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Técnico vê Bellucci como 'muito completo' e com potencial para top 15

Segunda, 14 de outubro 2013 às 08:00:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas - O Tênis News conversou com Francisco Clavet, novo treinador de Thomaz Bellucci, que vai iniciar o trabalho na próxima segunda-feira em Buenos Aires. O espanhol ressaltou um “grande desafio” e quer ajudar o tenista a ser top 15.

Clavet, de 44 anos, irá para seu terceiro trabalho de destaque como treinador. Ele esteve com Feliciano Lopez e o colombiano Santiago Giraldo. Pouco tempo depois de romper com o sul-americano, foi contactado por Luiz Carvalho, o Lui, membro da IMX que cuida da carreira do atual 117º do ranking.

Francisco não teve dúvidas de topar o trabalho que será iniciado com três challengers neste fim de ano e na sequência a pré-temporada que deverá ser realizada em Bradenton, na Flórida.

Clavet vê como grande desafio em tentar explorar as qualidades e evoluir nos defeitos do brasileiro. O técnico, que venceu Roger Federer no único encontro entre os dois em Cincinnati 2000 e foi 18 do mundo com oito títulos como jogador, não fugiu de nenhuma pergunta, nem mesmo da constante trocas de treinador do brasileiro. A íntegra do bate-papo você acompanha abaixo.

Tênis News – Como você se definia como jogador ? E como foi ter um recorde favorável contra Roger Federer ? Poucos tenistas têm isso no currículo...
Francisco Clavet - Fundamentalmente eu era um jogador muito lutador, sólido e consistente desde o fundo de quadra e com os anos fui evoluindo meu jogo para ser mais agressivo e tentar ganhar mais pontos na rede. Também tinha uma visão estratégica das partidas. Sobre o Federer me dá muita felicidade ter o recorde positivo contra ele, mas contando com a verdade quando o derrotava ainda não era a lenda que se converteu depois. Mas é uma das histórias de minha carreira que mais gosto de lembrar.

TN – Você treinou o Santiago Giraldo e o Feliciano Lopez, o levando ao top 15. Como foi a aproximação com o Bellucci ? O que te levou a aceitar o convite para treinar o Thomaz ?
FC -
Havia acabado de terminar a parceria com Santiago Giraldo (colombiano) e surgiu a oportunidade através do Luiz Carvalho. Ele me comentou que estava contemplando a oportunidade de ter outro treinador para a nova temporada. Aí acabou coincidindo que os dois estavam em processo de mudança.

A oportunidade de trabalhar com o Bellucci é muito bonita pra mim, um grande desafio por tudo o que se supõe. Ele é um jogador jovem com grande projeção pro futuro, com tênis e talento, mas que está em um momento difícil de sua carreira e vamos tentar colocá-lo de volta onde estava, mas também explorar todo o seu potencial e saber onde está seu limite. Ele é o jogador que sucedeu Guga (Kuerten) como número 1 do Brasil nos últimos anos e isso é uma responsabilidade muito maior por tudo o que representa.

TN – O que acha de Bellucci como jogador ? Qual é seu potencial ? Tem jogo para ir ao qual ranking mais ou menos ? O que é preciso melhorar em seu jogo ?
FC -
Penso que ele é um jogador muito completo, agressivo e de bons golpes de fundo de quadra. Tem um saque bastante efetivo, mas poderia tirar mais proveito de seu jogo melhorando do meio da quadra pra frente. Precisa ser mais sólido e consistente durante todo o ano. Outro aspecto que precisa melhorar é seu físico, sobretudo a resistência e recuperação.E finalmente, mesmo que não o conheça ainda muito, por tudo o que já vi e me contaram, devemos trabalhar no aspecto psicológico.

Acredito que Bellucci tenha tênis de sobra para estar no top 50, mas falta regularidade nos torneios e durante o ano. Se não tiver problemas de lesões e melhorar nos aspectos que comentei acima, meu pensamento é que podia ser top 15.

TN – Entrevistei alguns técnicos e ex-jogadores como Fernando Meligeni e me disseram que você era um jogador estrategista e lutador, lutava por cada ponto. Muitas vezes nós brasileiros olhamos o jogo de Thomaz e nos passa a sensação de falta de estratégia, não ir bem nos pontos importantes e com queda física em partidas longas. Qual será o foco de trabalho no tenista ?
FC -
Sem dúvida que meu querido amigo Meligeni e outros técnicos descreveram algumas de minhas qualidades como jogador. Evidentemente que tentarei transmir ao Thomaz todas as experiências e conhecimentos que tive como jogador e também o que aprendi como treinador. Esses aspectos que comentou eram meus pontos fortes e creio que hoje em dia são muito importantes no tênis, algo que podemos trabalhar e melhorar muito no Bellucci.

TN – Como será a forma de trabalho ? A pré-temporada de 2014 será feita onde ? Você ficará no Brasil trabalhando com o Thomaz quando ele estiver em São Paulo ou só o encontrará nos torneios ?
FC -
A princípio vamos jogar três torneios para terminar o ano e logo a seguir uma pré-temporada de cinco semanas onde acredito que será realizada em Bradenton (Flórida). No próximo anos vamos vendo, de acordo com os torneios, como realizaremos com os treinos.

TN – Qual a expectativa para o Thomaz nesses últimos torneios de 2013 ? Qual a meta colocada com o jogador que vem de muitas lesões e nove derrotas seguidas ?
FC -
O objetivo é que volte a recuperar as boas sensações e reestabelecer sua confiança. E com esses challenger terá a oportunidade de jogar partidas seguidas e vamos tentar que defenda os pontos da final de Moscou (150). O principal é ritmo de competição. Para o ano que vem os objetivos de Thomaz são os torneios grandes, onde já mostrou que pode competir e vencer e onde por seu nível deve estar sempre.

TN - Bellucci é reconhecido por não ficar com o mesmo treinador por muito tempo. Desde 2007 ele terá em você o sexto treinador diferente. Qual sua opinião sobre isso ? É positivo um tenista mudar tanto de técnico ?
FC -
É uma decisão pessoal dele e imagino que quando a toma é buscando o melhor para seus interesses tenísticos. Cada jogador é diferente, mas o que está demonstrando é que, exceto raras ocasiões, os tenistas tendem a mudar de técnico com frequência e este mundo é dinâmico neste sentido.

TN – Você teme esse histórico de troca troca de treinador dele ?
FC -
Como comentei antes, estou acostumado que se tenha bastante “movimento” de técnicos no circuito e sem dúvida que não penso nisso quando começo a trabalhar com um jogador. Meu pensamento é poder fazer um bom trabalho com o Thomaz e explorar suas virtudes.
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