X

Tênis e Saúde - Tenistas devem evitar a Auto-Hemoterapia

Domingo, 22 de abril 2007 às 18:00:00 AMT

Link Curto:

Gilbert Bang II

Por Dr. Gilbert Bang, membro da Society for Tennis Medicine and Science, ligada a ITF, ATP e WTA

O “tratamento” da moda é condenado pelo Conselho Federal de Medicina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nota técnica alertando que a prática poderá causar reações adversas, imediatas ou tardias, de gravidade imprevisível. Estudos de injeção de sangue no tratamento do tennis elbow já foram realizados sem consenso quanto a resultados.

Os tenistas amadores que o digam, mas a dor provocada pela epicondilite lateral do cotovelo é muito desagradável, dificultando ou impedindo a prática do tênis por longo período. A maioria continua jogando apesar da dor, recorrendo a tratamento após a falha dos cuidados desprendidos por conta própria.

Neste momento, o tratamento torna-se prolongado, pois os tecidos moles (músculos e tendões) já estão com grau maior de sofrimento devido à constante sobrecarga mecânica (força, vibração e compensação muscular).

Com o objetivo de reduzir o tempo de recuperação, vários tratamentos foram estudados. Dentre eles está a injeção de sangue, tratamento que virou febre no país pela difusão através da internet.



Já em 2003, uma equipe americana estudou os efeitos desse tratamento obtendo bons resultados em 28 pacientes com a lesão que não tinham melhorado com outros tratamentos disponíveis (exceto cirurgia). O acompanhamento foi realizado durante 2 anos.

Em novembro de 2006, uma equipe inglesa divulgou seus resultados no tratamento de 20 pacientes obtendo melhora no sintoma da dor. Ainda nesta época, outra equipe americana divulgou os resultados do tratamento de 140 pacientes com epicondilite, porém só com injeção de plasma (parte líquida do sangue). Os resultados foram satisfatórios com melhora de 60% em 2 meses, 80% em 6 meses e 90% em 2 anos.

Porém, outros estudos realizados comparando a injeção de sangue com a injeção de soro fisiológico ou água destilada, mostraram que os dois métodos apresentavam os mesmos resultados.

Principais discussões sobre o tema:

1. a melhora poderia ter sido apenas pelo agulhamento, assemelhando-se ao tratamento de acupuntura;
2. o sangue injetado (que é retirado do outro braço) teria substâncias que estimulariam a cicatrização da lesão?;
3. a melhora seria devido ao tratamento complementar realizado após a injeção e não necessariamente à mesma;
4. a injeção provocaria uma nova lesão, transformando a lesão antiga em uma nova, facilitando o tratamento pela abordagem mais “precoce” neste caso.

Sem dúvida há muita pesquisa a ser realizada pela frente.

Por enquanto sugerimos que ao apresentar qualquer dor ou lesão procure assistência médica adequada para não piorar a lesão inicial dificultando e prolongando o tratamento. Mesmo a auto-medicação é arriscada conforme nosso último artigo.

banner
banner