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Na Linha, Paulinha! - Como se tornar um árbitro ?

Domingo, 21 de outubro 2007 às 20:49:07 AMT

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Paula Capulo - Outubro

Por Paula Capulo, árbitra brasileira da ITF

Oi pessoal,

O meu segundo semestre mexicano chegou cheio de torneios e a nova regra para a ITF em duplas: com No-Ad e match tie-break no terceiro set. Essa regra ja estava em uso na ATP e na WTA. E a ITF começou a usar essa regra na primeira semana de setembro desse ano.

Entre em contato com Paula Capulo - paulacapulo@hotmail.com

Com isso podemos comprovar que diminuiu o tempo dos jogos e por aqui nenhuma jogadora reclamou do novo sistema. O mais importante dessa regra que devemos explicar bem para que nao haja duvida é do ponto decisivo, ou seja iguais. Como são as recebedoras que escolhem o lado que será sacado, elas nao podem mudar de decisão depois de escolhido o lado, ou seja, se a dupla A e B que está recebendo decida que a jogadora B recebera, não poderá mudar de idéia para que a A receba. As vezes muitas se esquecem e automaticamente vai receber a jogadora que está no lado direito da quadra. Por isso que os árbitros de cadeira fazem o seguinte anúncio: ” Iguais, ponto decisivo, recebedor escolhe o lado”. Assim fica mais fácil para que as jogadoras se lembrem da regra. Se fica 1 x 1 em sets, se joga o Match Tie-Break de 10 pontos. Nesse caso podera alterar a ordem do sacador, já que esta iniciando outro set, e não como em um tie-break normal, onde a ordem dos sacadores tem que permanecer igual ao do set em jogo.



Essa foi a mudança de regras mais significativa que tivemos esse ano para os torneios ITF. Estamos com uma série bem grande de torneios de 25 mil aqui no México nessa segunda parte do ano. Depois de alguns problemas com o visto mexicano, que está demorando mais para sair, perdi a primeira semana de torneio aqui. Agora estou na quinta semana consecutiva de trabalho e não preciso nem dizer que estou cansada, já que a média semanal de jogo que faço fica em torno de 14. É jogo de segunda a segunda, sem tempo para descanso ou domingo para dormir até quando quiser. É cama, travesseiro, chuveiro, cidade, clima e clube diferente toda semana. Rotina que de rotina não tem nada, tudo muda menos o tempo que quase nunca temos pra fazer turismo, mas é o que importa é gostar do que se faz. Com isso vencemos obstáculos e saudades.



Como ando recebendo bastante e-mails pedindo informações de como se tornar arbitro, vou explicar tudo aqui. Primeiro de tudo, gostar do que faz. Segundo, gostar de viajar e não estou falando de hotéis 5 estrelas, de classes executivas em aviões nem de cidades sempre maravilhosas.



Estou falando de ter que investir na profissão. Hoje o Brasil é visto como um país com uma boa escola de arbitragem, muitas pessoas que investiram e continuam investindo tempo e dinheiro para subir nível. O começo é procurar, na sua federação ou na CBT, o calendário de cursos para se tornar um árbitro nacional. Sendo aprovado nesse curso, poderá atuar em torneios regionais, estaduais e brasileiros, como um árbitro auxiliar. Esse terá que colocar jogos em quadra, fazer o sorteio e cuidar de mais de uma quadra ao mesmo tempo, entrando na quadra para resolver algum problema quando solicitado pelos jogadores. Assim é que geralmente se começa na arbitragem. São os torneios que mais tem jogos e que começam cedo e terminam tarde. Trabalhei assim praticamente 4 anos, fazendo cadeiras em alguns também. O próximo passo é fazer cadeiras em torneios que necesitem. Eu, por exemplo, comecei em um torneio sul-americano de 12 anos por equipes, em seguida a Copa Gerdau, que é um ITF Junior e Cosat. Com experiencia o arbitro vai melhorando o nivel dos torneios, fazendo futures por exemplo. Então, se depois de tudo isso você ainda não desistiu, meus parabéns! (risos).

O curso de nivel 2 da ITF, o White Badge, é o primeiro para começar a longa jornada para se tornar um árbitro profissional. A CBT envia os nomes dos interessados e a ITF decide quais estão aptos para o curso. Esse curso não acontece sempre no mesmo lugar, geralmente acontece no país que pede para ter a essa escola. Então no próximo ano poderá ter ou não na América Latina. Passando nesse curso o árbitro já estará certificado como profissional e poderá atuar em diversos torneios, como futures e women’s circuit.

Com o White no peito é fazer jogo e mais jogo e aprender muito. Eu fiquei com o White por 3 anos, e então fui aceita para o curso do Nivel 3, o Bronze Badge. Para te aceitarem para o Bronze é necessario que tenhas experiencia en torneios profissionais e é mais rigida a seleção dos participantes.

A boa noticia é que depois do Bronze não existe mais cursos, o seu Bagde muda de acordo com a sua experiencia na cadeira. E por mais que não precise fazer mais provas, não quero dizer que seja mais facil, podemos provar isso com Carlos Bernardes, Adão Chagas e Damian Steiner, os únicos Gold da América Latina.

Bom pessoal, vou parando por aqui e espero ter esclarecido que não só de viagens maravilhosas vive um árbitro, como muitos pensam. É a profissão que amo, que escolhi ainda nova mas não por isso foi menos pensada.

Um beijão e até a próxima,

Paulinha
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