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Desmotivado com o tênis no Brasil, Jaime Oncins se muda para os EUA

Domingo, 19 de outubro 2014 às 20:22:12 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas - Um dos grandes nomes do tênis brasileiro, Jaime Oncins, vice-campeão de duplas mistas de Roland Garros e que foi top 40 no ranking mundial, se mudou na última semana para Orlando, nos Estados Unidos onde deu início a um novo trabalho com o tênis local.

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Jaiminho, que formou uma grande dupla com Gustavo Kuerten em vários duelos de Copa Davis, encerrou suas atividades na academia que possuía em Valinhos (SP) já iniciou o trabalho como técnico de tênis da Monte Verde Academy em programa que levará jovens do Brasil e do mundo para jogar tênis, ter formação acadêmica com foco ou no profissional ou nas concorridas universidades americanas.

"Há dois anos que tenho relação com a 2SVSports que é uma empresa que trabalha para trazer garotos para universidades dos EUA, eles fazem isso principalmente com o futebol e já vinhamos conversando que seria legal ter esse programa também pro tênis com um centro para preparar, trabalhar o garoto e não só colocar ele numa universidade, desenvolver toda a parte acadêmica tanto como a de tênis e a do inglês", disse Jaime que dará início às atividades com os jovens a partir de janeiro: "Vejo muito no Brasil os jogadores de 15 e 16 anos tendo aquelas dúvidas do que fazer se vai tentar o profissional, se vai seguir para a universidade. Já tinha a ideia de morar nos Estados Unidos vinha conversando bastante com a família para tomar essa decisão e esse ano coloquei na cabeça que ia embora".

Outro grande motivo que levou Jaime a deixar o tênis no Brasil é a desmotivação com a falta de valorização do tênis no país: "Estava desmotivado com o Brasil com todas as dificuldades do país. Hoje são pouquíssimos ex-jogadores que se dedicam a fazer o que fazia de pegar e viajar com jogadores no circuito, no Brasil não damos muito valor a isso, eu via que remava contra a maré. Se você for ver o número de programas para investimento em técnicos no Brasil, não existe. E eu querendo esse meu sonho de ter um espaço onde pudesse aliar o tênis a isso tudo, no Brasil ficaria impossível. Os americanos acreditam muito nesse tipo de trabalho, valorizam demais ex-profissionais. Foi muito rápido de encontrar um lugar pra trabalhar", acrescenta Jaime.

"Se ficasse no país faria alguma coisa fora do tênis em alguns anos, era o que cheguei a pensar, mas eu amo o esporte, adoro estar numa quadra de tênis, é o que sei fazer , a desmotivação estava chegando a esse ponto e essa oportunidade nos Estados Unidos me deu um gás novo. Se ficasse mais alguns anos no Brasil , perderia minha motivação e deixaria o tênis. Vemos o Marcos Daniel que é um cara que tem história no tênis e está trabalhando numa construtora. As pessoas começam a ver que a coisa no Brasil não está andando".

De acordo com Jaime, falta um programa mais concreto da Confederação Brasileira de Tênis na capacitação assim como valorização dos treinadores por parte dos tenistas e tudo mais: "São as duas coisas, valorizar e formar o treinador. Temos que valorizar muito os treinadores que estão no Brasil, que estão deixando as famílias em casa para viajar com atletas e isso falta. Não adianta investir no juvenil e tudo mais e não investir no treinador também , não falo só por mim e sim companheiros que vejo que viajam o circuito ano todo . Não pode montar um programa e só investir em juvenis, é pensar pequeno. É questão de formação técnica e remuneração . Temos bons treinadores no Brasil e afim de trabalhar, é preciso motivar o cara que precisa sustentar a família".

O tenista que derrotou o ex-número 1 Ivan Lendl em sua carreira continuará como treinador do português Gastão Elias e seguirá com trabalho de técnico de profissionais em seu novo lar na Flórida: "O Gastão (Elias) deu um baita valor a isso é um cara que está comigo há quatro anos (que me valorizou). Continuo com o Gastão e ele virá aqui fazer todo o trabalho comigo, só viajarei menos com ele pois estarei mais aqui na escola, por isso estou montando uma equipe para suprir essa parte", disse Oncins que deixa as portas abertas para tenistas profissionais treinarem e se prepararem no local.
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