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Clavet tem o que Bellucci precisa, apostam Meligeni e Acioly

Quinta, 10 de outubro 2013 às 15:48:47 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas - Thomaz Bellucci, número 1 do Brasil, anunciou na quarta-feira seu novo treinador, o espanhol Francisco Clavet. O Tênis News consultou figuras nacionais que conhecem bastante o novo comandante de nosso talento e o próprio tenista.

Como jogador, Clavet foi 18 do mundo, faturou oito títulos de ATP e tem retrospecto positivo contra Roger Federer, venceu Gustavo Kuerten em três dos seis jogos e Fernando Meligeni em seis dos oito encontros.

Meligeni, que chegou a treinar com Clavet por um ano, quando tinha o uruguaio Enrique Perez como técnico, lembrou a dificuldade de enfrentá-lo: “Jogar contra o Clavet era muito difícil, um cara que chegava em todas, era chato, era muito bom, você precisava matar ele. Ele era um cara que errava muito pouco, tinha que definir o ponto contra ele. Ele entrava na sua cabeça”.

Na visão de Fininho, o respeito que ele tem no circuito e a personalidade forte, mas sem características disciplinadoras, podem render frutos para a nova parceria: “Clavet foi um cara de ganhou de muito cara bom, o melhor ranking dele pode ter sido um pouco parecido com o Thomaz (que foi 21 do mundo), mas é um cara que teve muito mais resultado que o Bellucci, que eu tive e que muita gente teve no circuito. Existe um grande respeito por ele no circuito”.

“Todos sabem e está claro que o Thomaz precisa saber a forma de jogar nos pontos importantes. Ele acaba dando pontos de graça, erra muita bola boba e deixa o adversário entrar na cabeça dele. E acredito que nesse quesito o Clavet era muito bom e pode ajudar bastante o Thomaz. Treinei um ano com ele, que é uma pessoa supercorreta e muito querida no circuito. Ele é uma pessoa de personalidade forte, mas com a fala baixinha, tranquilo, que conversa bastante e não faz o estilo disciplinador de um Larri Passos ou Bernardinho, fica mais pro estilo do que era o Daniel Orsanic, João Zwetsch”.

Ricardo Acioly, hoje dono do CT da Amil, no Rio de Janeiro, que já treinou o próprio Meligeni, foi capitão na época áurea do Brasil na Copa Davis e trabalhou com nomes como Marcelo Rios. Ele é amigo de Clavet e acredita que a estratégia pode ser um diferencial a ser incorporado pela nova parceria: “Por ser um estrategista, Pato (como é chamado) vai conseguir passar algo que está faltando pro Thomaz, que é a noção de como um canhoto deve jogar contra os rivais. Ele como um canhoto fazia isso muito bem. Bellucci pode ter uma grande ajuda na estratégia, na abordagem do jogo. Clavet era muito amigo meu e do Meligeni, é espanhol e não está longe da cultura do brasileiro, conhece nossos jogadores. A soma dessa experiência europeia é uma boa investida do Bellucci”.

Clavet tem 44 anos e tem experiências técnicas com o colombiano Santiago Giraldo e com o compatriota Feliciano Lopez. Leandro Afini, técnico da Academia AESJ, de São José dos Campos (SP), ex-treinador de Bellucci em 2007, ano em que o paulista começou a despontar para o circuito, confia que o novo treinador irá incorporar uma melhor parte física e movimentação ao brasileiro.

“Foi uma boa contratação. O Clavet foi um excelente jogador e possui alguns anos de experiência como técnico. Eles vão ter esse final de ano e a pré-temporada pra se conhecer melhor. Acho que o trabalho dos dois tem grandes chances de dar certo, pois, como todo espanhol, o Pato gosta de trabalho duro e com muito foco na movimentação e, para o Thomaz, que também gosta de treinar forte, isso vai ser o grande diferencial, pelo menos no início. Para a próxima temporada, podemos esperar um Thomaz com uma movimentação e preparo físico bem melhores do que vemos hoje”.

Acioly só faz uma ressalva. Bellucci está indo para o sexto técnico desde 2007. Para o experiente treinador, o troca-troca normalmente não é saudável: "Não vejo isso como saudável atá porque, para maximizar o que o técnico pode te passar, demora um tempo. Quanto maior a relação, melhor ela fica. Tem jogador que não é muito tolerante com algumas coisas e troca logo. Não acho isso produtivo. Pode funcionar um pouco, mas ao longo prazo não causa frutos".
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