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Cadê o tênis brasileiro?

Domingo, 14 de janeiro 2007 às 13:15:00 AMT

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Flavio Saretta - Roland Garros

Por Daniel Lacerda

A derrota de Júlio Silva no quali do Australian Open acabou com todas as chances de um representante brasileiro na chave principal do primeiro Grand Slam da temporada. É lamentável que não tenhamos nenhum tenista nacional para torcer em um Grand Slam, o que não ocorria desde o torneio de Wimbledon de 1996. Mas é um sinal de que as coisas não vão bem. E a culpa, é bom que se diga, não é dos tenistas.

Júlio Silva perde na última do quali e Brasil não tem ninguém no Aberto da Austrália

De Wimbledon 1996 para cá foram 41 torneios de Grand Slam. Sempre com pelo menos um brasileiro na chave. Aliás, aquela edição de Wimbledon nem serve como comparação, já que Fernando Meligeni à época era o 71º do mundo e poderia disputar se quisesse. Mas ele preferiu não se arriscar na grama inglesa. Guga, então um jovem de 19 anos em ascensão, era o 121º. Pouco tempo depois ele entrou entre os 100 e inaugurou uma época de ilusão para o tênis no país.

É inegável que tem faltado muita coisa para o tênis brasileiro. Falta estrutura, falta investimento, falta respeito aos atletas. Mas o que faltava mesmo era um exemplo de que as coisas não caminham. E agora, com a queda do ilusionista Guga e a ausência do Brasil na chave principal de um Grand Slam, isso não falta mais.

Porque a era Gustavo Kuerten mascarou por anos a precariedade do tênis nacional. Com as conquistas de Guga e as atenções voltadas para um tenista de elevado nível, parecia que tudo ia bem. Mas nós não estávamos diante de uma regra e sim de uma exceção.

Com a "exceção" fora de combate por algum tempo, as regras não deram conta do recado. Não por culpa delas, claro. São tenistas lutadores em sua maioria e não podemos esquecer que existem muitos argentinos, americanos e espanhóis entre os 100 e 200 do mundo. Esses tenistas brasileiros fazem a sua parte, tentam representar o país da melhor maneira possível.

Mas com a falta de condições de treino, como chegar mais longe? Sem recursos como chegar lá entre os 50, entre os 20 ou quem sabe entre os 5 melhores do mundo? Ou melhor, como chegar e se manter nesse nível? A resposta é simples, basta ser a exceção. Que como o nome já diz, não serve de referência.
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