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O clássico Brasil x Argentina pela primeira vez na elite do tênis masculino

Terça, 03 de março 2015 às 15:58:37 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - Argentina, três vezes vice-campeã da Copa Davis, receberá o Brasil no saibro em Tecnópolis para jogar um clássico que traz rivalidades de diferentes esportes, mas que no tênis pouco existe e se sim, só pela torcida.



É num clima ameno entre jogadores e comissões técnicas, ambas jogando sob muita pressão, que os dois países se enfrentarão pela oitava vez na história do torneio. Com mais tradição no esporte, os argentinos lideram o confronto em 5/2. Tendo vencido há 35 anos no saibro de São Paulo, o último encontro. Do lado argentino os lendários Guillermo Vilas e José Luis Clerc, que fizeram por 4/1 o Brasil dos também lendários Carlos Alberto Kirmayr e Tomas Koch.


Desde então, Brasil e Argentina traçaram caminhos diferentes no tênis. Enquanto na década de 1990 e no inicio dos anos 2000, o Brasil tinha seu ápice no tênis masculino com Gustavo Kuerten, Jaime Oncins, Fernando Meligeni (argentino naturalizado) e posteriormente Flavio Saretta; a Argentina colecionava jogadores tops 100, com uma geração apelidada de "La Legión" ('A Legião' em português), que chegou a ter 12 jogadores entre os 100 melhores do mundo, três deles no top 10 (Guillermo Coria, Gastón Gaudio e David Nalbandian) e outros seis entre os 50 melhores do mundo.


Hoje, a realidade de Brasil e Argentina é bem diferente. Ao mesmo tempo em que o melhor tenista tecnicamente, dos hermanos, Juan Martín Del Potro, se recupera de cirurgia; Pelo Brasil, Thomaz Bellucci, segundo melhor tenista da história, vive má fase com baixa física e uma coleção de resultados ruins.

 

A esperança das duas equipes está em seus respectivos atuais números um. Leonardo Mayer, que está desde julho de 2014 neste posto, tem sido o argentino de maior destaque nas últimas duas temporadas, com bons resultados e firme entre os 30 melhores do mundo. Já João Olavo Souza, o 'Feijão', está vivendo um momento único na carreira, pois, nesta semana alcançou seu melhor ranking, 75, e vem de excelentes campanhas nos torneios brasileiro do circuito ATP.

 

Mesmo com muitas diferenças e igualdades, esta será a primeira vez que os dois países se enfrentarão pela elite do torneio, o Grupo Mundial. Ambos conquistaram sua vaga no Grupo Mundial após os playoffs em 2014. A Argentina teve uma difícil disputa contra Israel, jogado em território neutro (Estados Unidos) e decidido no último ponto - vitória de Carlos Berlocq sobre Bar Botzer. Já o Brasil surpreendeu e bateu a pentacampeã Espanha em São Paulo por 4/1, em um confronto no qual Bellucci saiu como herói.

 

No circuito, as equipes são tidas como co-irmãs. A simbologia clara de que não há animosidades ou rivalidades entre os países, ao menos no tênis, está na recente relação treinador-jogador entre o capitão argentino, Daniel Orsanic , e o número dois do Brasil, Thomaz Bellucci.

 

"Somos todos amigos no circuito. Jamais veria João (Souza) com essa rivalidade-ódio todo. Nós dividimos treinos, vestiário, tudo. Trabalhamos juntos", disse em entrevista ao Tênis News, o estreante Diego Schwartzman, quando da disputa do Brasil Open, ainda sem saber ao certo se teria o sonho de defender seu país concretizado.

 

Rivais, neste final de semana, as duas equipes brigam pela classificação às quartas de final da competição e também para concretizar projetos mais amplos, que traria novo gás ao esporte localmente.

 

Do lado celeste, Daniel Orsanic, começou em julho de 2014 um projeto de reformulação do tênis no país como diretor esportivo da federação local (AAT). Ele assinou com o governo federal de Cristina Kirschner uma parceria para levar o esporte às escolas públicas em todo o país, com estruturas regionais para o desenvolvimento dos potenciais talentos. Em dezembro, assumiu o lugar de Martín Jaite e Mariano Zabaleta, na capitania da Davis, em um projeto que pudesse incluir o 'afastado' Juan Martín Del Potro, dar gás a jovens talentos como Schwartzman e finalmente conquistar o título da competição.

 

No Brasil, João Zwetsch tem a missão de manter o país na elite do esporte, já que na última oportunidade no Grupo Mundial, o Brasil caiu diante dos Estados Unidos em 2013, e ainda trazer o esporte aos holofotes do país.

 

Críticas e objeções: Enquanto o Brasil parece finalmente ter superado a 'crise' a respeito da não convocação de Feijão para a disputa contra Espanha, a Argentina enfrenta críticas por não ter em seu time o ex-top 10 e experiente tenista de Copa Davis, Juan Mónaco, que fez final no ATP de Buenos Aires no último domingo.

 

Diferencial: Em uma eliminatória considerada "muito igual" pelos dois lados, o confronto de duplas é o diferencial do Brasil. A parceria de Marcelo Melo e Bruno Soares é forte, considerada das melhores do mundo, a única capaz de bater os irmãos Bob e Mike Bryan em uma Copa Davis. Ainda em favor da dupla brasileira está o histórico argentino de longas batalhas em duplas, sempre com tenistas acostumados a jogar simples e duplas, mas pouco entrosados.


Do lado celeste a torcida convocada por seu jogadores deve ser o grande diferencial. Mayer, que já sofreu pressão pior que de uma Copa Davis jogando contra Bellucci em São Paulo, nas quartas de final do Brasil Open 2012, voltou a sofrer este ano, pelo mesmo torneio, mesma fase, mas contra João Souza. O número um argentino tem convocado os compatriotas também pelas redes sociais.

 

Sob pressão e muita expectativa. Confira a escalação de Brasil e Argentina:


Brasil: João Souza, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares
Argentina: Leonardo Mayer, Diego Schwartzman, Carlos Berlocq e Federico Delbonis.

 

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