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Roxane Vaisemberg fala sobre ida a Europa e quer subir no ranking WTA

Domingo, 14 de maio 2006 às 09:00:00 AMT

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Roxane Vaisemberg
O tênis brasileiro carece de um ídolo hoje em dia, principalmente no feminino. Todo ano são produzidas grandes promessas que se perdem pelo caminho. Mas uma delas promete reverter esse processo. A paulista Roxane Vaisemberg de apenas 16 anos tem muita história pra contar. Desde seu período de treinos na Argentina no qual com apenas 14 anos somou seus primeiros pontos no ranking WTA, até a atual fase iniciada em dezembro no CETECAMP de Campinas (SP). A canhota vem crescendo e hoje é uma das melhores do mundo no juvenil. A partir da próxima semana disputará a Gira Européia com eventos tais como Roland Garros e Wimbledon a convite da ITF. Em entrevista a Tênis News antes de seu embarque na última sexta, Roxane contou que buscará um lugar entre as melhores do juvenil além de priorizar o profissional a partir do segundo semestre.

Ficha Técnica
Nome: Roxane Schcolnic Vaisemberg
Nascimento: 25/07/89
Nasceu e morou a vida toda em SP
Atual Ranking Profissional: 762ª
Atual Ranking Juvenil: 28ª

Tênis News - Quando você começou a jogar e onde começou ?
Roxane Vaisemberg -
Comecei com 4 anos com meu pai, Salomão. Ele é professor e treinador. Naquela época tinhamos uma casa em Vinhedo (SP) com quadra de tênis e aí foi minha primera vez com uma raquete numa quadra.

TN – Você teve alguma outra inspiração no tênis, algum ídolo ou jogador (a) que mexesse contigo ?
RV -
A alemã Stef Graff. Pra mim é um espelho, uma jogadora perfeita não só no tênis como mentalmente. E o Guga sempre foi um grande idolo, pelo seu carisma e garra porque sempre vi ele jogar e sempre torci muito por ele e você acaba pegando carinho por todas essas qualidades dele. Admiro muito ele.

TN - Como foram seus primeiros anos como juvenil ?
RV -
Joguei os torneios paulistas primero. Fui super bem logo no começo. Meu primero jogo foi em um torneio paulista com a numero um de São Paulo logo de cara e ganhei 6/0 no terceiro set. Daí comecei a jogar o Brasilero, depois circuito Cosat e fiquei número um da América do Sul. Fui pra Europa com a equipe de 14 da ITF. Quando voltei recebi o convite pra treina na Argentina e morar lá. Comecei a jogar ITF juniors até a categoria 18 anos. No primero ano em 2004 só levei paulada. Depois fui melhorando, ficando cada vez melhor e em 2005 terminei entre as 30 do mundo. Com 14 anos joguei uns profissionais onde fiz meus primeros pontos profissionais.

TN - Como foi fazer seu primeiro ponto no ranking WTA ? Quando foi, onde foi e o que sentiu ?
RN -
Joguei um US$ 10 mil em El Salvador, um torneio que nem tava no meu calendario, mas a gente decidiu de última hora. Passei o quali e fiz final, perdi 7/5 no terceiro set pra uma mexicana. Fiquei super feliz, não esperava, tinha 14 anos. Daí joguei outros dois no Brasil e fiz duas quartas, ficando com ranking, pois no feminino precisa fazer pontos em três torneios pra ter ranking.

TN – E as jogadoras nesses seus primeiros eventos profissionais eram muito mais velhas que você ?
RV -
Sim. Tinha jogadora de 20, outras de 22, tinha uma da mesma idade, tinha de tudo.

TN – Hoje em dia no tenis feminino é uma tendência começar cada vez mais jovem que no masculino. Temos exemplos de diversas jogadoras como a Sharapova, a Vaidisova com 16 dentre outras. Na sua visão porque acontece isso ?
RV -
Porque hoje em dia as tchecas e russas amadurecem mais rapido. São elas que dominam o ranking. Mas as estatísticas provam que a plenitude de uma jogadora é entre os 24 e 25 anos. Esse seria o melhor momento fisico, técnico tático e sobretudo mental de uma jogadora.

TN - Você está vivendo o juvenil e agora começa a entrar no profissional. Na sua opinião porque no Brasil as jogadoras nao conseguem despontar mais jovens como essas tchecas e russas ? Falta de maturidade ou falta de apoio também ?
RV -
Tem muitas vezes que é falta de apoio. E também um pouco de maturidade. As russas e tchecas ou são esportistas ou não vão fazer muita diferença. Então tomam o tênis como opção de vida muito cedo e isso faz com que elas sejam mais responsáveis e mais esforçadas mais cedo que as latinas.

TN – Por que as brasileiras e latinas não tomam o tênis, o esporte como opção de vida desde cedo ? Questão cultural ? RV - As brasileiras tomam o tênis como opção de vida só que mais tarde do que as russas e as tchecas pela forma que somos, nossa cultura.

TN - Você tem amigas checas, russas no circuito ? RV -Me dou bem com algumas, mais não que eu possa dizer amigas. Com as brasileiras me dou bem com todas. Mas minhas melhores amigas uma é argentina um ano mais nova que eu e a outra equatoriana que hoje vai fazer faculdade nos EUA ela é 2 anos mais velha.

TN - Falando de Argentina, conte um poco essa experiencia que você teve la. Como foi esse convite ? Quanto tempo ficou lá ? Como foi ficar fora do brasil por um longo tempo ? O que essa experiência acrescentou na sua jovem carreira ?
RV -
Minha experiência foi ótima, fiquei lá dois anos. Cresci muito tenísticamente e muito mais como pessoa. Aprendi a respeitar o espaço das outras pessoas, a ser mais responsável e mais independente. Fui chamada por casualidade. Um cara me viu jogar e me chamou. Ficar longe da familia é uma dureza. Às vezes você sente falta do aconchego do pai, da mãe, da briga com meu dois irmãos (Rodrigo,20, e Viviane, 21). Mas aprendi a dar valor pra minha familia estando muito tempo longe e na minha carreira acresento muito em todos sentidos.

TN - Hoje em dia você treina no CETECAMP em Campinas. Desde quando está lá e como surgiu esse convite ?
RV -
Meu pai trabalhava lá com o Rolando Bordas que me treina junto com a Belen Guajardo, meu pai e Miguel Angel Cuello. Vim experimentar e gostei.

TN - Como é sua rotina de treinamentos em Campinas, quantas horas de quadra e de fisico ?
RV -
Faço mais ou menos 2 a 2h30min de quadra mais uma hora de fisico de manhã e de tarde. Daí depois 4 vezes por semana faço musculação.

TN - Como está seu calendario nessses proximos meses ?
RV -
To indo jogar nesta semana na Europa. Serão 8 semanas jogando Juniors, entre eles minha segunda vez em Roland Garros e primeira em Wimbledon.

TN - Como é jogar em Roland Garros um lugar em que o tênis brasileiro foi consagrado por Guga um de seus idolos ?
RV -
É um sonho, é perfeito. Ano passado fiz segunda rodada em simples e quartas nas duplas.

TN - Ficou nervosa com aquele friozinho na barriga por estar disputando um Grand Slam ?
RV –
Demais! Minhas pernas tremiam nos primeros games, depois você vai acostumando com a idéia.

TN – Encontrou com o Guga por la ?
RV -
Não, nunca vi ele.

TN - Se você encontrasse o que falaria pra ele ?
RV – Nossa nunca imaginei esse encontro. Mas falaria que o admiro muito! Que graças a ele o tênis está evoluindo no Brasil. Falaria também pra ele continuar lutando. Todos querem ver ele de volta.

TN - Acha que ele pode voltar a jogar como antes quando foi top 10 e número um ? RV -Não sei. Não sei como ele está nem nada. Seria um sonho se ele voltasse, torço muito pra isso.

TN – Como é a rotina dos juvenis nos Grand Slams com cerca de 30 quadras nos clubes, vários jogos, vários profissionais treinando ? Existe disponibilidade traquila de horário para treinos ?
RV -
Ficamos com os horários apertados, mas sempre consegue quadra pra bater. É complicado e têm vezes que se usa metade e em horários estranhos. Mas é normal.

TN – E como é os bastidores de um torneio como esse, o ambiente fora das quadras ? Encontra com jogadoras como Sharapova ou gênios como Federer ?
RV -
Encontra todos, sempre aproveitamos pra ver o que eles fazem, os jogos, sempre tem um tempinho pra isso. Olhei muito tênis pude ver como é o mundo dos melhores nesse esporte.

TN – Você como adepta do piso de saibro o que dá pra esperar em termos de desempenho seu nesse torneio de Wimbledon em comparação com os outros juniors ?
RV -
Nunca se sabe. Sempre vou pra ganhar e fazer meu melhor, mas falar algum desempenho por esperar, não sei. Tomara que eu vá bem. Acho que Wimbledon é um torneio que se tiver bem naquela semana você poder fazer qualquer coisa. É um toneio que a gente nunca sabe quem vai ganhar e em Roland Garros eu tenho melhores expectativas.

TN - Depois que você voltar dessa gira o que pretende fazer ? Treinar um período, jogar mais juniors ou partir para Womens Circuit profissionais ?
RV -
Vou partir pro profissional mesmo e só jogar US Open e o Orange Bowl no juvenil. Estou com ranking 700 e pouco e já da pra entrar em alguns qualis de 25 mil. Mas vamos ver, nada é certeza ainda.

TN - Como você define seu estilo de jogo ?
RV -
Bem agressivo, ditando o ritmo com meu drive (forehand) com bolas pesadas do fundo. Meu backhand não uso muito (risos). Ou é só batida forte ou slice, busco variar.

TN – Praticamente um estilo como se fosse uma Federer feminina ?
RV -
(risos), Nããoo! Não existe outro Federer, muito menos no feminino.

TN- Ele é o melhor de todos os tempos na sua opinião ?
RV -
Pra mim sim. Se bem que é injusto comparar. Cada epoca é cada época.

TN - E no feminino a melhor é a Steff Graf ?
RV -
Sim! Gosto de como ela era. A direita era impressionante. Ela era fria, se tivesse que ganhar de 6/0 6/0 em 30 minutos ela ia e ganhava em 29 minutos. Seu slice era agressivo.

TN- Procura copiar o slice, a direita ou algo do jogo dela ?
RV -
Não procuro copiar. Acho que cada um tem que ter seu estilo própio. O que se pode é buscar algo que seja parecido ou ver como ela faz, mais não copiar.

TN - O que pretende para seu futuro no tênis ? Tem algum sonho de ganhar algum título importante ou alguma posição no ranking ?
RV -
Procuro ser uma boa profissional, fazer meu melhor e com o tempo vou poder responder essa pergunta com algum número. Mas hoje ainda é cedo.

TN - Pro final desse ano tem algo em mente quanto a nível de jogo ou propriamente ranking juvenil/profissional ?
RV -
Quero estar entre as 10 melhores juvenis e profissional quero estar num ranking onde possa entrar tranquila em torneios de 25 ou 75 mil. Mas o mais importante de tudo é melhorar.

Técnica, fisico,tática e mental são os quatro principais aspectos do tênis. Em qual deles você se destaca e qual precisa melhorar ?
RV -
Acho que tecnicamente é meu melhor. Fisicamente preciso melhorar. Acho que tenho uma parte mental forte, mas sempre se prescisa melhorar.

TN – Me fale sobre seu saque e o voleio.
RV -
Gosto muito de ir a rede. Tenho um bom voleio, meu saque é razoavel mais pelo fato de ser canhota passa a ser bom, termina complicando um poco mais.

TN – Gostaria de algum agradecimento final ?
RV -
Sim. Gostaria de agradecer minha familia em primero lugar. Também toda a equipe tecnica, o Rolando, miguel e Belen. Meu investidor Edgar Safdie e o que organiza tudo o Dani Glikmanas.
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