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A decadência do tênis brasileiro nos últimos anos

Segunda, 08 de janeiro 2007 às 01:47:46 AMT

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Guga - BH V

Por Fabrizio Gallas

Lamentável que o tênis brasileiro não tenha aproveitado a época boa de Gustavo Kuerten. O "manezinho da ilha" nos brindou por seis, sete temporada do melhor tênis e recordes do país nunca antes imaginados. Depois que o sonho se apagou, mesmo que a haja uma luz ao fim do túnel para a volta, os números dos últimos cinco anos mostram que o tênis nacional somente cai. Nosso último título de ATP foi em 2004 com Ricardo Mello, nosso último Top 50 no ano seguinte.

Guga foi número 1 do mundo até o ano de 2001. A partir de 2002 as vitórias começaram a diminuir gradativamente e a partir de 2005 a queda foi total. Mas vamos fazer uma simples análise do que perdemos nessa época.

Em 2002, o país começou a temporada com três tenistas entre os 100 melhores do mundo e muita esperança. O ranking do dia 7 de janeiro mostrava Gustavo Kuerten ainda lá em cima, na vice-liderança. Fernando Meligeni vivia seu penúltimo ano na carreira na 68a. colocação, enquanto que o mineiro andré Sá teria sua melhor temporada, começando o ano na 68a. posição. Um pouco abaixo dos 100 mundo estava Alexandre Simoni em 108o. e os garotos Flávio Saretta e ricardo Mello em 108o. a 138o. respectivamente.

Um ano depois, mais precisamente no dia 13 de janeiro, Guga começou a cair mas ao menos tínhamos outro talento despontando e quatro entre os 100. Kuerten era o 29o., Sá, o 65o., Meligeni o 75o. e Saretta o 83o.

O dia 12 de janeiro de 2004 tínhamos apenas dois na elite. Guga era o 19o., com um pequeno brilho enquanto que Saretta vinha de boa campanha em Roland Garros (oitavas de final) e era a esperança na 46a. colocação.

A temporada seguinte marcou a queda de Guga. O catarinense baixou para o 40o. lugar no dia 10 de janeiro. A esperança passava a se chamar Ricardo Mello, 61o. A subida se valeu pela conquista do ATP de Delray Beach em setembro do ano anterior, aliás, o último troféu desta categoria para o título nacional, há mais de 2 anos. Saretta e Sá viveram momentos ruins e baixaram para 111 e 183 respectivamente.

O de 9 janeiro de 2006 foi de boas expectativas. Saretta vinha do título de São Paulo e lutava pelo número 1 do país com o gaúcho Marcos Daniel. Nesta data elçe ocupava a 88a. posição enquanto que Daniel era o 97o. Mesmo assim a regressão era evidente. Gustavo Kuerten já não era mais o mesmo e lutava contra as dores no quadril no 291o. lugar.

A temporada que se inicia chega com o primeiro ranking atualizado. E a situação é triste. Thiago Alves passou a liderar o Brasil, mas apenas com o 127o. lugar. Ricardo Mello "não fede nem cheira" na 136a. posição. Podemos acrescentar que o campineiro pode voltar ao número 1 do país sem ganhar jogos. Ele está há 17 pontos de Alves. Flávio Saretta foi ainda pior. Não defendeu a coroa na capital paulista e está com o pior ranking desde julho 2001, 152o., e Guga em ... 1079o.

Em momentos chegamos a ter 4 na elite do tênis mundial. hoje não temos ninguém entre os 125 melhores e com poucas esperanças de um talento novo brotar com essa capacidade.

O resultado dissso tudo não está no que nossos talentos fazem hoje, mas sim na base que não foi construída, no apoio que foi dado quando surgiu o "boom" de Guga. A pressão que recaiu sobre eles com a baixa de nosso maior ídolo é normal. Todos esses citados acima tem potencial para crescer e voltar a dar orgulho a nação. Torcemos para que isso aconteça.
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