X

Embalado, Feijão traça metas: ‘Quero terminar 2015 entre os 60 melhores’

Terça, 17 de março 2015 às 08:00:00 AMT

Link Curto:

Tênis Profissional

Por Marden Diller - Foi um final de semana único na vida de João Souza, um jogo de quase 4h57min na sexta, um recorde de 6h42 no domingo. Conversamos com o Feijão e ouvimos um pouco das impressões que ele teve do duelo contra a Argentina e sobre o efeito que o duelo teve sobre seu tênis.

 



Era a primeira participação de Feijão em uma Copa Davis desde a vitória sobre a Colômbia em 2012. No primeiro dia, primeiro jogo, uma vitória heroica sobre Carlos Berlocq em quase 5 horas. No domingo a partida histórica, a virada após começar perdendo por 2 sets a 0, o jogo em que se manteve sólido, focado, mentalmente estável desde o início até a marca de 6h42, quando foi superado por Leonardo Mayer, 29º.

 

Enquanto os fãs, tanto no Brasil como no local, se desesperavam com a tensão da partida, Feijão mantinha-se sólido e concentrado em quadra. O brasileiro diz não saber explicar como se manteve tão emocionalmente neutro, mas crê que preparação e conversas com a equipe antes do confronto tenham influenciado. 

“Desde quando eu tive a conversa sobre a convocação com o João, um mês antes do confronto, já estava criando na cabeça a situação que poderia envolver esse confronto. Então comecei a me preparar, sabendo que poderia ser xingado, lidar com gritos todo o tempo,” comentou Feijão. “Na semana da Davis essa sempre foi a pauta das nossas reuniões, nunca entrar na onda deles e não perder o foco. Então a coisa se tornou automática e eu usava a própria festa deles, as músicas que eles cantavam a meu favor,  como se aquela torcida toda fosse pra mim.” 

“Fiquei feliz por saber que eu consigo entrar nesse estado de transe e me manter focado, pois é algo que eu sempre busquei. Nenhum torneio do circuito é como a Copa Davis, mas depois dessa experiência eu me sinto preparado pra qualquer situação que venha, muito mais confiante em mim.”

O início de ano do brasileiro foi muito bom. Além dos feitos na Copa Davis, ele também alcançou a semi no Brasil Open e as quartas no Rio Open. Mas após a injeção de confiança que as quase 12 horas em quadra em um final de semana lhe deram, Feijão traça objetivos ainda mais altos para o final da temporada e mira os Jogos Olímpicos de 2016.

“Eu coloquei como objetivos pra 2015 jogar as chaves principais dos Grand Slams, algo que eu já concretizei. Agora eu viso fechar o ano entre no top 60, o que seria muito importante para as Olimpíadas, pois chegaria em julho com a minha vaga garantida sem precisar depender de convite ou algo parecido,” apontou o brasileiro.

“Apesar dessa busca pelo ranking visando em parte a classificação, as Olimpíadas não mudam nossa rotina, como acontece com outros esportes, claro que pra mim e pro Thomaz vai ser um gostinho a mais ver nosso nome na lista garantidos na chave principal. Então em termos de preparação nos torneios não vai mudar nada, mas esse gostinho especial com certeza vai nos impulsionar e nos motivar,”.

Todas estas conquistas em uma temporada que acabou de começar e tanto gás para o resto do ano, aliados à simpatia e ao jeitão de garoto transformaram o paulista de 26 anos em uma referência do tênis nacional. Ele, por sua vez, se esquiva deste título e confessa preferir deixar este posicionamento por conta dos fãs.

“Eu continuo o mesmo, vou continuar o mesmo, independente do ranking ou reconhecimento. Óbvio que quero continuar subindo no ranking e ganhando cada vez mais espaço. Acho que vou deixar por conta de vocês dizer se eu sou referência ou não,” respondeu aos risos.

Mas a boa sensação em quadra não se dá só por bons resultados. Feijão fez mudanças em sua alimentação aliadas a um preparo físico muito forte. Já no lado psicológico, o número 1 do Brasil destaca a importância da família e do amadurecimento.

“A idade chega né?” Brincou. “Hoje eu sei que, aos 26 quase 27 anos, não sou mais nenhum garoto, sei bem o que eu posso fazer, como fazer e quando fazer. O apoio da minha família também é muito importante, eles estão sempre presentes nos torneios, sempre que podem vem ao Rio, isso me dá muita energia, tanto em quadra quanto fora dela. Recentemente minha irmã e minha sobrinha vieram morar comigo, isso também mudou muito meu ritmo, bem como meu relacionamento recente que me tornou muito mais caseiro. Acho que a união desses fatores contribui muito para que os resultados continuem vindo.”

Por fim, Feijão falou sobre a ausência de ressentimentos por ter sido deixado de fora do duelo contra a Espanha em São Paulo, e seu bom relacionamento com técnico João Zwetsch, mostrando que a harmonia entre tenista e capitão da Copa Davis.

“Não deu pra ver na quadra? Quase derrubei o João duas vezes. Ele até brincou comigo dizendo ‘oh negão, vai devagar, cara’. Não ficou resquício nenhum de nada, foi um momento muito divertido e eu curti bastante. Meu objetivo é sempre fazer parte da Copa Davis, representar o Brasil é sempre um prazer pra mim.”

 

banner
banner