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O homem por trás do sucesso de Soares e Peya

Terça, 12 de novembro 2013 às 09:30:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas, em Londres - Poucos sabem, mas grande parte do sucesso da temporada de Bruno Soares com o austríaco Alexander Peya tem o dedo do americano Scott Davidoff, técnico da parceria que encerrou a temporada no segundo lugar, apenas atrás dos irmãos Bob e Mike Bryan.

Davidoff tentou a carreira no circuito após estudar e jogar na Universidade de Colorado, em Bolder. Jogou por dois anos, não obteve sucesso e iniciou os trabalhos como técnico como Head Coach da Universidade onde oficou seis anos. Seu primeiro trabalho como treinador da ATP foi com o americano Vincent Spadea, em 2002, após o temido recorde negativo de 21 derrotas, ganhando notoriedade por levá-lo ao número 18 do mundo em 2005.

Em seguida foi convidado para treinar duplistas o qual de lá não mais saiu com trabalhos com Wayne Arthurs, Paul Hanley, Daniel Nestor, Max Mirnyi, Simon Aspelin e ajudas a Leander Paes. Desde 2006 trabalha com o indiano Mahesh Bhupathi e há dois anos iniciou parceria também com o austríaco Alexander Peya. Por tabela passou a ajudar Bruno Soares que faz parceria com Peya desde agosto da temporada 2012.

O início de trabalho com Peya veio ao lado do também austríaco Olivier Marach. A dupla, que queria fazer o ciclo olímpico de Londres 2012, não encaixou e logo em seguida o americano foi consultado por Márcio Torres, manager de Soares, para uma possível parceria pouco antes do US Open daquele ano: “Os dois não estavam encaixando com seus parceiros. Além do Marach, Peya tentou outros como Paes, Zimonjic e a ideia do Bruno foi ótima. Depois do US Open eles pegaram confiança com os grandes resultados na Ásia e Europa com vários títulos”.

Davidoff destaca os motivos pelo qual a dupla engatou em 2013 com a conquista de cinco títulos junta incluindo o Masters 1000 de Montreal e o vice do US Open: “Uma coisa que dá certo é que eles trabalham duro, se comunicam bem, são muito abertos e nós três nos comunicamos bem, eles não levam nada pro lado pessoal, dizem, ok, o que preciso fazer da próxima vez, é uma grande relação, são fáceis de se lidar.”

O americano comemorou a temporada de seus pupilos, mas com os pés no chão: “Foi uma nova experiência pro Alex e o Bruno com o ano que eles tiveram com primeira final de Grand Slam, ganhando o 1º Masters indo ao 1º ATP Finals, toda conquista para eles foi um passo, experiências que nos mantêm confortáveis e sentem que quando voltarem a estas situações, vão saber reagir, lidar.”

O técnico precisou trabalhar bastante o estilo de Peya para se tornar um duplista. O europeu jogou por muitos anos nas simples onde atingiu o top 100. Quanto a Bruno, o jogo de rede foi foco: “Trabalhei bastante a estratégia para se jogar duplas do Peya, na movimentação, onde bater a bola, ele nunca havia focado na dupla até pouco tempo tentando a carreira de simples. Bruno tem grandes voleios, tem um agressivo jogo de saque e voleio, ele melhorou ainda mais na rede e na parte mental”.

A parte mental é o fator que Davidoff vem dando ênfase. Segundo ele, problemas recentes no serviço de Peya são pontuais e vem da cabeça: “Não diria que seu saque tem um problema, mas algumas situações, talvez mais no lado mental, pois nos treinos não tinha os mesmos problemas que nas partidas. Estamos trabalhando esse lado mental com ele, da partida assim como o Bruno”, diz o mentor dos tenistas que vem colocando na cabeça dos mesmos o jogo agressivo para se tornarem: “Algo que falo com o Bruno é que para ganhar campeonatos é preciso aproveitar as chances e ir pras bolas e eles vem evoluindo, por isso que estão 3 e 4 do mundo. Precisam manter a mentalidade assim e não esperar o adversário errar na hora H e sim ir pro golpe, pensar 'vou vencer esse ponto', ao invés só de colocar a bola em quadra. Os dois tiveram muito sucesso e evolução no ano, vamos trabalhar bastante para seguir evoluindo principalmente no lado mental para 2014”, aposta Davidoff.

A grande pedra no sapato de Peya e Soares no ano se chama Bryans. Os gêmeos os derrotaram em seis dos sete jogos: “Eles provaram ser a melhor dupla do mundo nos últimos oito, nove anos, é o melhor time da história com seus feitos. O que é chave neles é a consistência, são gêmeos, ficam juntos, não importa o que aconteça, eles estão juntos a carreira toda. No mundo da dupla há muitas mudanças, na busca pelo melhor parceiro, melhor cenário. Os Bryans sabem muito bem o que vão fazer em cada ponto, e pra outras duplas demora um pouco”.

Scott acredita que o trabalho mental e de agressividade que vem desenvolvendo com a dupla do mineiro vai fazer com que a parceria possa sobrepor o retrospecto recente negativo: “Espero que Peya/Soares dê esse passo a frente. É uma questão de acreditar, cada dia é um dia". E qual o plano ?: “Mike é um dos melhores devolvedores do circuito e Bob com seu saque, é a combinação ótima de um destro e um canhoto. Os dois jogam muito bem a frente no placar. É importante confiar no seu serviço, ficarem juntos no placar, focar nos games de saque e aproveitar as chances. Bruno e Peya devolvem muito bem”.

Segundo Scott, alcançar o número 1 é um objetivo, mas ele coloca os pés no chão e traça a maior meta de vencer um Grand Slam para o novo ano: “Com o ano que eles tiveram, vencer o Grand Slam é o próximo passo e está perto e ajuda ter passado pelas situações dessa temporada. Como técnico claro que quero que sejam o número 1, mas com os Bryans não será fácil. Pra mim não estou tão preocupado com o número 1, tento fazer com que eles trabalhem seus jogos e façam o simples e assim as vitórias virão e vão chegar lá.”

A dupla começará 2014 no ATP 250 de Doha, Qatar, e seguirá para Auckland, Nova Zelândia, e o Australian Open jogando a seguir os dois ATPs no Brasil.
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