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Marcos Daniel descarta novo boicote à Davis e volta às quadras em janeiro

Segunda, 11 de dezembro 2006 às 19:30:00 AMT

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Marcos Daniel - US Open

Entrevista Exclusiva por Fabrizio Gallas

Marcos Daniel concedeu entrevista exclusiva ao Tênis News nesta segunda-feira. O tenista atual 165º do ranking falou sobre a saída de Fernando Meligeni do cargo de capitão da Copa Davis, comentou que o time precisa de um técnico "neutro" e ainda descartou a possibilidade de haver um novo boicote para o próximo ano. Ainda na entrevista ele deu uma boa notícia: está retornando às quadras e deve voltar aos torneios em janeiro.

Daniel soube da decisão de Meligeni somente nesta segunda. Assim como todos os jogadores e comissão técnica ele recebeu o email de Fininho: "Fiquei sabendo hoje da decisão dele, ele pode fazer o que quiser da vida dele, ele tem o prestígio que ele tem, ajudou bastante o Brasil. Não tenho muita coisa a falar, tive pouco contato."

Em comunicado divulgado à imprensa também nesta segunda, Meligeni afirmou que a falta de planejamento da Confederação Brasileira de Tênis bem como os problemas com a escolha de Minas Gerais para a última sede da Copa Davis em setembro, foram os principais motivos de sua saída.

O gaúcho que foi convocado para o time diante da Suécia, mas não jogou ficou frustrado por não participar dos jogos, disse não ter recebido nada e ainda ter perdido torneios importantes do calendário: "Não recebi nenhum centavo do que deveria receber, fui lá como jogador que deveria integrar o time, foi me passado que deveria jogar, todo mundo que tivesse no time deveria receber, abri mão de três ATP Tour pra jogar a Davis, mas não recebi nada. O Thiago (Alves) também não recebeu, mas ele já sabia que iria só pra treinar. Se eu fosse só pra treinar eu não iria," declarou Daniel que assim como os jogadores também era contra a escolha de Belo Horizonte como sede da última Davis: "Minas Gerais não era o melhor lugar pois os suecos pegam bem na bola, voleavam bem. Não sei como foi tomada a decisão isso é parte política, mas os jogadores ficaram surpresos com a escolha."

Marcos Daniel nunca se sentiu bem quisto no grupo. Ele descarta a hipótese de haver uma "panela" que possa ter influenciado nas escalações durante o período de Fininho, mas lembra que não tinha vínculo de amizade com o capitão: "Fica difícil dizer se existia uma panela no grupo. Não posso dizer esse termo "panela". Ele se dava mais com o Ricardo Mello, se dava com o Saretta. Uma coisa é estar com amigos outra é estar com atleta, não sei se isso influenciou na escalação, mas eu era atleta dele. Eu estava totalmente desvinculado, a relação deles com o Meligeni era melhor do que comigo. Fiquei chateado, o pessoal era muito mais ligado a ele do que eu".

A decisão sobre um novo capitão será feita pela CBT somente no ano que vem. O tenista de 28 anos pensou bastante sobre a possibilidade de um novo nome para o time. Como nenhum veio a sua cabeça ele citou as características que o futuro capitão deve ter e principalmente uma foi ressaltada, a neutralidade: "Não me vem nome na cabeça, mas a escolha tem que ser feita com cuidado. O novo capitão tem que estar junto, mandar acompanhar nossos jogadores, os jogadores de outros times, tem que ser um cara neutro para que não aconteça nenhum equivoco. Antigamente os capitães de Copa Davis tinham muita parceria." disse o tenista de 28 anos.

A partir de 2003 os principais jogadores do país liderados por Gustavo Kuerten realizaram um boicote à CBT e não participaram da principal competição por equipes do mundo por não aceitar os descasos do então comando de Nelson Nastás. O número 1 do Brasil até o meio desta temporada não acredita em uma nova decisão similar para o ano que vem e ressalta o bom relacionamento dos jogadores com o atual presidente da Federação, Jorge Rosa: "Ainda não conversei com nenhum jogador sobre a saída do Meligeni. É complicado saber se terá ou não novo boicote, a relação dos jogadores com o Jorge Rosa era boa. Até onde eu sei os jogadores gostavam dele", disse Marcos que aproveitou para lembrar de seu caso quando não aderiu aos outros tenistas e disputou um confronto diante do Paraguai na época: "A vez que joguei a outra Davis contra o Paraguai e não aderi o boicote foi porque estava sem dinheiro. Eu tinha só US$ 1,6 mil dólares para viajar e não tinha outra escolha. Só eu sei das dificuldades que estava passando. Cada caso é um caso, ainda há muita especulação".

A não escalação para o time da Davis em que o Brasil perdeu de 3 a 2 foi a gota d´água para Marquito. Ele jogou mais dois eventos na Ásia e de lá para cá não pegou mais na raquete, ao todo dois meses longe da bolinha. Em entrevista divulgada recentemente ele havia declararado na possibilidade de parar de jogar, mas repensou sua decisão e deu uma boa notícia.

Daniel vai ligar para Larri Passos e pedir seu retorno aos treinamentos em Camboriú já na próxima semana: "Quero voltar a treinar com o Larri. Vou ligar pra ele nessa semana. Me inscrevi em todos os torneios do início do ano. Se o Larri me aceitar pra começar a treinar na semana que vem estarei pronto para a segunda semana do ano em Florianópolis (torneio ainda não confirmado no calendário da ATP)", disse um animado tenista que se inscreveu no Aberto de São Paulo mas não vai jogar por não se sentir bem preparado.

Daniel admitiu ter "sumido" do mundo no tênis no tempo em que ficou parado. Nesse meio tempo ele até agitou a abertura de uma loja de produtos alimentícios junto a seu cunhado e sua esposa, Gisele Daniel, também vai trabalhar no empreendimento.

"Depois da Davis fiquei chateado, vi que estava sem paciência, não estava feliz e preferi dar uma parada. Fiquei um tempo sumido, quis ter uma vida normal, sem usar computador, sem treinar sem nada, emagreci, perdi massa muscular. Vai ser terrível voltar, talvez demore para pegar ritmo, mas com calma acredito que em um mês esteja de volta", declarou Marcos que receberá nesta segunda uma homenagem como cidadão honorário de sua cidade, Passo Fundo.

O gaúcho aproveitou para criticar a imprensa. Segundo ele o Brasil vive um momento normal em seu histórico, mesmo não tendo nenhum Top 100: "Ficou um buraco grande no tênis brasileiro na época do Cássio Mota e agora com o Guga. O Brasil sempre teve poucos jogadores entre os 100, às vezes um 60, 40 do mundo, mas nunca um nº 1 como o Guga. Tenis brasileiro não é igual a Espanha, e pelo fato do Guga ter chegado a número 1 a imprensa cobra mais e compara qualquer um com o Guga, mas nunca vai existir outro. Quando surge um 80 do mundo ele é uma porcaria".
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