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Crise no tênis espanhol. Federação está em pé de guerra

Terça, 18 de dezembro 2012 às 17:28:10 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - A crise pelo qual está passando a Real Federação Espanhola de Tênis, a RFET, parece estar longe do fim. A imprensa especializada no país aponta para um grande racha entre tênis feminino e masculino, além da ruptura entre as federações que a compõem.

Na última sexta-feira, 14, um grupo que reúne as nove principais atletas do tênis feminino do país ibérico anunciou, por meio de uma carta, que estava rompendo com o atual presidente da RFET, José Luis Escañuela, e por consequência com a Federação.

O argumento das atletas é que a Federação não cumpriu com um acordo firmado em 3 de dezembro de 2010 de investir, principalmente na formação de novas atletas e na manutenção de torneios WTA no país. Entretanto, a RFET argumenta que aplicou os investimentos, mesmo assim o país conta apenas com um torneio WTA, o de Barcelona, além do Premirè de Madri, que acontece simultaneamente ao Masters masculino. Ambos os torneios utilizam estrutura do evento masculino.

Em 2012 a Espanha perdeu o WTA de Marbella e deixou a região da Andaluzia sem um torneio de tênis oficial. Informações extra-oficiais dão conta de que o presidente da Federação da província da Andaluzia também rompeu com Escañuela e votaria pelo candidato da oposição, John Rigau.

Ao contrário da Federação Andaluza, a Federação de Tênis de Madri (FTM) declarou Escañuela “persona non grata” e proibiu seu ingresso em qualquer uma das instalações pertencentes à FTM ou sua intervenção. Por meio de um comunicado à imprensa, a assembleia da federação madrilena afirmou que o principal motivo foi “a atitude e vontade fraudulenta nas convocatórias das eleições na RFET”, que coincidiu com a final da Copa Davis. Entretanto, fez questão de pontuar: “a obscuridade das contas da federação nacional” e a “falta de lealdade e compromisso ético com a FTM”.

Nos bastidores há a informação de que a federação das Ilhas Canárias também está apoiando o candidato da oposição de maneira velada, pois a principal atleta da região, Carla Suarez Navarro, trabalha sem o apoio da RFET e ainda seria cobrada por ser a número um do país.

A equipe do jornal As de Madri teve acesso aos números dos investimentos da RFET no tênis feminino, em 2011 foram 1,2 milhões deu euros, metade do firmado com o grupo de jogadoras.

Para piorar a situação, após o rompimento das atletas, a RFET pediu explicações a capitã feminina na Fed Cup, Arantxa Sánchez Vicario que assinou o manifesto, e afirmou que a ruptura tem motivações “eleitoreiras” e que “não cabe insistir” (em um diálogo). As jogadoras, por sua vez, insistem que mesmo que reeleito, o presidente é uma pessoa com quem “não é possível manter um diálogo” e por isto o corte de relações é: “irreversível”.

Nesta segunda-feira, Arantxa pediu demissão de seu cargo e colocou a responsabilidade de comandar o tênis feminino espanhol nas mãos de Albert Costa, diretor esportivo da RFET, que tem que buscar uma substituta que concilie os dois lados. Conchita Martinez, campeã em Wimbledon 1994, se ofereceu ao cargo, mas não é bem quista entre as jogadoras, já que na sexta no inicio da tarde retirou sua assinatura em apoio às “meninas espanholas”.

Os jogadores não falam publicamente sobre o caso, mas há nomes fortes no time da Davis que pertence às federações desertoras, é o caso de Fernando Verdasco e Feliciano López jogadores da FTM que impulsionam o interesse nacional e, por consequência, de empresas possíveis patrocinadoras na Copa Davis. López e Verdasco são pessoalmente patrocinados pelo grupo financeiro que apoio a “Armada” em 2012.

A Federação de Tênis da Comunidade Valenciana, a FFCV, para a qual joga, por exemplo, David Ferrer, não rompeu com a RFET e viu sua número um, Tita Toró (99 do mundo), retirar sua assinatura do repúdio a Escañuela. Entretanto, a relação não é tão boa entre as federações, já que ao buscar apoio financeiro para a realização de seu ATP 500, Valência ouviu da federação nacional que o país estava em crise econômica. Juan Carlos Ferrero e David Ferrer, donos do evento, chegaram a imputar dinheiro próprio para sua realização. O dinheiro da RFET para o evento estaria no balanço da federação, mas não chegou à Valência.

A federação catalã é oposição a José Luis desde os problemas para a realização do ATP 500 de Barcelona, o tradicional Godó, em 2010. Por isto, lançou candidato próprio, John Rigau, que desistiu nesta terça-feira de sua candidatura. O empresário, vice-presidente da PepsiCo Europa ocidental, tinha o apoio oficial das federações da Catalunha, Madrid, Castilla-La Mancha, Castilla León, Aragón e Ilhas Baleares, a qual pertence Rafael Nadal. Rigau ainda não fez seu pronunciamento oficial.

As eleições estão programadas para o próximo dia 19 de janeiro e foram convocadas às pressas na segunda semana de novembro, final da Copa Davis. Sem candidatos a pré-reunião de propostas que estava programada para 26 de dezembro será cancelada, após o pronunciamento oficial de Rigau. Confiante de sua reeleição, Escañuela já está com passagens compradas para acompanhar as disputas do Australian Open desde o inicio do mês e deixará a RFET oficialmente nas mãos de Albert Costa.
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