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Carlos Bernardes, um personagem brasileiro nas últimas partidas de Agassi

Quinta, 31 de agosto 2006 às 16:26:42 AMT

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Carlos Bernardes - US Open
Por Ricardo Alencar

O experiente árbitro brasileiro Carlos Bernardes já rodou o mundo em torneios internacionais e já vivenciou momentos inesquecíveis em sua carreira, mas a noite de segunda-feira certamente ficará guardada em um lugar especial de sua memória. Bernardes foi o juiz de cadeira naquela que, por pouco, não foi a última partida na carreira da lenda viva Andre Agassi, que bateu o romeno Andrei Pavel, na estréia do US Open.

Em entrevista exclusiva a Tenis News o brasileiro falou sobre a emoção de fazer esse jogo de Agassi, que poderia ter sido o último, falou sobre o que ele representa para o tênis mundial, contou sobre os primeiros jogos que fez de Agassi ainda jovem em Itaparica, na Bahia. Ele lembrou ainda o jogo mais marcante em que esteve presente no US Open do ano passado em que Agassi venceu Blake de virada, após estar perdendo por 2x0.

TN - Qual foi o primeiro jogo de Andre Agassi que você fez ?

CB - Como juiz de linha foi no torneio de Itaparica e ele ganhou o torneio. Era muito jovem mas já jogava muito bem. Como Juiz de cadeira, foi no torneio de San Jose, na California. Fiz dois jogos dele e o segundo foi a semi contra o Malivai Washigton.

TN - Tirando este jogo do US Open qual o jogo que fez do Agassi que mais marcou em sua carreira ?

CB - Bem, o jogo que mais me marcou com o Agassi foi o do ano passado contra o James Blake. Ele perdia por 2 sets a zero e 3 a 2 com um break para o Blake. Ele voltou e ganhou no quinto com 8/6. 20 mil pessoas até as 2 da manhã gritando como loucos. Incrível.

TN - Agassi é reconhecido como um gentleman dentro das quadras. Em algum momento voce deu um warning nele ou o desclassificou ? Se sim, como foi ?

CB - Não posso comentar isto.

TN - Sentiu nervosismo antes do jogo Agassi x Pavel sabendo que poderia ser sua despedida com 20 mil pessoas na principal quadra do US Open ?

CB - Não nervoso, emocionado sim, ainda mais vendo ele entrar na quadra com os olhos cheios de lágrimas.

TN - Foi um momento marcante na sua carreira ? Por que ?

CB - Sim, pois poderia ser a ultima partida dele e agora poderá ser a última vitória dele e porque fiz a maioria dos jogos dele nos Estados Unidos antes dele encerrar a carreira. Já havia feito um em Los Angeles e outro em Washington.

TN - Quando Agassi perdia 0/4 no terceiro set pensou que ali poderia ser a despedida dele ?

CB - Sabe que não. No ano passado, ele perdia por 2 sets a zero e com break contra no terceiro e ganhou em 5. Mas fiquei impressionado com o coração que ele demonstrou na quadra.

TN - Vocês árbitros não tem muito contato com jogadores. Mesmo assim você já chegou a conversar com ele fora dos jogos. Como é a personalidade do tenista off-court no relacionamento com os árbitros propriamente ?

CB - Com o Agassi não muito pois ele sempre está muito ocupado com muitas coisas fora das quadras. Mas conversamos normalmente quando estamos em quadra. Um exemplo foi o ano passado em Montreal quando fazia o jogo dele contra o Gaudio. Choveu e ficamos os tres conversando na quadra e até nos esquecemos dos microfones que haviam por perto.

TN - Como juiz del inha em Itaparica foram os primeiros jogos que fez dele ? O que mudou em sua personalidade para agora ?

CB - Bem esta muito mais maduro. Isto sem contar com a parte física. Para um jogador de 36 anos jogando com esta garotada e se mantendo no topo por todos estes anos, tem que ser muito profissional.

TN - Como é fazer um jogo há 14 anos como linha no torneio em que apareceu no cenário e agora cadeira no torneio em que se retira ?

CB - É uma mistura de emoção, alegria e um pouco de tristeza. Voce vê uma vida dedicada ao esporte que você mais gosta, sua profissão também, encerrando um ciclo em que vai ficar faltando alguem para substitui-lo. Vai deixar uma lacuna muito grande no tênis mundial.

TN - O que representa o Agassi para você, para o tênis na sua visão e para os árbitros ?

CB - Acho que foi um dos maiores jogadores de todos os tempos, talvez o mais carismático de todos. Impossível de substitui-lo e que deixará muitas saudades para aqueles que amam o esporte e gostam de ver um desportista dando 100% de si o tempo todo. Espero que ele continue sua vida de sucesso fora das quadras com todas as atividades filantrópicas que ele tem.
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