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Hutchins é só elogios a Brasil Open e conta os planos da ATP para o esporte

Quinta, 12 de fevereiro 2015 às 15:34:09 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - O britânico Ross Hutchins entrou para o hall dos grande do tênis ao despontar como um bom duplista, foi 26º do ranking,  conquistou cinco títulos ATP, venceu um câncer e hoje é o principal elo entre a ATP e os jogadores.



A reportagem do Tênis News conversou com Hutchins em seu primeiro dia de Brasil Open e ouviu dele as melhores impressões sobre o torneio brasileiro. O britânico ainda contou quais são expectativas e planos da ATP para os torneios sul-americanos, e comentou as melhorias que a ATP tem para o circuito de duplas e challengers. Confira o papo

 

Tênis News - O que você está fazendo em São Paulo? Ontem você estava em Roterdã, não?

 

Hutchins: Sim, eu estava em Roterdã. Agora eu sou um cara da ATP, e faz parte do meu trabalho estar em torneios, visita-los, verificar como estão as coisas paras os jogadores. Estive na gira sul-americana em Viña Del Mar há muito tempo, então precisava conferir de perto os torneios que são tão falados e fantásticos como São Paulo. Estarei em Acapulco também... para ver gente como essa (cita André Sá, que passa pelo ex-companheiro de circuito de duplas e cumprimenta). É ótimo estar de volta aqui (América do Sul), ver em quão boas mãos está a organização, os diferentes jogadores, a atmosfera fantástica. Eu quis visitar o torneio, os jogadores e encontrar

 

 

TN: Há dois anos tivemos aqui um torneio terrível para os jogadores. Muitos reclamaram publicamente aqui, outros posteriormente. Houve quem dissesse que jamais voltaria, outros confessaram decepção. Você veio ver de perto se as melhorias de 2014 foram definitivas?

Hutchins: Eu não tenho conhecimento destas coisas negativas sobre o torneio nesta data, porque ainda estava jogando. Não tinha ouvido sobre esses pontos negativos, mas que vejo é que é um ótimo torneio. Um torneio com excelentes instalações, que atende os jogadores de uma boa maneira, todas as pessoas que dão suporte aos jogadores são excelentes. Luis Felipe é uma pessoa fantástica, apaixonada e com grande conhecimento do esporte.

Realmente desconhecia esses pontos negativos, mas estou muito positivo em relação ao torneio. É claro que há coisas que precisam ser melhoradas, mas todos os torneio mundo afora precisam de melhoras. Sou um grande apoiador deste torneio.

 

Como em outros torneios, estou no circuito para estar próximo aos jogadores e torneios, para verificar com eles necessidades, melhorias que podem ser feitas no intuito de ampliar o nível de tênis para que as pessoas fora do nosso mundo possam ver o que de melhor podemos oferecer.

 

TN: Há uma preocupação no Brasil e o fato da inclusão do Rio Open no calendário ‘matar’ o torneio aqui em São Paulo...

Hutchins: Rio é um torneio maior sim, acredito que isto é ótimo para o Brasil. Nós temos estes dois torneios, o Challenger Tour Finals aqui em São Paulo, já são três torneios, também temos muitos torneios challengers pelo Brasil. Nós tínhamos a Costa do Sauípe antes de São Paulo, há muitos adeptos do esporte no país, no continente. Eu acho que é ótimo termos esses torneios no Brasil.

 

Acho que essa dobradinha Rio-São Paulo é excelente, como acontece em muitos lugares no mundo, tipo: Indian Wells-Miami, Montreal-Cincinnati, Marselha-Montpellier.  Acho que é ótimo para o tênis essa dobradinha, e isto é uma ferramenta para que o torneio possa criar mecanismos para atrair os jogadores, o público, patrocinadores e um dos lugares mais positivos no mundo do tênis é o Brasil. Entendo as pessoas temerem essa proximidade, mas isso oferece competição, o que é ótimo. Isto pode fazer do tênis um grande esporte no Brasil e eu sou fã deste projeto.

 

TN: A ATP vê o Brasil e a América Latina como uma oportunidade econômica de fazer o esporte crescer?

Hutchins: Eu acredito que aumentar o interesse dos fãs e dos torneios é um ponto importante. Os jogadores amam vir pra cá, já é uma tradição, essa gira tem 15 anos. Temos tradição em Buenos Aires, tenho certeza que futuramente termos uma tradição no Rio. Quanto mais torneios mais tênis está por vir, já existe esta tradição.

 

Sim, a ATP vê um grande potencial e valor no Brasil, na América Latina. Mas os fãs, o mundo do tênis (jogadores), a participação de todos os patrocinadores, o interesse no direito de transmissões da TV mostram o quanto o tênis é importante aqui.

 

TN: As duplas são um ponto popular e importante aqui no Brasil, principalmente pelo recente sucesso de Marcelo (Melo) e Bruno (Soares). Muito se fala em mudanças, dar importância para o circuito de duplas. Como a ATP vê isso? 

Hutchins: Talvez não seja uma questão de ‘mudança’ e sim de conversar com as pessoas e entender o que é bom, se mudanças são necessárias. Vemos tudo como um conjunto, como se fosse uma folha em branco onde vemos ‘onde estão as duplas agora?’ e ‘onde queremos ver as duplas?’. E fazemos isto com tudo, com o circuito em si. Isto (duplas) é algo que damos muita importância.

 

Aqui no Brasil temos alguns jogadores fenomenais. Caras que me venceram algumas vezes (risos), que tiveram grande sucesso. Como você sabe, sou um grande apoiador nas duplas. Dedico muito tempo em maximizar as duplas, dar espaço para as duplas no site da ATP, organizamos eventos, damos apoios necessários e buscamos meios de ver como melhorar as duplas para o mundo acompanha-las. Isto é muito importante para a ATP.

 

Penso que as duplas são um grande ponto. Se você for olhar o ATP Finals Tour ano passado, as duplas foram nosso melhor evento.  Em questão de valorização, o Finals de duplas foi incrível. Precisamos repetir isso, mais e mais. O produto está aí, a questão é: ‘como distribuir as duplas para o mundo?’. Acredite em mim, temos falado muito sobre isso.

 

TN: Reparei que você gosta muito de fazer anotações. Passou o tempo todo anotando coisas. Você disse que viu muitas coisas positivas sobre o torneio...

 

Hutchins: Claro, muitas.

 

TN: Mas o que você identificou de negativo?

 Hutchins: Ser crítico não é bem a minha, agora. Como te disse antes, há coisas que podem ou precisam ser melhoradas. Nós temos um ótimo estádio, com muita gente, um público ótimo, excelentes quadras, mas sempre podemos elevar tudo a outro nível.

 

Nós conversamos sobre diferentes coisas, como temas de duplas. Mas eu estava fazendo anotações porque minha mente está sempre trabalhando e eu preciso anotar as ideias que vou tendo. Não era especificamente observações negativas sobre o torneio, mas eram ideias sobre o circuito, duplas.

 

TN: Você está bem, confortável, com sua nova posição no mundo do tênis?

 Hutchins: Estou curtindo muito. Eu sinto falta de jogar tênis, mas não estou triste por não jogar mais. Estou muito feliz com minha decisão, adoro trabalhar para a ATP. Sou afortunado de poder seguir trabalhando para o tênis, esporte que é muito especial.

 

Gosto do desafio de melhorar este lado do tênis (dos jogadores), não apenas meu jogo em quadra. Estou em uma posição de poder fazer mudanças, o que é necessário e mito maior. Nós falamos sobre o futuro do tênis, onde vamos, como melhorar para o público. Estou adorando.

 

TN: Muitos jogadores reclamam do tratamento dado ao circuito Challenger. Jogadores falam de falta de respeito, inclusive. Vem mudança por aí?

Hutchins: Não concordo quando dizem que não há ‘respeito’ aos Challengers.  Acho que o circuito está crescendo, nós temos o Challenger Tour Finals que é um evento excelente aqui em São Paulo, aumentamos a premiação. Vemos o circuito challenger como propulsor de talentos e não como um lugar para se ficar ‘parado’. A ATP vê como oportunidade de tornar o circuito ATP mais forte. É um lugar onde você pode observar grandes talentos futuros. Nós queremos que cresça por isso aumentamos a premiação, melhoramos as estruturas destes torneios. Antes a premiação era de US$ 10 mil, agora o mínimo é US$ 50 mil e hospedagem a todos jogadores.

 

Isto é um grande crescimento. A ATP vê as coisas circuito de simples, duplas, challengers como um todo. Trabalhamos para melhorar tudo e junto, para impulsionar o esporte. Posso te citar que as estruturas dos challengers estão sendo melhoradas. Minha equipe e eu vamos visitar e acompanhar 25 challengers durante este ano. Teremos mais fisioterapeutas nos torneios, os profissionais de nível ATP trabalharão nos challengers, o que é ótimo e dá mais estrutura.

 

TN: Lembrei de uma coisa: o top 100 está ‘velho’. A ATP se preocupa com essa ausência de grandes novas revelações?

Hutchins: Não vejo assim. Recentemente vimos grandes exemplos de novos talentos. Veja no fim do ano passado Borna Coric que bateu (Rafael) Nadal na Basileia. Veja (Nick) Kyrgios .. quartas de final no Australian Open, e ano passado foi bem. Veja todos estes jogadores, temos jogadores novos e bons não só no top 100. Veja Hyeon Chung, 18 anos e ganhou um Challenger. Estes são grandes jogadores que estão crescendo. Aqui tivemos o (Elias) Ymer, que é sueco. Dizer que não temos talentos aparecendo não é verdade.

 

Temos jogadores fenomenais como Paolo Lorenzi, Diego Schwartzman que são muito estáveis. Mas temos jogadores vindo. Sabemos também que a vida de jogador está ampliada em mais cinco, seis anos mais, o que é ótimo e estamos positivos em relação a próxima geração.

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