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Nadal aponta futuro obscuro para o tênis

Sábado, 24 de janeiro 2015 às 13:09:47 AMT

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Tênis Profissional
Estaria o tênis em decadência? Muitos diriam que não. Agora há mais torneios que nunca, os maiores prêmios, raquetes construídas com cada vez mais tecnologia, mas nada isso impede que os tenistas profissionais sintam que o esporte está em retrocesso.

Sempre comprometido com seu esporte, o espanhol Rafael Nadal, é o porta-voz deste sentimento. “Há uma tendência no tênis de que cada vez batamos mais forte e pensemos menos, o que se configura em um grande problema,” disse o número 3 do mundo à Agência DPA após atingir as oitavas de final no Australian Open.

O espanhol está preocupado pois considera que essa mudança de estilo serve apenas para prejudicar o esporte, o que prognostica um futuro obscuro. “Vejo os jogadores que estão aparecendo e essa estratégia de trabalhar e pensar em como jogar os pontos, analisar cada jogada antes de fazê-la, parece que está apenas se tornando história”, analisou.

“Disparam um serviço a 300km/h, a primeira bola que volta batem com a mesma força e a segunda idem. Parece que as novas gerações só trarão jogadores assim, o que também configura um problema para os espectadores, pois não sei se é o que os torcedores no esporte gostarão de ver em alguns anos. Tá certo que temos que nos adaptar, mas a realidade é que desde que entrei no circuito até agora a tendência é cada vez mais termos jogadores assim.”

Os motivos são vários, segundo Nadal, muitos estão vinculados com a suposta evolução que o tênis tem vivido nos últimos anos. “Cada vez temos jogadores mais altos, com saques mais impactantes. Além disso, o circuito tem cada vez mais torneios em quadra dura e cada vez menos em quadras de saibro, o que favorece esse tipo de tática. E se você perde, não tem problema, na semana seguinte você volta ao mesmo piso.”

Quando à questão das raquetes, Nadal admite. “É uma questão dos materiais dos quais elas são feitas”. A raquete moderna tem um aro maior e maior superfície de cordas, é muito mais leve, muito menos flexível e é feita de materiais sintéticos reforçados, mudanças que permitiram o aumento da potência dos golpes no fundo da quadra.

As novas raquetes, com um maior “ponto doce”, modificaram o estilo dos golpes e permitem destacar jogadores menos técnicos, com um tênis quase suicida, como é o caso do australiano Nick Kyrgios, que superou Nadal em Wimbledon em 2014. “Todos estes jogadores que têm uma semana boa, ganham muitos pontos e depois somem, podem ser mais irregulares e são um perigo para todos os tenistas.

“Como espectador não me agrada”, reconhece o tenista de 28 anos, que vê a Federer, Djokovic e a si mesmo como pertencentes de uma classe de tenistas extremamente versáteis que está em declive. “Quantos anos estivemos no topo praticamente sem cometer erros nos torneios mais importantes? Foram muitos. E não sei se no passado tivemos jogadores que ficaram tanto tempo cometendo tão poucos erros nos maiores torneios.”

A reclamação de Nadal, no entanto, não é nova. Sempre tem havido um debate sobre o jogo. No final dos anos 80 e início dos anos 90 os tenistas reclamavam da velocidade em que ocorriam os pontos e que as trocas de bola no fundo de quadra haviam se tornado muito raras. Hoje, com as mudanças no esporte, a crítica ainda existe, mas desta vez reclama-se que os ralis do fundo se tornaram uma constante e são tão longos, que aumentaram muito a importância dos serviços.
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