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Bellucci inicia 2014 no quali da Austrália e diz: 'Meu lugar é no top 50'

Sexta, 29 de novembro 2013 às 17:40:01 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Thomaz Bellucci, já está a todo vapor nos trabalhos de preparação para a temporada 2014. Após um ano de 2013 complicado e com queda de 93 posições no ranking da ATP, Bellucci está confiante em um ano melhor e quer voltar ao top 50.

Foto: Michel Penna/Núcleo de Alto Rendimento Esportivo-GPA

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Na manhã desta sexta-feira, Bellucci esteve no Núcleo de Alto Rendimento Esportivo para a realização de uma série de testes físicos para poder conhecer suas atuais condições e preparar um trabalho, ao lado de seu preparador físico André Cunha, que lhe ajude na performance em quadra. O Tênis News acompanhou os testes com exclusividade e conversou com o tenista sobre esse momento em que necessita de uma retomada na carreira.

O natural de Tietê, que já está treinando normalmente em São Paulo, irá para o Rio de Janeiro se preparar para o Australian Open, primeiro Slam da temporada e seu primeiro torneio de 2014. Segundo o tenista, ele e sua equipe levaram em consideração a estrutura do local de treino e os companheiros ao optar pelo pela Cidade Maravilhosa: “As condições de temperatura e clima são importantes pra gente, já que a Austrália é um lugar de temperaturas altas. Então, é bom já se adaptar antes, conseguir treinar em lugares com o clima parecido para chegar lá bem adaptado”, explicou Bellucci.

Thomaz dividirá os treinos com Rogério Dutra Silva e os atletas da equipe Tennis Route, Fabiano de Paula e Marcelo Demoliner, acompanhados pelo capitão da Copa Davis, João Zwetsch, e destaca o quanto a qualidade dos rivais é importante nesta etapa de treinos: “É bom ter jogadores de nível alto para treinar com você. Tanto para te puxar durante o treino quanto para te dar volume de jogo”. Bellucci ressalta que é importante ter “vários jogadores para treinar”, pois a variação e a exigência dão ritmo de jogo e confiança, o que é crucial.

A programação para o inicio da temporada está definida. Mesmo abaixo do top 100, Bellucci tomou a decisão de não jogar nenhum torneio oficial antes do inicio do Aberto da Austrália. “Vou jogar o quali do Australian Open e até lá vou ficar em pré-temporada, treinando. Vou para lá bem no ‘comecinho’ para chegar bem. Por causa do fuso, a viagem que é longa, vou chegar uns cinco, seis dias antes. Treino um pouco lá. Até lá (a data da viagem) vou ficar treinando um pouco no Rio e aqui em São Paulo e vou para o Sauípe para fazer os jogos dos Correios”.

Thomaz Bellucci contou qual seu planejamento para recuperação de seu ranking nos primeiros meses do próximo ano. “Meu calendário depende do meu ranking. A principio a gente fechou os quatro torneios da América do Sul no saibro - Viña Del Mar (Chile), Buenos Aires (Argentina), Rio Open e Brasil Open. São ATPs e são torneios em que já fiz bons resultados. Infelizmente, tenho que jogar quali, mas acho que são qualis que eu consigo passar se eu estiver jogando bem. Se eu estiver com confiança, são torneios em que eu posso ir bem e pontuar e tentar voltar entre os 100. Depois disso, a gente tem que ver como é que vai estar meu ranking para decidir. Se eu estiver com um ranking baixo, vamos priorizar os challengers para eu voltar ao ranking em que eu estava”, confidenciou.

Perguntamos a Bellucci se ele está pretendendo pleitear um convite com as organizações dos torneios brasileiros. Surpreendentemente, Thomaz afirmou que não está pensando nisso: “Isso, nem ’tô’ pensando. Estou mentalizado em jogar os qualis. Se surgir o convite vou ficar feliz de jogar, logicamente, não precisando jogar os três jogos do quali e é isso. Não dá pra contar com uma coisa que não está muito no meu controle”.

O número um do Brasil contou como está planejando sua retomada no ranking da ATP, onde já foi 21º e terminou 2012 na 33ª posição. “Eu gosto de colocar metas mais a curto prazo que a longo prazo. Das minhas metas, nesses torneios ATPs, começando da Austrália, é voltar ao top 100 o mais rápido possível. E daí sim, jogar os torneios maiores, estar com chance de pontuar mais, mas tenho que ir passo a passo, entrar entre os 100”, explicou o brasileiro que destacou que ao jogar challengers a pontuação é baixa e frisou que ao entrar entre os 100, poderá pleitear um retorno ao top 50 e “daí por diante”.

Mesmo fora do top 100, Bellucci tem o respeito de diferentes adversários, que como Guga Kuerten e Fernando Meligeni acreditam que o lugar do brasileiro é no mínimo no top 50. “É importante ter o respeito dos adversários. Saber que eles te respeitam como jogador e eu acho que meu lugar é entre os 50 mesmo”, concordou o paulista. “É onde eu fiquei alguns anos da minha carreira. Acho que hoje em dia eu não jogo pior que antes. Acho que é questão de tempo eu conseguir voltar a estar onde eu estava antes e daí por diante é melhorar pouco a pouco”, destacou lembrando da importância de ter conhecimento de que os rivais analisam que ele tem um bom jogo. “Eu também acho que tenho um bom jogo, mas há sempre coisas a melhorar nele”, confidenciou.

Bellucci começou há pouco mais de dois meses um trabalho com seu novo treinador, o espanhol Francisco Clavet, que foi top 20 em 1992, tem sete títulos em torneios ATP. Thomaz falou sobre as primeiras impressões do espanhol, que levou o compatriota Feliciano Lopez ao top 15. “Ele é um cara bem legal. Tem bastante experiência tanto como jogador quanto como técnico e ainda estou começando um trabalho com ele. Fiquei duas semanas com ele e nelas deu para ver como ele é um cara que conhece muito bem de tática de jogo, ele sempre me dá uns toques bem legais antes dos jogos. Visualiza muito bem os pontos fracos do adversário”, contou.

Para o natural de Tietê, as três semanas de pré-temporada serão importantes para Clavet mostrar como gosta de trabalhar e dar um pouco de seus conceitos de treinamento. Bellucci frisou que em meio aos campeonatos é complicado que o treinador consiga imputar mudanças em seu jogo, o que será possível na pre-temporada.
O maior trabalho de Bellucci e seu ex-treinador, Daniel Orsanic, estava na melhoria do jogo de rede do brasileiro. Perguntado se seguirá este trabalho com Clavet, o paulista contou que já teve conversas com o espanhol sobre esta necessidade. “No meu jogo, é crucial, se eu quiser chegar num nível bom de tênis, tenho que chegar à rede, já que eu tenho um jogo agressivo, pra eu ficar no fundo sendo agressivo e não conseguir finalizar os pontos, não é bom. O Clavet já sabe que eu tenho que ir pra rede. Tenho que me aproximar. Isso é algo que eu tenho que melhorar no meu jogo e adicionar ao meu repertório”, explicou.

“Agora estou super bem”, diz Thomaz Bellucci ao ser perguntado se sente alguma dor em decorrência das lesões (abdômen e ombro) que o acometeram e tiraram de competição em 2013. “Tive uma série de lesões, mas foram todas sanadas. Junto com meu preparador físico, a gente tá fazendo um trabalho de prevenção para que isso não ocorra de novo. Acho que meu maior objetivo para os próximos meses é tentar jogar o circuito sem nenhuma lesão. Trabalhar a parte física. Agora que eu estou 100% é importante que eu volte a jogar bem, e tentar ganhar confiança e recuperar seu ranking”, finalizou.
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