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Quase não, Imbatível na grama!!

Segunda, 04 de julho 2005 às 13:55:29 AMT

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Federer - Wimbledon III


Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

www.raciociniocritico.com.br

Eis a tônica da final de Wimbledon entre o número um do mundo, Roger Federer, e o americano Andy Roddick: um "gigante" talentoso e concentrado de um lado, e um tenista ansioso, muitas vezes desesperado, sem nenhuma estratégia convincente capaz de minar a confiança do seu adversário. Resultado: uma vitória fácil, em sets diretos, com parciais de 6/2, 7/6 (7/2) e 6/4.



Roddick, inegavelmente, entrou em quadra esta tarde em Londres esperando um milagre cair do céu. Porém, quem literalmente desabou em quadra foi o americano, que não sabia o que fazer diante do arsenal de Roger Federer, que distribuiu artilharia pesada de todos os cantos da quadra.

Obviamente Andy Roddick esperava mais de seu costumeiro saque avassalador. Na final de hoje foram apenas sete aces, contra 11 do suíço. Sem contar com a sua arma "letal", Roddick foi obrigado a correr para a rede e a trocar bolas no fundo da quadra com uma freqüência superior a desejada pelo americano e, sobretudo, com uma constância maior que a permitida pelo seu limitado talento.

Com os "approachs" curtos do ex-número um do mundo, Federer fez um treino de luxo durante boa parte da partida, praticando "passadas" de direita e esquerda na paralela e cruzada. Porém, a razão para as idas do americano a rede não foi apenas a baixa eficiência do seu saque, mas sim aquele incômodo slice de esquerda no meio da quadra do atual líder dos dois rankings, que obriga o adversário a avançar e tentar, na maioria das vezes sem sucesso, cobrir a rede. Nas trocas de bola no fundo da quadra, sem dúvida alguma, o suíço não é o adversário ideal para a inconstante backhand e forehand do americano, que sucumbiu no duelo com as aceleradas e super anguladas direita e esquerda de Federer.

Agora com o quinto troféu de Grand Slam na coleção, Federer se aproxima cada vez mais dos números fantásticos de Pete Sampras. Aos 23 anos, o suíço já acumula 30 títulos de simples, podendo tranquilamente alcançar as 64 conquistas de simples do norte americano. Na atual temporada, já acumula seu oitavo torneio, sendo que o segundo semestre acaba de começar. Provavelmente, a incrível marca alcançada no ano passado de 11 competições será superada na corrente temporada. Os adjetivos estão se acabando. Federer ostenta a extraordinária marca de 58 vitórias e apenas 3 derrotas, tendo como algozes o russo Marat Safin, o francês Richard Gasguet e o espanhol Rafael Nadal, de fato os únicos tenistas que em determinados pisos podem vencer o atual líder de ambos os rankings.

Na grama exibe 36 vitórias seguidas, estando apenas a 5 da marca do sueco Bjorn Borg. Federer repete os feitos de Fred Perry, Borg (pentacampeão) e de Pete Sampras (tricampeão e tetra em consecutivamente).

Perspectivas para o futuro? O que se vê hoje no circuito de tenis é o reinado de um tenista. E o que se desenha no restante da temporada é o seguinte: no saibro Federer ostenta bons números, com títulos importantes em Hamburgo, mas se mostra vulnerável aos especialistas. Entretanto, seu calendário até o final de 2005 o isenta de novas derrotas no piso lento. A partir de Wimbledon, o número um do mundo segue até o final do ano com torneios em pisos sintéticos e de cimento, que lhes são extremamente favoráveis.

Não vejo hoje nenhum tenista que possa batê-lo em quadras rápdias. Portanto, defendendo seus títulos na temporada da América do Norte (Canadá e Estados Unidos) e, em seguida, na fase européia, Roger Federer tenderá a alargar ainda mais o abismo numérico que o separa dos seus concorrentes.

Rafael Nadal, seu principal adversário, buscando um caminho alternativo para faturar torneios no saibro, poderá evitar o distanciamento, mas a curto prazo creio ser impossível alcançar o líder dos dois rankings. Assim como em quadra, Federer está sempre dando um passo para a frente...
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