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Capitã não vê limite para Teliana e aposta na subida do Brasil

Terça, 05 de agosto 2014 às 08:00:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas - Capitã do time brasileiro da Fed Cup, Carla Tiene esteve no último final de semana no clube Caiçaras onde foi campeã da etapa carioca do circuito Masters Tour. Em bate-papo com o Tênis News, ela destacou a evolução da equipe e de nossas meninas. Foto: João Pires

Para Tiene, todas nossas quatro jogadoras têm boas chances de disputarem o Australian Open no ano que vem nem que seja no quali. Teliana Pereira estaria dentro e seria seguida para a fase prévia com Gabriela Cé, Laura Pigossi e Paula Gonçalves.

"Fico muito feliz com o momento atual, só o fato de todas as meninas terem boas chances de começar 2015 jogando o Australian Open (o quali), mas precisamos de mais meninas nessa situação, a Bia (Beatriz) Maia está voltando a jogar bem, a Eduarda Piai teve um bom resultado em Campos do Jordão."

Para a comandante do time, falta risco e também verba para que mais jogadoras possam crescer: "Ainda temos poucas meninas jogando fora da América do Sul, o próximo passo pode ser esse, levar mais meninas pra fora, são poucos torneios por aqui, pra você conseguir ranking ou você precisaria ir muito bem nos que tem aqui ou então vai pra fora. Um poucão o problema é grana eu diria. O custo é muito alto para passar uma gira que fizemos de seis semanas, por exemplo. A Duda Piai queria fazer, mas faltou grana", salientou Carla que esteve acompanhando Paula e Gabriela durante a série em junho e julho.

De acordo com Tiene, nossas meninas hoje não devem muito para as da Europa: "Tinhamos muito isso no feminino na minha época de jogadora. Era difícil pra quem ganhava por aqui, chegar na Europa e ir bem. Mas hoje em dia não mais, a Paula já na primeira semana fez final (em Padova) e agora a Gabi (na Alemanha). O tênis feminino brasileiro está mais próximo do europeu do que uns dez anos atrás. Vejo como uma evolução para o tênis nacional".

De acordo com ela, Teliana Pereira, atual 95ª e primeira do país no top 100 após 23 anos, faz um papel fundamental para levar as outras ao crescimento: "Teliana assumiu um papel muito importante. Não tínhamos essa referência de uma top 100, na nossa época a número 1 era uma 200 e poucos, quase 300, não era realidade saber como era uma top 100, como é o treino pra muitas meninas. Os WTAs (em Florianópolis e Rio de Janeiro) também foram importantes, mostraram que nossas meninas têm jogo e que podem colocar a cara para bater. É o que elas têm feito, ficam um pouco aqui, treinam, adaptam algumas coisas e estão viajando, assim que tem que ser, têm que jogar".

Temos time para o Grupo Mundial, diz capitã - A capitã revelou a melhora do time na Fed Cup onde depois de dez anos vencemos o Zonal Americano e voltamos a disputar os playoffs para o Grupo Mundial II. A equipe foi derrotada em Catanduva (SP) para a Suíça por 4 a 1.

"A experiência da Fed no Paraguai foi muito positiva para as meninas. Elas sentiram a pressão da casa da adversária, de uma final contra as donas da casa e souberam controlar, deixou a vontade de querer cada vez mais. Depois tudo ficou muito novo para elas, primeira vez um playoff, uma Fed Cup dentro de casa, todo o nervosismo, ansiedade apareceram no primeiro dia, mas o positivo é que todo mundo levantou a cabeça , difícil chegar no vestiário perdendo de 2 a 0 e levantar a cabeça. O principal de início era injetar energia na Teliana, porque se a Paula saísse para jogar é porque a Teliana venceria e ela pegaria a energia da vitória. E conseguimos. Teliana mostrou que consegue se superar mesmo não estando totalmente solta em quadra. Quando terminou, nos reunimos e a palavra de todas foi que ano que vem nos reunimos de novo e que em 2015 será nosso. Não vimos nada de diferente na Suíça, também na Argentina que tá um acima no Grupo Mundial. A questão é controlar a ansiedade pois as meninas vestem a camisa. É diferente você representar um país do que jogar um torneio normal. Cada vez menos as meninas estão sentindo isso. Temos time".

Sobre nossa principal jogadora, Tiene não vê um limite para a pernambucana que vem quebrando barreiras. É a primeira desde a década de 60 a jogar todos os Grand Slams e tem o 88º como melhor ranking: "Não vemos uma diferença que se diga gritante das 50 para as 100 do mundo, claro que temos sim quando falamos das top 10, 20. Mas depois o nível é muito parecido. Se você me perguntar até onde Teliana pode chegar, acho que não tem limite. Ela conseguiu algo importante que é ter conforto para jogar a maioria dos WTAs, ainda desce e sobe jogando alguns challengers".

Com quatro titulares bem definidas, Carla vislumbra a chegada de uma quinta para gerar um bom problema, Bia Maia. A paulista bateu perto das 250 melhores no meio do ano passado, mas uma lesão na clavícula por conta de um tombo e uma hérnia de disco provocaram sua parada por meia temporada: "O melhor problema que eu posso ter é não saber as quatro jogadoras por ter uma possível uma quinta, uma sexta com chance de jogar. Encontrei a Bia jogando um bom nível nas duas últimas semanas de minha gira. Ela ainda pode jogar melhor, não estava no 100% dela, é complicado retornar de lesão grave como ela teve, é o medo do movimento, etc. Corajosa ela que já se meteu para jogar os torneios challengers, não quis ficar jogando só future", disse Tiene que apoiou a decisão da tenista de abdicar dos Grand Slams juvenis nos últimos meses em prol dos profissionais.

"A primeira vez que se pisa num Grand Slam você fica paralisada pela grandeza do torneio. Ela viu que já havia tido essa experiência algumas vezes e que agora precisava se preocupar com o profissional. Eu mesmo não joguei juvenil no meu último ano. Ela ficou alguns meses na Europa e no final é que conseguiu resultados. Tenho só que ficar feliz com as quatro titulares mais a Bia que já trabalhei na equipe pelo profissionalismo delas. Elas sabem o que querem, não precisa ficar mandando, sabem a rotina. Com certeza vamos colher os frutos, pode não ser tão rápido como queremos, mas vamos colher."
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