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Inspirado em Guga, colombiano tenta erguer tênis sul-americano

Sábado, 23 de novembro 2013 às 17:58:36 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - O colombiano Alejandro Gonzalez conversou com a reportagem do Tênis News durante sua campanha no ATP Challenger Finals, onde foi vice-campeão. O tenista de Medellin falou do futuro pouco animador do tênis sul-americano e revelou se inspirar em Guga.

Foto: Marcelo Zambrana

Alejandro, que após o torneio em São Paulo firmou-se no posto de 91º do ranking mundial, chegou a São Paulo com duas derrotas para o número um do Brasil, Thomaz Bellucci, nos challengers de Montevidéu e Bogotá. O colombiano comentou que conhecia a situação do brasileiro, que voltava de lesão e estava sem ritmo de jogo, mas reconheceu os méritos do paulista nas partidas: "Acredito que joguei um bom tênis. Como disse, ele tem um ‘algo a mais’ é um jogador muito completo. Que tem nível para voltar a estar ali entre os 20 melhores do mundo. Foram duas partidas complicadas e tenho que reconhecer que ele é melhor”.

Aos 24 anos, Gonzalez, que fez final nos Challengers de Rio Preto e Panamá City e ainda conquistou os títulos de Salinas (Equador), Medellin (Colômbia) e São Paulo, jogou a melhor temporada de sua carreira. Ele comentou seu momento: “Fiz um bom ano. Sobre tudo no pessoal, vejo que amadureci muito. Sempre trabalhando duro física e tecnicamente. Acredito que estou colhendo os frutos. Trabalho conscientemente que tenho que melhorar e se quero estar mais acima e lá me manter, tenho que seguir trabalhando igual ou ainda mais duro. Entretanto, estou muito contente com a temporada que fiz e motivado para seguir a diante”.

Figura certa no circuito Challenger na América Latina, Gonzalez reconhece que a atual geração está distante do nível da anterior, que começou com expoentes como Guga Kuerten, Marcelo Ríos, Fernando Gonzalez e Nicolas Lapentti, passando pela 'legião argentina'. Entretanto, o colombiano acredita que a dedicação dos rivais melhora o nível de todos: “Obviamente somos a geração que segue. Este grupo argentino era impressionante. É difícil, mas acredito que o atual grupo é de jogadores muito trabalhadores. Todos são muito talentosos, creio que estarão mais acima, só não sei se como essa legião", opinou destacando que vontade e trabalho rendem resultados.

Gonzalez conta que tem na atitude de Rafael Nadal uma inspiração: "Sempre observei e admirei muito Rafael Nadal. Obviamente, (Roger) Federer. Eles são como se fossem de outro planeta. Anteriores a eles, Guga é uma pessoa em quem me espelhei, (Mariano) Puerta e outros argentinos”.

Com muita tranquilidade e conhecimento do momento do esporte em seu país,o natural de Medellin, pontua que o tênis colombiano, que hoje tem três jogadores no top 100 vive seu melhor momento.

"Agora somos três top 100, tem uma menina que também é top 100 (referindo-se a Mariana Duque Marino que fechou o ano como 103ª da WTA) e acredito que nunca havia tido 25 jogadores pontuando no ranking da ATP. Acredito que é normal, a Colômbia é um país que não tem muito a cultura do tênis e cada vez nós mesmos vamos fazendo com que isso cresça, mas ainda falta. Estamos em um bom caminho, entretanto creio que seja normal que não haja tantos jogadores, porque não temos tradição. Nunca tivemos algo como o Brasil teve em Guga (Kuerten). Jogadores assim, ídolos, ícones em um esporte”, opinou.

Gonzalez, que treinou por um tempo na academia de Ricardo Acioly no Rio de Janeiro, conta que o futebol é o primeiro esporte dos colombianos e revela que jogava como goleiro, até escolher o tênis. Se tivesse ficado do outro lado, o jovem de 1,90m poderia ser goleiro profissional.

Garantido no top 100 até o inicio de 2014, Gonzalez tem vaga garantida no Australian Open. A ascensão do jovem gerou uma "pressão natural" para que a vaga direta ao slam fosse conquistava, como conta o tenista: "Há cerca de dois meses todo mundo no meu país ficava dizendo: 'estás perto do top 100. Será um top 100. Vai à Austrália'. O que é normal, isso é algo novo para eles, é uma pressão com a qual tenho que conviver".

Alejo, como é conhecido no circuito, não foge da responsabilidade e afirma: "tento me focar em melhorar meu tênis, físico e amadurecer mentalmente. Sei se que se essas coisas forem crescendo, automaticamente vou conquistar os resultados que quero, então é nisso que tento me focar”.

O jovem não vê problema em circuito cada vez mais "experiente", com grande parte de seus jogadores de alto nível próximos aos 30 anos. "Sempre quis jogar com essa classe de jogadores, com os melhores, independente de suas idades”.

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