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Emilio Sanchez culpa burocracia e imediatismo como entraves no Brasil

Quarta, 17 de setembro 2014 às 15:00:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas e Ariane Ferreira - Contratado a peso de ouro em 2009 como coordenador da Confederação Brasileira de Tênis para organizar e alavancar o tênis nacional, Emilio Sanchez Vicario concedeu entrevista ao Tênis News e relatou os principais problemas do nosso esporte.

O projeto inicial, que duraria vários anos, era o de fomentar o esporte para criar diversos jogadores para disputarem as Olimpíadas, mas acabou "esfriando" e durou não mais do que duas temporadas. A burocracia foi um dos entraves, segundo o espanhol.

"Eu vinha para ajudar na reorganização da Confederação e havia várias coisas que queríamos implementar como fazer um Centro Nacional de Treinamento como casa do tênis brasileiro, mas esbarrou na questão de conseguir terreno para tal com o governo e aí foi esfriando a relação", disse o espanhol que foi top 10 de simples e duplas.

"Tarefas que acabaram não se concretizando como a de se fazer um Centro Nacional e de se colaborar com as equipes de treinamento da federação. Não conseguimos treinar com equipes da federação da Espanha ou Estados Unidos, não é que não tentamos, mas não tínhamos os meios para poder fazer isso. Se tivessemos um Centro de Treinamento ou um local para poder trabalhar mais assim como ter mais jogadores para treinar na Europa aí poderiamos ter dado continuidade e então eles preferiram trabalhar mais com o pessoal local.".

Apesar de não ter conseguido seu objetivo final, Emilio aponta os êxitos de seu tempo trabalhando no tênis brasileiro: "Penso que fiz um trabalho muito bom com a aquisição de mais torneios, com a parceria com centros privados. Conseguimos unificar algumas coisas, a chegada do Patrício Arnold, do capitão João Zwetsch , também se tentou o projeto com Larri Passos e Gustavo Kuerten e o Comitê Olímpico, vários projetos para se unificar e trabalhar na mesma linha, mas havia muitas dificuldades de infra-estrutura. Quando cheguei eles (CBT) estavam um pouco brigados com todo mundo e teríamos que colaborar com todos e não brigar e nisso se avançou quando estive lá".

O técnico que coordena duas academias da Sanchez-Casal, em Barcelona, na Espanha, e Naples, na Flórida, aponta outro problema para a falta de desenvolvimento do tênis brasileiro: o imediatismo.

"O brasileiro tende a ser muito individualista, mas é preciso minimizar bastante isso e penso que avançamos bastante nisso", disse: "O desenvolvimento dos jogadores é o começo para se conseguí-los e não é logo em seguida como se imaginava a Confederação. Se demora uns 10, 15 anos para dar o start de jogadores de alto nível. Se você não faz um trabalho contínuo é difícil fazer uma geração. Essa parte do desenvolvimento foi o que não conseguimos implementar, a CBT não conseguiu continuar com o trabalho que queria fazer. Não é de hoje para amanhã", apontou.

"Bellucci começou a jogar Copa Davis em 2007 e está aí até hoje como o principal do Brasil...É preciso trabalhar com prazos longos para se ver resultados Não há caminho mais rápido no tênis, o caminho é esse, o trabalho contínuo para se obter resultados".

Emilio aponta não ter nenhuma mágoa com cúpula da CBT e destaca que gostaria de voltar a trabalhar com a entidade caso um projeto consistente fosse colocado à mesa principalmente se o projeto do Centro de Treinamento da Olimpíada fique com a entidade: "Minha relação (com a CBT) segue sendo cordial, segue sendo boa, avançamos nas pautas, e tem que perguntar para os membros da Confederação se gostaram ou não".

"Dependendo do tipo de projeto eu toparia trabalhar com o novo Centro de Treinamento Olimpico, mas quando acabar Olimpíada, o projeto precisa ser longo. O país teve a possibilidade de um trabalho de cerca de oito anos para ter mais jogadores competitivos para a Olimpíada, mas infelizmente não foi possível pelos meios e fazer uma estrutura suficiente "

"Se houver a opção de poder ajudar, gostaria, mas é preciso que mude pois há limites pelo sistema do Brasil, os clubes, problemas para conseguir mais recursos, tudo isso é um tema muito lento e a CBT precisa estar de acordo com isso e não é fácil trabalhar assim".

O Tênis News tentou ouvir o presidente da CBT sobre as declarações de Emilio, mas não conseguiu contato até o presente momento.
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