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Bate-Pronto - Desafios do tênis brasileiro

Sexta, 23 de novembro 2012 às 14:23:52 AMT

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Tênis Profissional
Por Filipe Alves, do Rio de Janeiro - É de conhecimento da maioria de nós, admiradores do tênis, que há um certo tempo o Brasil possui apenas Thomaz Bellucci, de forma consistente, entre os 100 primeiros do ranking da ATP. Ênfase na palavra apenas.

Em fevereiro do ano que vem, teremos uma das tarefas mais difíceis dos últimos anos pela Copa Davis: enfrentar os Estados Unidos fora de casa, provavelmente em uma quadra muito rápida.

A busca e as dúvidas sobre nosso possível 2º jogador para o confronto já começaram e nomes como Rogério Dutra Silva, o Rogerinho, João Souza, o Feijão e Thiago Alves são os mais lembrados. Podemos, e devemos, pensar mais além desse confronto.

Uma questão que está presente no cotidiano do tênis brasileiro é: Por que o Brasil, com todo seu potencial humano e econômico, não produz pelo menos três ou quatro tenistas com um bom ranking ao mesmo tempo? As respostas, geralmente, são as mesmas: falta incentivo do governo e até da iniciativa privada; culturalmente o tênis não está entre os esportes mais praticados pelos brasileiros; é um esporte caro, entre outras. Porém, a questão é muito maior.

Há pouco mais de 10 anos estávamos orgulhosos por ter o nº 1 do ranking. Sabemos que Gustavo Kuerten foi uma exceção, um talento fora do comum, assim como Bellucci também é. Cada um no seu lugar. Não apenas no ranking, mas no nível de jogo, percebemos a diferença de Bellucci para os demais brasileiros.

Olhamos o ranking da ATP e percebemos alguns exemplos que deixam um questionamento muito maior. Vamos tomar a Itália como exemplo.

Sim, sabe-se que é um país com mais praticantes, mas o tênis está longe de ser um dos esportes preferidos dos italianos. Além disso, não é grande a tradição do tênis masculino desse país. Portanto, o que faz a Itália ter 6 tenistas no top 100, enquanto o Brasil tem apenas 1?

Então questionamos: É normal esta posição do Brasil?

E as soluções? Quais seriam? Falta um número maior de quadras públicas no Brasil? Sim. Temos cidades com mais de um milhão de habitantes e nenhuma quadra pública.

Mesmo assim, continuamos com nossas exceções. Temos promessas? Sim, temos várias: Guilherme Clezar, João Pedro Sorgi, Tiago Fernandes, Beatriz Haddad Maia, Thiago Monteiro, Bruno Sant’anna, entre outros, mas a necessidade do tênis brasileiro é muito maior.

Precisamos não apenas de um 2º jogador em fevereiro, mas de um 3º, um 4º, um 5º jogador durante várias temporadas. Precisamos de consistência e de presença, para que tenhamos uma posição de mais respeito. Falta muita coisa? Sim, então vamos trabalhar.

Ver Rogerinho vencer John Isner em uma quadra rápida durante a Copa Davis me parece uma tarefa tão difícil quanto esconder as necessidades do tênis brasileiro.

Segue a busca, segue a luta. Segue a vontade de ver o tênis brasileiro cada vez mais forte.

Um abraço e até a próxima.

Filipe de Lima Alves escreve para a coluna Bate-Pronto, destinada aos jovens leitores que desejam ter seus textos publicados no site. O seu também pode entrar no Tênis News. Envie um email para tenisnews@gmail.com !
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