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Bellucci diz que falta muito para Top 10 e releva irritação da torcida

Sábado, 01 de dezembro 2012 às 20:21:50 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Após um longo dia com fisioterapia e momento para atender aos torcedores, Thomaz Bellucci, número 33 do mundo, conversou com o Tênis News e apontou a dificuldade para ser Top 10 e disse entender a irritação da torcida.

Bellucci desistiu do Challenger Finals com uma bursite no ombro, mas seguiu participando de eventos de patrocinadores.

Em uma festa exclusiva, Thomaz é tietado por jovens, componentes da Federação Paulista de Tênis, patrocinadores e convidados. No auge de seus 1,88m, Thomaz não passa mesmo despercebido em um ambiente. Ele é tímido, mas atende a todos com paciência, educação e um sorriso. Sempre se dispõe para mais um segundo e mais uma foto ou um cumprimento, mesmo quando a repórter pede a conversa final do dia.

Ao lado do treinador Daniel Orsanic, Bellucci deixa a festa. O argentino, que faz parte da equipe do brasileiro desde o fim de 2011, é alegre, mais aberto que Thomaz, em um contraste interessante de uma parceria que o próprio Thomaz julga como “muito boa”. O bate-papo segue abaixo.

Tênis News - Thomaz, muitas pessoas se decepcionaram com sua desistência pela lesão do Challenger Finals. Como foi desistir? (Conto para ele a história de Pietro, de 8 anos, fã do brasileiro, que chorou e disse que não ficaria no torneio, já que ele não jogaria).
Thomaz Bellucci - Acho que é o mais difícil. Tem muita gente que vem aqui pra me ver jogar e acho que a garotada que gosta e joga tênis sempre vem em torneios que estou jogando, vem falar, pedir autógrafo. É difícil aceitar que eu não posso estar jogando. Para mim, era muito importante jogar esse evento, já que tem uma garotada que está aqui para ver meus jogos. Essa é, às vezes, a única oportunidade que eles têm pra me ver jogando o ano inteiro e pra mim fica muito difícil não poder jogar. Mas, infelizmente, tive que colocar na balança. Se jogasse, estaria agravando o problema.

Fico chateado, minha profissão tem destas coisas, acho que tenho que dar mais atenção para este tipo de torcedor. Para as pessoas que torcem por mim, que estão sempre me apoiando, eu tento sempre dar um carinho especial pra criançada, porque às vezes você dá atenção a eles, e eles torcem pra você pela vida inteira.

TN - Muita gente já falou, (Novak) Djokovic, (Roger) Federer e Toni Nadal, que você tem potêncial para ser um top 10. Mas pra você, Thomaz, o que falta ser um top 10 ?
TB - Falta muita coisa. Falta muito. Tem muito o que melhorar antes de pensar no top 10. Tenho que melhorar minha performance na quadra dura, porque há muitos torneios nela e muitos dos mais importantes. Tenho muito o que amadurecer como jogador, no meu jogo, golpes que tenho que melhorar. Acho que falta muito. Tenho muito que amadurecer para pensar “Ah! eu vou ser o número um ou o cinco”. Preciso trabalhar aspectos do meu jogo. Acho que há muito o que ser trabalhado. Tenho que ir evoluindo, aos poucos.

TN - Voltando a falar de torcida, você leva muitas críticas de todos os lados. É imprensa, torcedor, gente que entende de tênis, gente que acha que entende de tênis... Muitas vezes você é quase hostilizado ainda dentro de quadra e na sua casa e no seu país. Como se sente ?
TB - Por um lado, eu entendo. Brasileiro é muito passional. Se quem ele está torcendo começa a perder e tudo mais eles ficam bravos, xingam e tudo mais. Não é só comigo, mas com o esporte em geral. Se o time dele perde, não interessa como, ele fica bravo. Faz parte da cultura do brasileiro. Às vezes eu sou assim também, me irrito quando acontece de perderem, mas sei do outro lado. Dar tudo de si todos dão, mas é esporte. Essa cobrança significa também que estão torcendo, apoiando. Eu entendo que é cultural.

TN - Mas as pessoas não se contentam em te cornetar, muitas te ofendem, gritam durante pontos, saem do apoio ao desapoio rapidamente. Como você se sente em quadra ? Ainda mais aqui no seu país ?
TB - Como estava falando, não é só comigo. É claro que a gente ouve uma coisa ou outra dentro da quadra, mas tem que se manter concentrado no jogo.

TN - Falando em concentração, como anda o trabalho com a Carla, sua psicóloga ? Vimos ela viajando com vocês e você jogou superbem, seu jogo fluiu, você dominou a quadra na Alemanha (Sttutgart) e venceu um título (Gstaad, na Suíça). Vocês estão seguindo o trabalho ?
TB - A gente segue trabalhando junto. Deu resultado, assim, rápido, mas tem que trabalhar. Ela (Carla) tem viajado às vezes com a gente e, quando não está, tenho um contato muito próximo com ela. Carla tem sido muito importante pra mim e para o trabalho. Mas o trabalho está apenas no começo. São uns seis meses que a gente tá junto e tem muito que evoluir nele.

TN - Ainda falando de equipe, como está sendo trabalhar com o Daniel ? Como foi esse ano ?
TB - O Daniel é um cara bacana. Tem sido um bom trabalho. A gente tem aprendido muito um com outro. Afinal, ele sabe como funciona a cabeça do jogador, ele foi jogador e isso facilita um pouco as coisas. Ele sabe a hora de falar e sempre sabe o que falar, tem me ajudado demais. Daniel tem agregado muito à equipe de trabalho. Ele contribui com toda a equipe e ajuda a melhorar as coisas. Acho que vamos indo bem juntos e vamos seguir.

TN - E a Copa Davis contra os Estados Unidos, o que achou do adversário ?
TB
- Nos saiu um confronto difícil. Vai ser difícil, mas a gente sabia que ir ao Grupo Mundial queria dizer que viria pedreira, um adversário pedreira de qualquer lado que viesse. Então, a gente tá preparado para jogar. Temos que lutar pelos pontos.

TN - Como estão seus planos pra próxima temporada? Mardy Fish está fora, você provavelmente entra como cabeça de chave na Austráia. Quais as expectativas de um bom resultado ?
TB - A ideia é tentar começar o ano bem, fazer um bom resultado lá na Austrália, já que normalmente eu não começo o ano bem por lá. Depois tem a Davis direto, então o inicio do ano é esse. Eu e o Daniel não estipulamos uma meta, mas é preciso tentar ser melhor que este ano. Temos um mês e um pouco para nos preparar. Preciso voltar bem e principalmente atuar bem lá na Austrália. Preciso melhorar esse retrospecto.

TN - Você vai jogar a gira sul-americana sobre o saibro toda? Quais você deve jogar?
TB
- A gente ainda não planejou isto, mas, como depois da Austrália tem a Davis, devo ficar sem jogar um dos torneios. Se não fica exaustivo. Como esse ano que fiquei de fora de Buenos Aires, se não me engano...

TN - É Buenos Aires, você teve uma lesão em 2012 e não foi..
TB -
A mesma lesão. Então, acabei precisando desistir de jogar lá porque foi exaustivo e não aguentei. A ideia é preparar bem o calendário, mas não conversamos sobre isso, ainda.

TN - E agora, com a lesão do ombro esta semana, tudo ok ?
TB -
Estamos caminhando, mas já está melhor. Vai melhorar ainda mais. Devo estar pronto para enfrentar Federer e Tsonga (nos dias 6 e 8).
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