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Opinião - A Olimpíada apequenada por Federer

Domingo, 09 de março 2008 às 20:48:07 AMT

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Federer - Cincy 07 II

Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

Roger Federer é uma pessoa diferenciada: detentor de um talento invejável, o suíço sempre foi alvo de elogios, também, devido à sua atuação no continente africano onde mantém projetos de apoio a crianças carentes, além de ser considerado um gentleman no trato com a imprensa e com outros tenistas.

Entretanto, após sucessivas derrotas em 2008 - razoavelmente explicadas com o diagnóstico de mononucleose noticiado pelo jornal New York Times -, Federer tem feito algumas declarações que destoam totalmente de sua posição de embaixador do esporte e gênio do tenis.

Em 2004, no ano no qual Roger Federer se consolidou como número um inquestionável, o suíço se mostrou, com a proximidade das Olimpíadas de Atenas, extremamente entusiasmado em participar do maior evento poli-esportivo do mundo. Segundo declarações à época do tenista da Basiléia, a experiência de conviver com atletas de inúmeras modalidades seria única. Diante de tais afirmações, subentende-se que o tenista, apontado por muitos como forte candidato a maior de todos os tempos, deveria estar bastante entusiasmado quanto às Olimpíadas de Pequim. Entretanto, em declaração recente, Federer colocou dúvidas quanto à sua presença no evento mencionado. Mais que isso, o pentacampeão de Wimbledon afirmou que não se sente à vontade na Vila Olímpica devido ao assédio de outros atletas - tapinhas nas costas, mais precisamente -, além de criticar o fato de ser necessário utilizar o transporte do próprio evento. Algo surpreendente partindo de quem partiu.

É importante que se diga: Federer no início de sua carreira, quando os lançamentos de raquetes ao chão ofuscavam seu talento, com certeza batalhou em muitas horas de treinos, viagens e jogos como qualquer outro tenista, mas com certeza a situação financeira de sua família - seus pais são executivos do setor farmacêutico - o proporcionaram um conforto que, provavelmente, muitos não tiveram. Além disso, o fato de ter ascendido à posição de número um de forma brilhante, exibindo um tenista de primeiríssima qualidade que gerou um assédio descomunal da imprensa o colocando como um semideus, provavelmente despertou uma vaidade que nos últimos anos muitos ainda não tinham percebido. Agora o ego está de tal forma inflado que até mesmo a grandeza das Olimpíadas se apequena diante de trivialidades como o convívio na Vila Olímpica e o uso do ônibus da organização de Pequim.

O pior de tudo é quando, além de fazer transparecer que estará ausente de um grande evento por não querer se submeter - submeter a que, exatamente? - ao transporte coletivo das Olimpíadas de Pequim, Roger Federer desbanca para o ataque contra outros tenistas, a exemplo de sua derrota diante de Andy Murray em Dubai, quando o tenista da Basiléia afirmou que o jogo de Murray se limita demasiadamente ao fundo de quadra, o que provavelmente fará com que o escocês tenha dificuldades perante muitos outros jogadores. Uma declaração equivocada, indigna de um tenista da qualidade de Federer; inclusive, uma assertiva bastante semelhante àquela feita às vésperas de Roland Garros quando sucessivas derrotas para Rafael Nadal fizeram com que Federer questionasse o tio e treinador do espanhol, que estaria, supostamente, passando informações para seu sobrinho durante os jogos. Infelizmente, parece que a fama subiu à cabeça do suíço, que vem cometendo gafes completamente indignas do seu título de embaixador do esporte.

Sobre Artur Salles Lisboa de Oliveira

Artur Salles Lisboa de Oliveira é jornalista, coordenador-geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico, acompanha o circuito profissional de tenis desde Novembro de 2003 e colabora com a Tenis News desde Março de 2005.

Email: arturslo@hotmail.com
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