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Mulheres marcam presença na arbitragem na Copa Gerdau

Sexta, 19 de março 2010 às 10:07:54 AMT

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Tênis Profissional
Firmeza, conhecimento das regras, imposição, mas sem perder o charme, jamais. Estas são algumas das regras básicas seguidas pelas três mulheres que trabalham na área de arbitragem da 27ª edição da Copa Gerdau de Tênis, que segue até o próximo domingo (21) nas quadras da Associação Leopoldina Juvenil (ALJ) e da Sogipa.

Paula Capulo, 28 anos, Taise Soares, 33, e a estreante Vanessa Rocha, 18, estão diariamente atuando nos jogos da categoria 18 anos. "Estou no tênis desde os 17 anos, e atualmente trabalho só com arbitragem. É uma profissão que exige muito trabalho, muita dedicação, a necessidade de estar sempre se reciclando e estudando. Por outro lado já me permitiu viajar muito, conhecer muitas pessoas, muitos lugares diferentes", diz Paulinha, como é conhecida, responsável pelo controle, chamada dos jogos e outras atividades relacionadas à arbitragem.

"Elas estão aqui por sua competência. São excelentes árbitras, e quando somos profissionais, bons naquilo que fazemos, o fato de sermos homens ou mulheres fica totalmente de lado", diz o diretor do departamento de arbitragem da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Ricardo Reis, supervisor da ITF (Federação Internacional de Tênis) na Copa Gerdau.

Taise trabalha com arbitragem há 10 anos mas há pouco mais de um ano que se dedica exclusivamente à profissão. Desde pequena sua vida é ligada ao tênis. Chegou a disputar torneios até os 16 anos. "Depois passei a dar aulas de tênis, até optar exclusivamente pela arbitragem", diz Taise, que nasceu e mora em Natal, no Rio Grande do Norte. Sobre o tratamento que as profissionais de arbitragem recebem em quadra por parte dos atletas, ela admite uma certa diferença. Porém é só até conhecerem sua maneira de trabalhar. "Os procedimentos são iguais para homens e mulheres, mas alguns atletas tentam testar nossa conduta. No entanto, assim que percebem nossa firmeza, a situação muda. Aqui tratamos com juvenis, que normalmente não criam tantos problemas. Temos que deixar bem claro que nossa função não é puní-los, e sim fazer com que as regras do jogo e de conduta sejam cumpridas", analisa Taise.

A gaúcha Paula trabalha há 11 anos com arbitragem de tênis, e desde 2001 participa da Copa Gerdau. Se diz apaixonada pelo que faz, mesmo tendo que, muitas vezes, abrir mão do convívio com a família em função dos torneios. "Hoje lido muito melhor com isto. Na época em que eu comecei a passar muito tempo fora, era difícil. Mas é nossa profissão, estes pequenos sacrifícios fazem parte", conta. Sendo uma das árbitras mais requisitadas do país para torneios internacionais, Paula fala fluentemente inglês e espanhol, e sabe se comunicar em quadra em italiano e francês. "Atualmente estou estudando polonês e húngaro para fazer torneios naqueles países. Normalmente o idioma utilizado nos eventos é o inglês, mas é sempre bom conhecer alguma coisa na língua nativa. Até porque quase sempre temos um dia de folga, e então temos a oportunidade de conhecer um pouco da cultura da cidade onde estamos", conta.

ALTERNATIVA DE VIDA - Ao se inscrever, sem querer, em um curso de tênis no projeto social Bola Dentro, mantido pelo técnico Agostinho Carvalho, na Zona Oeste da cidade de São Paulo, Vanessa não tinha ideia de que estava surgindo a sua atual profissão. "Pensei que era uma escolinha de vôlei, só descobri depois que era tênis. Mas resolvi continuar e só tenho a agradecer. O tênis me deu muita força e passei a amar este esporte. Se hoje eu trabalho com arbitragem e estou cursando educação física na faculdade, tudo se deve ao projeto", explica.

Após tentar jogar alguns torneios e perceber que não tinha o talento necessário para se profissionalizar como atleta, Vanessa resolveu fazer um curso de arbitragem com Ricardo Reis, que foi até o projeto. No ano seguinte já estava trabalhando como juíza de linha no Aberto de São Paulo. "Às vezes nem parece que faz apenas dois anos que comecei com arbitragem. Estou fazendo o curso do nível 1 da Federação Internacional de Tênis (ITF), estudando inglês, tudo para crescer na profissão", conta ela. Sobre sua primeira participação na Copa Gerdau, a árbitra resume dizendo que está sendo uma grande experiência. "É tudo muito corrido, com muitos jogos. Mas esta é a única maneira de aprender e ganhar experiência. Cada vez que entro em quadra vou com confiança no meu potencial e sem medo de errar", garante.

Vanessa tem um irmão mais velho que não joga tênis. Outra irmã, com 15 anos, participa do mesmo projeto. "Ela joga melhor do que eu e também já trabalhou como juíza de linha em alguns torneios em São Paulo", diz. A família sempre apoiou sua escolha, apesar de uma pequena restrição. "Meu pai sempre diz que minha faculdade deve estar em primeiro lugar. Então se sou convidada para algum torneio onde tenho que me ausentar mais de uma semana das aulas, ele não me deixa ir", conta Vanessa. Sobre o futuro ela pretende continuar trabalhando em torneios para ganhar experiência e mais tarde trabalhar fora do país, além de não perder contato com os projetos sociais. "Eu tinha esta imagem de que estes projetos não serviam para muita coisa. Hoje, sei que a coisa é séria. Muitas pessoas podem se beneficiar. Quero continuar ajudando o projeto da Zona Oeste, e quem sabe daqui alguns anos criar meu próprio projeto para que mais pessoas possam ser atendidas, enxergando um futuro melhor", almeja.
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