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Davydenko silencia muita gente

Segunda, 07 de abril 2008 às 19:00:00 AMT

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Nikolay Davydenko - Roland Garros 07 III

Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

Quem viu o ucraniano naturalizado russo, Nicolay Davydenko, na cerimônia de premiação após a conquista do título no Master Series de Miami, esguio e confortavelmente desconfortável ao lado do imponente Rafael Nadal, imaginou ser o espanhol o factual vencedor da competição mencionada.

Não apenas por seu físico comum, mas especialmente por ser considerado – apesar de todas as suas qualidades técnicas – um costumeiro freguês dos grandes nomes do tenis, Davydenko recebe inevitável desdém por parte da imprensa nacional e internacional. O primeiro título de Master Series conquistado por Davydenko, diante do eslovaco Dominik Hrbaty em Paris, não convenceu os jornalistas de seu potencial, especialmente porque seu adversário não se mostrou à altura para consagrá-lo como um grande tenista.

A vitória em Miami foi, além da consagração de um tenista que pode não ter o talento do suíço Roger Federer e nem a força mental e física do espanhol Rafael Nadal, mas que quando encaixa o seu bom jogo de linha de base é capaz de incomodar qualquer oponente com seus potentes golpes de direita e esquerda, também um desabafo de um atleta que vem sendo massacrado por ilações ainda não comprovadas em relação a supostas apostas envolvendo seus jogos. Ironicamente, o russo venceu o torneio de Miami, perto da sede da Associação dos Tenistas Profissionais (que fica em Ponte Vedra Beach na Flórida), entidade responsável pela apuração das denúncias envolvendo Nicklay Davydenko.

É uma dúvida difícil de ser respondida: até que ponto Davydenko jogou bem e se impôs ao jogo do espanhol número dois do mundo e quanto podemos debitar da atuação de Nadal fatores como apatia ou, simplesmente, um dia ruim? Motivação, sem dúvida, não faltou, uma vez que a energia que o tenista de Palma de Mallorca demonstrou antes da partida – com seus tradicionais pulinhos e ‘arrancadas’ - deixa claro que não havia falta de interesse. Particularmente, creio que a vitória de Nicolay Davydenko evidencia que a potência de seus golpes da linha de base, aliada a uma boa movimentação e bons voleios pode derrubar qualquer adversário. Uma pena que o russo não tenha tido oportunidade de enfrentar o número um do mundo, que em má-fase – supostamente por certa debilidade física decorrente da mononucleose – poderia ter cedido uma derrota que alavancaria bastante a confiança do campeão de Miami.

A temporada de saibro não poderia começar melhor: os dois melhores tenistas da atualidade, que juntos acumularam nos últimos dois anos boa parte dos títulos dos principais torneios do circuito, não creditaram em suas contas nenhum conquista sequer em 2008. Nadal precisará mudar esse panorama uma vez que defende quase a totalidade de pontos na terra batida, exceto pelo Master Series de Hamburgo. Será que Federer, visivelmente abatido pela mononucleose surpreenderá a todos vencendo Roland Garros? Até que ponto excelentes tenistas como Novak Djokovic e Nikolay Davydenko serão capazes de repetir suas façanhas em quadras rápidas no saibro europeu?

Sobre Artur Salles Lisboa de Oliveira

Artur Salles Lisboa de Oliveira é jornalista, coordenador-geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico, acompanha o circuito profissional de tenis desde Novembro de 2003 e colabora com a Tenis News desde Março de 2005.

Email: arturslo@hotmail.com
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