X

Monteiro exalta parceria com Guga e destaca calma em evolução

Terça, 08 de outubro 2013 às 13:07:15 AMT

Link Curto:

Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Considerado uma das maiores promessas do Brasil, o cearense Thiago Monteiro, de 19 anos, tenta não se pressionar e procura entender a transição que vive em sua primeira temporada somente como profissional no circuito da ATP. Foto: João Pires

“Em 2013 eu joguei muitos torneios na Europa. Fiz bons resultados em torneios europeus, venci jogadores que já foram top 100 como o (Thiemo) De Bakker e o francês Marc Gicquel, que já foi 40, e fiz bons jogos”, disse ao Tênis News após vencer o experiente André Ghem em uma virada incrível no Challenger de São Paulo.

A luta apresentada em quadra atualmente, além de fruto do trabalho de seu treinador, Larri Passos, é resultado do amadurecimento alcançado na gira europeia: “Acho que amadureci muito na Europa, lá todo o jogo é ponto a ponto. Todo ponto é jogado, todo mundo joga bem. Isso fortalece o mental e o físico também, além de que ajudar a ler melhor o jogo”, destacou Monteiro.

Thiago ressalta o planejamento feito pela equipe de sua academia, a Larri Passos Tênis Pro, que está o levando à vida adulta no tênis. “Este ano tem sido muito bom pra mim, tive alguns títulos, fiz alguns bons resultados em challengers e é manter o trabalho. Não posso me acomodar por ser novo e estar fazendo bons resultados no profissional. Tenho que manter o pé no chão e seguir firme”, pontua o jovem que sabe que nada está ganho.

Monteiro conta que está fazendo um forte trabalho físico para poder aguentar a exigência do circuito. “Na Europa e mesmo aqui em torneios challenger acabo jogando com caras muito mais velhos, sempre contra gente que já está formada e isso no tênis é uma vantagem muito grande”, aponta Monteiro: “Venho fazendo um trabalho à longo prazo, não preciso me apressar. Vi que estou jogando de igual para igual com bons jogadores e isso me fez passar a acreditar muito mais no meu jogo e daqui para o final do ano é seguir trabalhando”, analisa.

Thiago tem como mentor desde a época juvenil o ídolo brasileiro, Gustavo Kuerten. O trabalho direto com Larri Passos aproximou a promessa brasileira de Guga, que ajuda também na carreira do cearense. O eterno número um do Brasil foi responsável por conquistar patrocínios que ajudam Monteiro a seguir com o planejamento.

Do uniforme de jogo, que é da Lacoste, aos equipamentos, Balobat, e o apoio para gastos vindo do Banco do Brasil.

“Eu acho que é incrível”, fala sobre o compromisso de Kuerten com o desenvolvimento do esporte. “O Guga é um cara que vem fazendo muito pelo tênis brasileiro, não só para mim, ele ajuda muitos outros jogadores, mas eu procuro não me pressionar muito com isso. Não posso pensar muito nisso, porque acaba que não dá resultado na quadra, então eu só tenho a agradecer tudo o que ele fez pra mim”, diz Thiago afastando qualquer pressão que lhe é feita em virtude da relação com o tricampeão de Roland Garros.

“Aprendi muito com ele também, já treinei com ele também já tive boas experiências com o Larri no exterior também. Ele me fala que é isso: ‘todo dia entrar dentro de uma quadra e dar 110% de mim, porque em algum lugar do mundo vai ter outro jogador fazendo o melhor dele e não posso me acomodar, perder nenhum dia’. Acho que é sempre isso que ele me passa. Todo dia tenho querer superar anterior”, conta sobre os conselhos que recebe do tricampeão de Paris.

Monteiro detalha o apoio de Kuerten: “Sempre nos falamos por mensagem, e ele me fala: ‘É isso mesmo! É experiência. Você tem que se motivar, você está no caminho certo’. São sempre palavras positivas pra mim por parte dele”, revela Thiago.

Em um cenário em que os jovens tem cada vez menos espaço entre os 200 melhores do mundo e em que a média do top 100 é de 26 anos, Thiago Monteiro vê a necessidade de melhorar seu jogo.

“(O envelhecimento do circuito) é um processo natural, acho que não precisa buscar por fenômeno tipo o (Lleyton) Hewitt que ganhou ATP com 16 anos, o (Rafael) Nadal que ganhava um com 18. Acho que hoje em dia é praticamente impossível isto acontecer. Por isso, eu tenho que seguir o trabalho que eu tenho que fazer. Pode ser que eu venha furar o top 100 ano que vem ou daqui três anos. É algo que não tenho pressa. Procuro evoluir muito meu nível de tênis sem me preocupar com ranking, este vem naturalmente. É solidificar meu jogo para ver onde eu posso chegar”, explica.

Thiago conta que há metas pontuais como “fazer 50 pontos” em determinada gira, entretanto, ressalta que não se impõe números no ranking. “Se eu terminar o ano como 200 ou 500 não vai fazer muita diferença. Se eu sentir que estou com bom nível de tênis e o mesmo nível dos jogadores profissionais, principalmente os europeus, eu vou estar feliz”, finalizou.
banner
banner