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Especial - Guga 2000 e 2001 e Brasileiros em Roland Garros

Sábado, 26 de maio 2007 às 10:33:22 AMT

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Guga 01
O ano 2000 trazia Guga na lista dos favoritos, ao lado do sueco Magnus Norman. Os dois haviam travado duelos interessantes nos Masters Series do saibro e estavam em lados opostos da chave. Mas para se enfrentarem, teriam que vencer seis partidas cada um.

E a campanha do brasileiro começou da forma mais arrasadora possível. Diante do sueco Andreas Vinciguerra, ele fez 3 a 0, com parciais de 6/0, 6/0 e 6/3. Na seqüência, ele derrotou o argentino Marcelo Charpentier também em sets diretos, parciais de 7/6 (7/5), 6/2 e 6/2. Na terceira rodada, o primeiro duelo mais complicado, contra o americano Michael Chang. Pela primeira vez não foi 3 a 0, mas 3 a 1, com parciais de 6/3, 6/7 (9/11), 6/1 e 6/4.

Nas oitavas, o adversário foi Nicolas Lapentti, que caiu em sets diretos, com 6/3, 6/4 e 7/6 (7/4). Nas quartas, a história se repetiu e da mesma forma dramática que em 1997. Guga teria pela frente o russo Yevgeny Kafelnikov, na mesma fase do torneio. Depois de vencer o primeiro set por 6 a 3, o brasileiro perdeu o segundo por 6/3, o terceiro 6 a 4 e perdia o quarto por 4 a 2. Mas em uma de suas já tradicionais reações, Guga deu a volta por cima, venceu quatro games seguidos e fechou o set por 6 a 4. No quinto, ele fez 6 a 2 e chegou na semifinal.

Seu adversário na semi foi o ascendente espanhol Juan Carlos Ferrero. Guga fez 7 a 5 no primeiro, mas viu seu adversário colocar 6 a 4 no segundo set, 6 a 2 no terceiro e 4 a 2 no quarto. Mais uma vez ele ressurgiu das cinzas, virou o set fazendo 6 a 4 e depois concluiu a vitória com um 6 a 3 no terceiro. Na saída, Guga esperou Ferrero, para que os dois saíssem juntos e aclamados pela torcida.

Na final seu oponente foi Magnus Norman, como já era esperado. Guga fez 6/2 e 6/3 rapidamente, mas o sueco fechou o terceiro por 6 a 2. O quarto set foi espetacular. Sempre pulando na frente, já que começou sacando, o brasileiro perdia sucessivos match points, inclusive um polêmico em que ele garantiu que a bola tinha sido fora, enquanto o árbitro garantiu que tinha sido dentro. Somente em sua 12ª tentativa veio o título, depois de um 8 a 6 no tie-break. Segundo troféu no Grand Slam francês.

2001

Nunca Guga chegou tão favorito a Roland Garros. Número um do mundo e atual campeão, só Juan Carlos Ferrero parecia ser candidato a tirar-lhe o troféu. Mas a caminhada já começaria árdua para o “Manezinho”.

Logo na estréia, Guga enfrentou o argentino Guillermo Coria. Com uma grande atuação, ele fez 3 a 0, parciais de 6/1, 7/5 e 6/4. Na segunda rodada, nova vitória fácil sobre um “Hermano”, triplo 6/4 em Agustín Calleri. Na terceira fase, no entanto, o caminho teve seus primeiros percalços. Depois de fazer 6/3 no primeiro set diante do marroquino Karim Alami, Guga viu o seu adversário fazer 7/6 no segundo e sacar em 5 a 4 no terceiro. Mas para variar, ele mostrou poder de reação, conseguiu a quebra e levou no desempate, que vinha sendo um trauma. No último set, um passeio por 6 a 2.

Mas foi nas oitavas de final que Guga escreveu seu mais dramático, emocionante e sensacional capítulo nas quadras de Roland Garros. Seu adversário foi um americano baixinho e gordinho, de nome Michael Russell, que havia saído do quali. O que parecia ser um jogo fácil, foi uma verdadeira pedreira. Russell fez 6/3 e 6/4 com inacreditável facilidade. Para piorar, abriu 5 a 2 no terceiro set. Quando sacava em 5 a 3, teve um match point. No ponto mais emocionante da carreira de Guga, ele mostrou toda a sua coragem de campeão, ao trabalhar um ponto longo, com direito a bola na linha, e conseguir levá-lo, para alívio de todos. A partir daí, o jogo mudou completamente e Gustavo Kuerten passou a comandar as ações, fechando por 7/6, 6/3 e 6/1. Ao final da partida, Guga desenhou um coração na quadra e se ajoelhou, agradecendo a força da torcida, que o aplaudiu de pé. Um momento dos mais emocionantes do tênis.

Depois do susto, Guga teria que se preparar para enfrentar Kafelnikov novamente nas quartas. E foi uma partida memorável, pois os dois tenistas jogaram de forma espetacular, com lindos pontos durante todo o encontro. Ao final, mais uma vez deu Guga, por 3 a 1, com parciais de 6/1, 3/6, 7/6 (7/3) e 6/4.

Na semifinal novamente em seu caminho Juan Carlos Ferrero, para o que provavelmente seria uma final antecipada. E foi um verdadeiro chocolate em cima do espanhol. 3 sets a 0, parciais de 6/4, 6/4 e 6/3. Na final, novo espanhol, só que desta vez Alex Corretja. O jogo começou duro, mas o brasileiro terminou atuando de forma soberba e impondo um pneu ao seu desorientado oponente: 3 a 1, com 6/7 (3/7), 7/5, 6/2 e 6/0. Na comemoração, ele vibrou mais do que nas outras vezes, voltou a desenhar um coração na quadra, só que desta vez ele se deitou dentro da figura. Na premiação, o brasileiro apareceu com uma camisa escrita “J´aime Roland Garros”, ou “Eu amo Roland Garros”, em bom português.

Meligeni

Se Guga era o protagonista brasileiro em Roland Garros, Fernando Meligeni sempre foi o coadjuvante perfeito. Com ótimas atuações nas quadras de Roland Garros, Fininho chegou a empolgar várias vezes com suas atuações raçudas e, ao mesmo tempo, eficientes.

Logo em sua primeira aparição no Grand Slam parisiense, Meligeni conseguiu uma ótima campanha, alcançando as oitavas de final. Ele passou pelos franceses Stephane Sansoni e Stephane Huet e pelo alemão Patrik Kuhnen. Nas oitavas, não teve jeito, ele caiu diante do espanhol Sergi Bruguera, que viria a ser o campeão.

Em 1998, ele voltou a fazer boa campanha em Roland Garros. Passou as três primeiras rodadas sem perder nenhum set. Os eliminados foram Thomas Johansson, Vincent Spadea e Todd Woodbridge. Nas oitavas, ele caiu novamente, desta vez diante do austríaco Thomas Muster, em cinco sets.

Mas foi no ano seguinte, em 1999, que Fininho fez sua mais brilhante campanha. Ele vinha de ótimos resultados na temporada de saibro e chegou com a confiança em alta. Na estréia, ele passou com facilidade pelo americano Justin Gimelstob, com triplo 6/3. Na segunda rodada, uma partida duríssima diante do marroquino Younes El Aynaoui. Depois de cinco sets equilibrados, ele venceu com parciais de 6/7, 6/3, 4/6, 6/3 e 6/3.

As três vitórias seguintes foram marcantes. Na terceira rodada, ele superou o australiano Patrick Rafter por 3 a 1, com parciais de 6/4, 6/2, 3/6 e 6/3. Nas oitavas, ele passou pelo espanhol Félix Mantilla, também por 3 a 1, parciais de 6/1, 5/7, 7/5 e 7/6. Nas quartas, um passeio sobre Alex Corretja. 3 sets a 0, com parciais de 6/2, 6/2 e 6/0. Nesta fase, Guga foi eliminado por Andrei Medvedev, o que acabou com as chances de uma semifinal brasileira. E o ucraniano virou inimigo da nação ao superar também Fernando Meligeni. O jogo foi 3 sets a 1, com parciais de 7/5, 3/6, 6/4 e 7/6 (6).

Meligeni ainda fez uma campanha interessante em 2001, alcançando a terceira rodada e sendo eliminado por Andre Agassi em duelo disputado. O jogo foi 3 sets a 1, com parciais de 6/3, 2/6, 6/1 e 6/3. Ao final, ele saiu aplaudido de quadra.
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