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Presença feminina na Arbitragem marca Aberto de Santa Catarina

Sexta, 27 de abril 2007 às 20:41:17 AMT

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Tênis Profissional
Algumas peculiaridades estão marcando o Aberto de Tênis de Santa Catarina. O torneio é disputado junto ao belo complexo do Costão do Santinho, que agrada aos mais exigentes gostos quanto à conforto na hospedagem, qualidade na alimentação e uma paisagem das mais bonitas do Brasil, que mistura as águas de um mar azul com o verde de grandes montanhas. Dentro de quadra, tenistas de vários países buscam a premiação atraente que distribui um total de US$ 50 mil, além de uma pontuação que garante nada menos que 60 pontos ao campeão.

E quando o assunto é arbitragem, uma equipe formada por 20 juízes de linha e seis juízes de cadeira, comandada pelo chefe de juízes Ricardo Reis, está encarregada de atuar nas mais de 40 partidas disputas ao longo do evento.

Entre os juízes, chama a atenção a participação de duas mulheres na equipe, algo ainda raro em uma profissão dominada por homens. Uma delas, de apenas 21 anos, é a catarinense Lorena Silva. Apesar da estatura pequena e da aparência delicada, não se deixe enganar. Com 1,59 metros de altura, ela não tem nada de frágil. Além da arbitragem, joga futsal, vôlei e dá aula para tenistas em cadeira de rodas.

Como Lorena mesmo diz, entrou na profissão “de metida”, em janeiro deste ano, quando surgiu a oportunidade de fazer um curso para árbitros. Lorena saiu-se bem e, um dia depois, já estava atuando nas quadras do Cyclus Open de Tênis, disputado também em Florianópolis. “O primeiro torneio me assustou um pouco, eu olhava e só tinha homem, não esperava que fosse assim”, lembra, hoje satisfeita. Logo no início, a árbitra participou de jogos com importantes tenistas, entre eles Gustavo Kuerten, e participou da final de duplas e simples, com arquibancada lotada e transmissão ao vivo pela TV.

Atualmente Lorena está na sexta fase do curso de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e vai esperar até sua formatura - no ano que vem - para decidir se continua na profissão. “Apesar da emoção de estar em quadra, no meio do esporte, preciso pensar bastante. É uma profissão que exige muita dedicação e tempo. Penso em ter uma família e as viagens para os campeonatos podem atrapalhar”, diz Lorena que, independente do futuro, ainda quer participar de uma Copa Davis e de um campeonato feminino. Se depender do apoio da família e dos colegas de profissão que cuidam dela o tempo todo, a decisão já está tomada e o apoio é total.

A outra árbitra que atua no Aberto de Santa Catarina, Taise Soares da Costa, de 30 anos, também estudou e deu aulas na UFSC. Mas as coincidências entre elas param por aí. Taise é nordestina e jogou tênis durante 10 anos. A carreira na arbitragem começou em 1997, quando uma revista especializada em tênis fez torneio internacional de tênis pelo Nordeste e abriu vagas para juízes. Por gostar do esporte, Taise fez o curso e trabalhou no Natal Open e no Recife Open, onde foi convidada para a final. Em 2000, formou-se em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Cinco anos depois foi para a UFSC fazer um mestrado na área e aproveitou para fazer outro curso de arbitragem, desta vez um internacional de nível I, reconhecido pela Federação Internacional de Tênis (ITF). Como ficou em primeiro lugar da turma, Taise ganhou uma vaga para atuar na Copa Davis em Joinville, o campeonato mais emocionante de sua trajetória.

Em 2006 Taise ainda atuou no Cyclus Open de Tênis, mas, em seguida, recebeu uma proposta da Petrobras para trabalhar como personal trainer em uma plataforma de petróleo, onde a presença masculina é predominante. “Como eu costumava ser a única mulher entre os árbitros, era comum nas viagens para os torneios dividir quarto com os colegas. Já me acostumei. Não tem preconceito, eles até me incentivam e me paparicam muito”, comenta. Este ano Taise esteve em Florianópolis de férias e aproveitou para fazer o que mais gosta: trabalhar como juíza de linha. “Prefiro trabalhar no tênis. Como no Nordeste não há muitos campeonatos, quero voltar pra cá ainda neste ano, só preciso passar no doutorado. Enquanto isso, estou me preparando com aula de inglês e ainda fui convocada para o Pan. Estou muito contente, nunca trabalhei em um campeonato feminino antes. Eu adoro viajar e viveria fazendo isso até enjoar. Quando enjoar, vou parar”, conclui ela, com um discreto sotaque nordestino.

Fonte: Assessoria de Imprensa De Zotti
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