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Tributo à Henin: Uma das maiores da história

Quinta, 27 de janeiro 2011 às 01:16:10 AMT

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Tênis Profissional
Por Bárbara Galiza - Era difícil superar o choque causado pela aposentadoria de Justine Henin em 2008, quando a belga estava no topo. Às vésperas de defender o tetra em Roland Garros, Henin disse que não se sentia mais motivada. Ontem, ela repetiu o espanto. Henin se comove em aposentadoria

Menos de uma semana depois da eliminação do Aberto da Austrália, Henin anunciou a aposentadoria novamente, em uma carta em sua página do Facebook. Dessa vez, ela disse, é definitivo. Henin contou que o seu cotovelo – que a fez encerrar a temporada ano passado logo após Wimbledon – está muito frágil para continuar a jogar tênis em alto nível.

Na carta emocional, Henin agradece a todos que a ajudaram nessa experiência que foi o tênis. A belga, carinhosamente apelidada de “Juju” pelos fãs, disse que ao “pendurar a raquete”, vira uma página incrível de sua vida.

A parte mais emocionante da mensagem da ex-número um do mundo é quando ela fala de seu maior remorso no esporte: a distância que ela manteve dos fãs. Diferentemente de muitos tenistas carismáticos ou amigáveis, Henin sempre esteve focada no tênis e no tênis somente. Na carta, “Juju” pede desculpas por ter estado afastada de seus fãs leais ao tentar se auto-proteger.

Henin, muitas vezes, passou uma imagem de fria aos espectadores do tênis. Apesar de sua vida pessoal ter sido encharcada de maus acontecimentos, a belga sempre se fortaleceu com as desavenças da vida.

Quando tinha apenas doze anos, sua mãe faleceu de câncer. Henin contou que, certa vez, quando a sua mãe a levou para assistir Roland Garros, Henin lhe disse que, um dia, ela venceria aquele torneio. E não foi diferente. Henin conquistou o título quatro vezes. Ela foi a única tenista a vencer Roland Garros em duas oportunidades (2006 e 2007) sem perder set.

Graças ao seu estilo de tênis variado e vistoso, as conquistas de Henin não se resumiram a “somente” os seus 43 títulos, incluindo sete Grand Slams. Seu belo backhand de uma mão foi escolhido por vários especialistas do esporte como o mais bonito do circuito – masculino e feminino. Os grandes do tênis, como Martina Navratilova, nunca a deixaram de elogiar. A belga sempre foi um exemplo de tênis “all around”. Apesar da altura baixa para o esporte (somente 1.67m), Henin conseguia dominar o jogo tanto do fundo da quadra como na rede. Durante os quase dez anos de carreira, Henin conqusitou três do quatro Grand Slams. O único major que a belga não conquistou foi Wimbledon. Henin chegou na final da grama britânica duas vezes: em 2001 e 2006. Em 2001, ela perdeu para Venus Williams e em 2006, para Amélie Mauresmo.

Quando voltou ao circuito em 2010, o maior foco de Henin era completar o Career Slam com uma vitória em Wimbledon. Até o estilo variado da belga foi alterado para tentar prevalecer na grama. Os slices e topsins foram substituídos por bolas chapadas e fortes. Para muitos fãs, após a volta, Henin “assassinou” o seu belo tênis. Em uma jogada irônica do destino, foi em Wimbledon, na quarta rodada contra a sua compatriota Kim Clijsters que Henin lesionou o pulso que a fez largar a carreira de vez.

É difícil saber o quanto a escolha de Henin de deixar o circuito foi influenciada pela recente derrota prematura em Melbourne. Quem sabe, quando a belga se ver acompanhando as batalhas em Wimbledon pela televisão, ela resolva pegar a raquete mais uma vez e fazer sua segunda volta ao tênis.
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