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Técnico do campeão do Brasil Open lembra reconhecimento de Federer

Terça, 04 de março 2014 às 17:22:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Treinador de Federico Delbonis, 44º da ATP, há mais de 13 anos, o argentino Gustavo Tavernini bateu um papo com a reportagem do Tênis News em São Paulo antes de ver seu pupilo sagrando-se campeão de um torneio ATP pela primeira vez.

Tavernini, que é muito querido e respeitado no tênis argentino, conversou com a nossa reportagem sobre as ambições de seu jogador no circuito, a opção de viajar pelo mundo para jogar tênis e fez um relato emocionado sobre o reconhecimento de Roger Federer ao seu trabalho.

O treinador conta que a escolha de ficar longe da família acompanhando Delbonis não é das mais fáceis: “Faz uma semana que estamos em São Paulo, semana passada estive no Rio (de Janeiro), não conheci nada, apenas os clubes e os hotéis. Vendo de fora parece outra coisa, mas não é”. Gustavo conta que estar em casa significa estar de férias, já que passa a maior parte do ano com Delbonis.

Entretanto, o treinador não vê a dura rotina de viagens, treinos, preparação física e jogos como um problema: “Começamos juntos faz tempo, mais de 13 anos, hoje estamos desfrutando de todo o sacrifício que fizemos”, concluiu. Tavernini destaca a boa relação que tem com Delbonis, que tem 23 anos e podia ser um de “seus filhos”. O treinador conta que na relação dos dois não há pontos para não se falar das coisas. Os dois são amigos e têm liberdade de falar tudo um para o outro.

A dupla traz consigo exemplos de parcerias duradouras e pretende seguir assim: “Entendemos que uma carreira pode ser feita como a de (Juan Carlos) Ferrero, (David) Ferrer, Guga (Kuerten). Os exemplos são bons, por enquanto, não há motivos para fazer uma mudança”, comentou em detrimento do trabalho de Antonio Martinez (Ferrero), Javier Piles (Ferrer) e Larri Passos (Guga), que acompanharam seus pupilos do inicio da carreira até o ápice. O único, dos três citados, que não se retirou com o pupilo foi Piles.

Gustavo revela que com Federico já não precisa mais fazer a função de “pai”. “Ele já sabe o que tem que fazer, dormir, comer, assim como horas de treinos e essas coisas. Só nos olhamos e ele já sabe o que tem que fazer”, contou.

Com exceção das atividades triviais do tênis, independente do nível em que se joga, tudo é novidade e muito trabalho para os dois: “Nós ainda estamos progredindo, nos metendo entre os jogadores consolidados”.

O técnico explica que é mais fácil trabalhar com jogadores focados como Delbonis, que sonha em vencer um Slam e ser top 5: “Com objetivos claros e reais é mais fácil. Há um caminho a seguir”, opina.

Gustavo conta que independente de sempre entrar em um torneio pelo título, ele coloca metas a seu jogador: “Desde que começou comigo, lá na escola de tênis, sempre temos objetivos e eles mudam. O principal não, mas os secundários são os que vão se renovando, adaptando às novas circunstâncias. Assim vamos ver até onde podemos chegar e ele quer ir o mais alto possível”, confidencia. “Ainda estamos em um processo de aprendizagem, não estamos consolidados em um ranking e ainda buscando os objetivos que Federico se colocou”, completou o treinador ressaltando que estão dispostos a dar 100% de si para o tênis sempre.

O papo com Gustavo foi anterior ao título de Delbonis em São Paulo, mas o treinador já se via orgulhoso como o mentor de um grande vencedor. Relembrando a maior vitória de Delbo diante do suíço Roger Federer, durante a disputa do ATP de Hamburgo, na Alemanha, Tavernini fica visivelmente emocionado:

“Foi muito rápido, muito rápido. Assim que acabou o jogo fui ao vestiário e ao entrar, Federer para e me cumprimenta: ‘Bem-vindo ao circuito!’. Agora imagina pra mim, fiquei sem palavras porque eu entendia que ele (Delbonis) estava ganhando de um dos melhores, e talvez o melhor de todos os tempos, apesar de que naquele momento ele não tinha seu melhor ranking, seguia sendo quem é. Ele (Federer) nos recebeu, reconheceu nosso trabalho”, conta o treinador e após uma longa pausa prossegue: “Me dei conta do que Fede havia feito uns quatro dias depois, já em Gstaad”.

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