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Mantilla retorna após dois anos afastado por câncer de pele

Quinta, 05 de abril 2007 às 17:08:50 AMT

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Tênis Profissional
Félix Mantilla teve que se afastar das quadras em 2005 devido ao que se diagnosticou como um câncer de pele. Dois anos mais tarde e com a ansiedade de um estreante, Mantilla voltou a empunhar a raquete. Havia retornado no Chalenger de Monza, onde venceu quatro partidas e precisou se retirar devido a problemas no ombro. Com certeza, o tenista catalão não deve estar se contendo de felicidade em poder voltar a jogar. No final doa anos 90 ele chegou a top 10, hoje ele não planeja jogar mais do que em um nível pelo menos aceitável. Bem humorado, simpático e paciente, Félix Mantilla concedeu uma entrevista por telefone ao Marca.com.

P: Qual foi a sensação de voltara pisar numa quadra de tênis?

R: Estou muito contente, me sinto muito feliz por isso. Me lembro que falava com minha noiva que a aposentadoria me incomodava muito... e agora pude jogar quatro partidas. Eu fiquei cansado pois senti a falta de jogos. Tive que abandonar por problemas no ombro, espero que não seja nada grave, mas o balanço não pode ser mais positivo.

P: Porque escolheu Monza parretornar às quadrasr?

R: Por vários motivos. Em princípio iria voltar uma semana antes, mas problemas me impediram. Monza foi a primeira oportunidade que apareceu e não pensei duas vezes, o importante era voltar a jogar. Não o fiz na Espanha, pois não havia nenhum Chalenger por agora e não queria participar de um torneio muito pequeno. Queria reaparecer bem e acho que fiz ganhando quatro partidas. (Ganhou para o russo Andrey Golubev, do brasileiro Júlio Silva, do italiano Giancarlo Petrazzuolo e no último jogo venceu Andrea Arnaboldi. Teve que se retirar diante do austríaco Werner Eschauer)

P: Você teve que adaptar novas roupas para poder jogar?

R: Fiz adaptações e continuarei adaptando. Agora estou jogando com um boné que tem uma capa sobre a nuca, no mais puro estilo legionário, o que atrapalha um pouco, mas eu me adapto. Também uso cremes protetores como sempre e terei que jogar com roupas mais largas. A calça não será nenhum inconveniente, mas terei que provar a camiseta, pois me dá a impressão que que pode me atrapalhar em alguns movimentos.

P: Voltando um pouco no tempo… Te pegou de surpresa o diagnóstico de câncer?

R: Sim, foi um susto. Eu fui a um check-up rotineiro porque estava prestes a participar de torneios na América do sul quando me deram a péssima notícia. Não esperava por isso, mas temos que enfrentar.

P: Em quem você se apoiou para vencer a doença? Você recebeu apoio do do mundo do tênis?

R: Recebi apoio da minha família, dos amigos e da minha noiva. Tive sorte porque fisicamente em dois meses todo o problema estava solucionado, mas o maior problema do câncer é a parte mental. Demorei a acreditar que tinha câncer e nesse momento fica tudo muito triste. Quem iria dizer que eu participaria de um chalenger! No mundo do tênis, todo mundo corre atrás de sua bola e é tudo muito competitivo, mas não tenho nenhuma queixa, entendo a situação.

P: Você pensou alguma vez em abandonar o tênis Professional?

R: Sim, com certeza. Voltar foi uma vitória. Voltara a jogar é amelhor terapia que posso ter e é o que tenho feito. Agora tenho que voltar pouco a pouco e chegando a uma melhor forma física.

P: Quais são sues objetivos nesta volta ao tênis?

R: Eu gostaria de jogar num nível aceitável. Sem estabelecer metas, mas jogando cada dia melhor. Espero não ter tantas lesões como a que me fez abandonar Monza. De todas as formas, se uma lesão como essa tivesse me acontecido antes, quando era mais jovem, eu teria encarado de outra forma, diferente de como fiz agora. Amadureci e sei que estas situações são inevitáveis. Agora só penso em recuperar-me e voltar a jogar. Está é minha primeira meta.

P: O tênis mudou nesse período em que você esteve afastado?

R: Evoluiu muito. Os jogadores são mais fortes e potentes e se aposta mais num jogo de bolas rápidas, sem muitos golpes. Hoje se prima a força e qualidade, poderíamos dizer que a união dessas característica seria perfeito. Eu terminei exausto em mais de uma partida, mas imagino que melhorando a condição física poderei agüentar mais.

P: Como vê os jogadores espanhóis?

R: Acho que o tênis espanhol passa por uma boa fase. Há jogadores como Nadal, Robredo e Ferrer que estão estão entre os top 20. Logo haverá mais jogadores, como Verdasco, que é um garoto com muito potencial e que vai crescer com o amadurecimento.

P: E a p´roxima eliminatória da Copa Davis contra os Estados Unidos?

R: Estou um por desatualizado. Roddick vai jogar? È quadra dura? Vai ser um compromisso difícil, mas temos que aproveitar que Roddick não está na melhor forma. Se ele não está a 100%, tanto Robredo quanto Ferrer terão chances. E Blake também não está fazendo uma boa temporada e isso aumenta as nossas chances. As duplas? Bufff...

P: Sem querer te aposentar. Mantilla até quando?

R: Até o corpo aguentar…

Pois esperamos que tenha muito tempo pela frente. Saúde, muito obrigado e muita sorte.
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