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Classes de Tenistas

Segunda, 14 de maio 2007 às 08:00:00 AMT

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Federer e Nadal - Superfícies II

Por Artur Salles Lisboa Oliveira

O circuito de tenis, atualmente, está claramente polarizado em dois grandes tenistas: em um pólo está Roger Federer, número um do mundo que, apesar dos percalços recentes em Indian Wells e Miami, ainda continua hegemônico nas quadras rápidas; no outro pólo se encontra Rafael Nadal, vice-líder do ranking de entradas, que se mostra completamente supremo - desculpando a redundância - na terra batida.

Federer e Nadal compõem, assim, a primeira classe dos tenistas na atualidade; aqueles que abocanham quase a totalidade dos torneios mais importantes do circuito e que dificilmente são derrotados por seus adversários - senão em situações especiais envolvendo problemas físicos e/ou motivacionais.

Em seguida à dupla fenômeno do tenis atual surgem alguns nomes que, potencialmente, têm condições claras de, a qualquer momento, derrotar o líder e vice-líder do ranking de entradas, mas que apesar da técnica destacada não possuem algumas características essenciais dos vencedores. Por exemplo: o excelente tenista argentino David Nalbandian, detentor da melhor devolução de saque do circuito, acumula muitas derrotas para si mesmo por possuir um temperamento difícil de ser trabalhado. O russo Nicolay Davydenko é outro exemplo bastante ilustrativo: com um excelente jogo de base, alternando golpes retos tanto de direita como de esquerda, Davydenko exige muito de seus adversários - até mesmo de Federer e Nadal. Entretanto, o russo não possui, assim como Nalbandian, aquele algo mais - garra, vibração e confiança - típico dos grandes campeões. Injustiçado pela imprensa tenística, Nicolay Davydenko é visto como um atleta não merecedor do posto de quarto melhor tenista da atualidade.

Em uma terceira classe de tenistas estão aqueles que, no passado, já foram grandes campeões, mas que por sucessivas contusões, problemas pessoais ou por incapacidade de se impôr diante dos novos nomes que aparecem no circuito despencaram no ranking ou simplesmente estabilizaram em uma determinada posição e não conseguem evoluir. Bons exemplos são: o americano Andy Roddick, que graças ao seu fantástico serviço já liderou o ranking de entradas da Associação dos Tenistas Profissionais e venceu o US Open chegou a final de Wimbledon, mas que hoje não está na lista de favoritos em nenhuma competição de grande porte; e o talentoso e temperamental Marat Safin, que além de sofrer com constantes problemas físicos não consegue uma maturidade emocional para pôr em prática todo seu potencial. Vale lembrar que Safin já liderou o ranking de entradas da ATP e tem título no US Open e no Australian Open.

Em uma classe especial se encontram aqueles tenistas que são considerados promessas de apresentações de gala e de muitos títulos no futuro. Dentre eles, importante destacar: o talentoso frânces Richard Gasquet, cujo físico limitado o impede de vislumbrar grandes conquistas; o sérvio de espírito ganhador, Novak Djokovic, que derrotou Rafael Nadal em Miami, onde conquistou seu primeiro master series; e, por fim, o esquecido vice-campeão do Australian Open de 2006, o cipriota Marco Baghdatis, "dono" de um tenis de primeira linha, mas que oscila muito emocionalmente.

A partir da leitura de periódicos e sites especializados, constata-se uma injustiça: parece aos olhos de muitos, que o tenis atual se limita apenas a Roger Federer e Rafael Nadal, algo compreensível devido a um traço da cultura brasileira. O tenista que não possui títulos expressivos - por mais talentoso e esforçado que seja - se torna uma figura secundária. Para nós o segundo é apenas o primeiro a perder. Por isso que excelentes tenistas como Nikolay Davydenko, David Nalbandian, dentre outros, não enchem os nossos olhos.

Imaginem se o Brasil tivesse, hoje, um Nikolay Davydenko...

Sobre Artur Oliveira

Artur Salles Lisboa de Oliveira é jornalista, coordenador-geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico, acompanha o circuito profissional de tenis desde Novembro de 2003 e colabora com a Tenis News desde Março de 2005.

Email: arturslo@hotmail.com
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