer grand slam, exceto Roland Garros pela inquestionável superioridade demonstrada por Rafael Nadal. O ponto negativo de Djokovic é o fator físico: se o sérvio encontrar pela frente algum jogador ’complicado’ na rápida grama de Wimbledon, como Ivo ‘tie-break’ Karlovic e seja obrigado a disputar cinco sets longos, é possível que o número três do ranking de entradas acuse cansaço nas partidas posteriores, o que pode ser decisivo numa semi-final e final duras contra Federer e Nadal. Djokovic já mostrou que não possui a mesma resistência física que seus adversários; algo ainda desconhecido, não revelado, que o faz sucumbir à exaustão quando é forçado a jogar por longos períodos.

Vale lembrar também que - e parece ser uma motivação para Rafael Nadal - que o período de disputa de Wimbledon é caracterizado por oscilações constantes do tempo em Londres, o que força os tenistas a buscarem concentração diante de entradas e saídas constantes das quadras e até mesmo perante a possibilidade de dois jogos em menos de 24 horas. Por que tudo isso é estímulo para Nadal? Em 2007, a mãe natureza não ajudou o tenista espanhol que devido às condições do tempo precisou jogar muito em períodos curtos de tempo. Há quem diga que essa situação adversa foi crucial para o cansaço apresentado pelo espanhol na final entre o tenista de Palma de Mallorca e Roger Federer, decidido em cinco sets.

Seus oponentes têm qualidade inegáveis, mas como é que Federer pode ser colocado na terceira posição de uma lista de favoritos para Wimbledon? O suíço vem em uma seqüência incrível de 58 partidas invicto na grama, além das cinco conquistas consecutivas no All England Club. Apesar de toda evolução de Rafael Nadal, dizer que o tenista da Basiléia é apenas o número três numa lista de prováveis campeões do grand slam londrino é mais ou menos como dizer - salvas às devidas proporções - que Michael Phelps é forte candidato à medalha de bronze - quem sabe uma prata - na prova do estilo medley nas Olímpiadas de Pequim.

O que está acontecendo, inegavelmente, é que os observadores do circuito de tenis mundial estão ansiosos por mudanças. A ascensão de Federer como número um e ganhador quase absoluto dos majors nos últimos anos deixou o mundo do tenis um pouco chato, repetitivo. Somada a isso, uma postura aparentemente desinteressada - talvez acomodada - do suíço faz com que as pessoas tenham mais interesse em ver alguém mais motivado e intenso no topo do mundo. E caso Nadal conquiste a posição de número um, Djokovic é a garantia que o espanhol de Palma de Mallorca será sempre desafiado, sobretudo nas quadras rápidas. Portanto, as recentes declarações de Bjorn Borg parecem vislumbrar um circuito encabeçado por um tenista caracterizado por força e intensidade, ao invés de um talento morno.

Sobre Artur Salles Lisboa de Oliveira

Artur Salles Lisboa de Oliveira é jornalista, coordenador-geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico, acompanha o circuito profissional de tenis desde Novembro de 2003 e colabora com a Tenis News desde Março de 2005.
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