X

Argentino é o novo comandante o Aberto de SP: 'No tênis não há essa rivalidade'

Sábado, 08 de janeiro 2011 às 23:15:00 AMT

Link Curto:

Tênis Profissional
Por João Neto e Fabrizio Gallas, direto de São Paulo - O segundo maior torneio do Brasil, o Aberto de São Paulo, tem como diretor, desde esse ano, um argentino, Gustavo Lallee, que trabalha em conjunto com Juliano Tavares (dono do evento). Foto: Jorge Viale

Apesar de ter nascido no país vizinho e rival por natureza no futebol, Gustavo tem seu coração dividido com o Brasil, onde mora há mais de 20 anos com a mulher brasileira. Até na hora de escolher o time de futebol, ele fica em cima do muro, afirmando que torce para o São Paulo, do Brasil, e o San Lorenzo, da Argentina.

Em meio a vários telefonemas, o também diretor executivo da Max Color, uma das patrocinadoras da competição, comentou que o tênis está no sangue da sua família desde as gerações mais antigas, já que seus avós praticavam a modalidade e sua irmã foi uma juvenil de sucesso. Ele ainda falou que convive dentro do esporte desde os 12 anos.

Gustavo explicou também como surgiu a oportunidade de ser diretor do evento e fez questão de ressaltar as dificuldades que a função exige. ''Quando o Téo(antigo diretor) faleceu, me ligaram e fizeram a proposta. O Paulo Pereira (supervisor da ATP) me apoiou em uma das reuniões, então eu aceitei, fiquei e comecei a trabalhar. Sou administrador de empresas, gosto de tênis e conheço bem os bastidores'', disse o hermano, pai de duas filhas brasileiras.

Para Gustavo, a experiência como diretor de um torneio é nova e dá muito mais trabalho do que ser diretor da empresa Max Color, mas se identificou rápido e quer prosseguir no cargo. A dificuldade maior enfrentada é a do relacionamento com o jogador e neste evento foi a chuva que adiou jogos em quase todos os dias. ''Estou gostando muito, mas não é nada fácil, pois sou responsável para que tudo funcione bem. Trabalho definindo funções e o contato com a ATP. Eu e o Juliano Tavares (dono do evento) atuamos em conjunto. Nós que decidimos o que é bom e o que é ruim para o torneio. O que é mais complicado é a relação com os jogadores, atender seus ansiosos pedidos que vem a todo o momento. E neste torneio foi mais duro por causa da chuva. Mas conheço o esporte e tinha certeza que seria assim. Faz parte".

Mesmo sabendo da grande rivalidade existente entre o Brasil e a Argentina, Gustavo garante que não sofre nenhum tipo de preconceito: "É algo curioso, eu sendo argentino comandando um torneio brasileiro, mas todos estão me tratando bem aqui, não vi nenhum brasileiro olhando de forma diferente. O tênis também não existe a rivalidade que se tem no futebol entre argentinos e brasileiros".

Lallee também revelou que algumas mudanças têm que ser feitas a partir de 2012, principalmente na parte da infra-estrura, com a construção de mais algumas quadras. Segundo ele, a dificuldade para tais realizações é superar as barreiras impostas pela Prefeitura de São Paulo e também pelo Governo do Estado, já que o local de disputa, o Parque Villa-Lobos, é um órgão público.

Tiago Fernandes não pediu convite para o Aberto de SP - O simpático argentino falou com tranquilidade a respeito da cautela da organização em relação a escolha dos convites para jovens promissores como Tiago Fernandes, vencedor do Australian Open juvenil, e Guilherme Clezar.

"O Tiago não nos pediu convite pra jogar ao contrário do Clezar que tentou várias vezes, nos mandou vários emails. Achei uma decisão legal do Larri Passos sobre o Tiago. Ele ainda está em transição dos futures pros challengers e se chega aqui e perde feio na primeira rodada poderia abalar a confiança. Tanto é que ele disputou o quali e perdeu na segunda fase. Mas o garoto tem potencial e em outras edições pode se dar bem aqui. O Clezar nós não demos convite pois vimos que ele não estava obtendo sucesso nos challengers onde ganhou convite no ano passado, bem como nos futures onde só tinha feito semifinais. Outro que tem potencial, mas precisa amadurecer".
banner
banner