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Criando Talentos - Elogios e Críticas ao nosso tênis juvenil

Sábado, 27 de janeiro 2007 às 14:18:47 AMT

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Rodrigo Leander

Por Rodrigo Laender, treinador do CT de Amil, Rio de Janeiro

O circuito Cosat e ITF começou logo no início deste ano e já podemos observar ótimos resultados dos juvenis brasileiros. Alguns destaques até agora são Henrique Cunha, garoto canhoto com ótimo jogo para quadras rápidas, no seu primeiro ano nos 18 já com um título na Venezuela e uma semi no México. Fernando Romboli, que ao somar a conquista na Costa Rica com o vice na Venezuela alcançou a posição de #4 no ranking mundial.

Nos 16 anos, José Pereira conquistou as duas primeiras etapas e já caminha para um eventual terceiro título esta semana no Equador, mostrando domínio total no circuito até agora. Por sinal, nessa categoria notou-se belo desempenho brasileiro com três semifinalistas na etapa da Venezuela. Nos 14 anos, Tiago Fernandes já obteve um título e deve-se lembrar também o nome de Vítor Galvão. No feminino, vêm mostrando qualidade Rafaela Miller com um vice-campeonato, além de Karen Ching, e nos 16 Thaís Xavier.

Independentemente de quaisquer questionamentos sobre o nível do circuito, é de se elogiar a evolução no trabalho feito com esses e demais atletas. Iniciativas como as da CBT e Ministério dos Esportes, que está custeando os gastos de um grupo desses jogadores nos 14 e 16 anos, acompanhados por treinadores e preparadores físicos são fundamentais para o crescimento do tênis brasileiro.

Problemas em nossos torneios

Problemas de organização e estrutura em torneios infanto-juvenis estão longe de serem novidade. No início desse mês tive a oportunidade de acompanhar de perto duas etapas da rota sudeste no Rio de Janeiro. Se tirarmos por base a qualidade da organização desses torneios, a conclusão é que a estrutura está devendo.

Inúmeros problemas, como número insuficiente de quadras, atrasos imensos nos horários de jogos (jogos constantemente terminando após a meia noite), árbitros sobrecarregados com inúmeras funções, até mesmo fazendo manutenção de quadras (e sem receber todos pagamentos devidos, alguns deles pagando comida do próprio bolso), alteração constante no número de quadras disponíveis, tudo isso sem aviso prévio (o que prejudicava e muito a programação de jogos), hotéis caríssimos, transporte praticamente inexistente, entre outros problemas.

Esse cenário não é exclusividade dos torneios no Rio, acontecem na grande maioria dos torneios juvenis no país. Pra resumir, o seguinte: pais e patrocinadores, que investem dinheiro, treinadores que dedicam seu tempo, jogadores que se esforçam ao máximo para estarem preparados e são a razão de ser do evento, árbitros que contribuem diretamente para o andamento das competições, devem ser respeitados. E o que acontece em torneios como esse está longe de ser o mínimo nesse aspecto. Não seria melhor termos menos e melhores campeonatos do que nos submetermos a essas condições?

Final Federer x Gonzalez

Escrevo antes da grande final masculina de amanhã em Melbourne onde Federer enfrentará a “surpresa” Gonzalez. Digo surpresa pois até hoje Fernando não havia demonstrado capacidade suficiente para resultados desse porte. Faltavam-lhe maturidade, regularidade mental e técnica, eficiência tática e até mesmo resistência física. Nesse Aberto da Austrália ele tem demonstrado tudo isso aliado à sua incrível potência e força. Passou por uma chave duríssima e tem pela frente agora o maior dos desafios. Roger Federer ainda não perdeu sets e será que alguém tem coragem de apostar contra ele? Apesar de os últimos confrontos entre os dois terem sido bem disputados, hoje fica difícil não apostar no favoritismo do suíço, que está ainda mais soberbo nessas últimas duas semanas. Outro destaque interessante é a evolução de Andy Murray, que impressionou a todos e parece ter condições de subir muito mais, desde que sua cabeça e físico acompanhem seu talento (ainda bem para ele que se encontra muito bem amparado nesse aspecto por Brad Gilbert). Além dele, outro jovem que mostra seu valor nesse começo de ano é o sérvio Novak Djokovic, que também continuará subindo no ranking.

No lado feminino da chave vale ressaltar a ressurreição de Serena Williams, que conquistou o título com muita autoridade e a bela surpresa das tchecas Vaidisova e Safarova.
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