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Na Linha, Paulinha! - Santiago e Viña del Mar

Domingo, 12 de fevereiro 2006 às 10:00:00 AMT

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Paula Capulo - Viña del Mar

Por Paula Capulo, árbitra brasileira da ITF

Paula Capulo, única árbitra de cadeira brasileira da ITF (Federação Internacional de Tênis) chega neste mês de fevereiro com muitas histórias, trabalho, alguma diversão (por que não ?) e experiências inéditas de suas duas semanas em Santiago e Viña del Mar, Chile. Além do mais, ela traz ao público amante do tênis mais uma regra, a da troca de bolas durante uma partida, e também responde ao internauta! Não perca e mande suas perguntas que Paulinha responde!

Paula Capulo


Santiago e Viña del Mar

Quero agradecer antes de tudo as visitas na coluna de todos vocês. Embora poucos mandem perguntas com dúvidas, a coluna tem recebido muitas visitas. Espero que todos estejam gostando e aprendendo um pouquinho mais.

A viagem ao Chile foi muito boa e com muitas surpresas para mim. Primeira parada: Santiago. Uma cidade linda, organizada, limpa, charmosa. Lá foi o primeiro torneio, um Challenger de U$ 25 mil + hospedagem. O detalhe desse torneio é que por ser após um Grand Slam (Australian Open) não poderia começar o qualificatório no sábado, somente no domingo, e assim a chave principal teve inicio na quarta feira.

Paulinha desfruta do carro da organização do torneio

Como ninguém se lembrou disso, estávamos todos os árbitros no sábado fazendo turismo pela cidade. Então quem olhar as fotos dessa coluna, não diga que eu não trabalhei, apenas tive um "day off" (risos). Estávamos em cinco árbitros brasileiros lá: Beto Almeida, Rafael Maia, George Higuashi, Fábio Souza e eu.

Da esq. para direita: Fabio Souza, Rafael Maia, Paulinha, Roberto Almeida e Geoge Higuashi

Fui para os dois torneios do Chile como juíza de linha, mas tive a oportunidade de fazer muitos jogos de cadeira no Challenger de Santiago. Foi muito bom para mim, que praticamente estou acostumada com circuitos femininos. O jogo é completamente diferente, a reação dos jogadores também, as bolas são mais fortes, e a maneira de lidar com eles não é a mesma do que com as mulheres.

O que achei muito interessante foi a nova maneira de disputa de duplas: No-AD (sem vantagem) e o terceiro set um match tie-break de 10 pontos. E por último fiz um jogo da segunda rodada de simples, meu máximo até hoje como árbitra de cadeira em Challengers.

Na sexta-feira, dia 27 de janeiro, fomos para Viña Del Mar, para começarmos a trabalhar sábado no quali. Tive uma grande surpresa lá, pois Paulo Pereira, supervisor da ATP, disse que eu faria um jogo de cadeira do quali. Foi meu primeiro jogo do circuito ATP, nem preciso contar o quanto fiquei feliz e sabendo que tudo que passei valeu a pena. O meu jogo foi na quadra central, e também foi a primeira vez que usei o PDA (scorecard eletrônico). Esse palm facilita e muito a vida dos árbitros de cadeira, mas é uma pena que os torneios menores não contam com essa tecnologia.

Turma de árbitros em Viña del Mar

O ATP de Viña têm suas particularidades, começando pelas quadras. Na coluna do Carlos Bernardes vocês poderão ver as fotos das quadras, que foram construídas para o evento. E outra é que sempre tem um jogo não antes das 22h. Sendo que o jogo de sábado, uma semifinal de simples, começou depois das 23h, pois o jogo de dupla anterior foi muito longo. Resultado: o dia de jogos terminou quase 2h30 da madrugada, se não me engano.

E nem o frio afastou o público do estádio. Estavam empolgados do primeiro até o último ponto, torcendo, fazendo ola e gritando: “Chi, chi, chi, lê, lê, lê, viva Chile!” Foi o dia que eu vi mais cheio o estádio, também pudera: dois chilenos jogando.

Outro fato que me chamou muito a atenção, foi na maneira em que no nosso árbitro Carlos Bernardes é abordado por todos, seja por criança ou adulto. Eu brincava com ele cada vez que alguém pedia uma foto, dizendo para ele que era um mega star. E quando as crianças pediam autógrafos e fotos com ele, eu perguntava para elas, quase rindo: “Mas vocês conhecem ele? Ele é jogador?” A resposta vinha curta e rápida: “Ele é o Carlos Bernardes!” Não precisavam e nem diziam mais nada, apenas me olhavam como se eu fosse uma louca, por não saber quem era ele (risos).

Paula Capulo e Carlos Bernardes

O mais engraçado foi quando o Carlos fez um jogo na quadra central, jogo noturno se não me engano. Tinha muita gente e bem atrás da cadeira dele tinha muitas crianças. E na hora que os jogadores estavam aquecendo, a locutora apresentava a ficha técnica de cada um, e por último ela apresenta o arbitro de cadeira : Carlos Bernardes do Brasil. As crianças atrás dele comecaram a gritar: Carlos, Carlos, Carlos. Muito legal ter seu trabalho reconhecido e apreciado pelas outra pessoas, ainda mais em outros paises.

Foi um torneio muito bom, divertido, onde pude encontrar e trabalhar com árbitros que admiro muito. Adão é um deles, sempre dando um toque, uma ajudinha para melhorar. E Beto, com quem trabalhei no Challenger de Santiago, mas não foi para Viña, pois tinha que ir para o Challenger de Florianópolis.

Paulinha e Adão Chagas

REGRAS

Nessa coluna falarei sobre a troca de bolas no jogo. As bolas têm que ser trocadas para garantir a qualidade. Só que às vezes as pessoas não entendem quando elas devem ser trocadas. Varia também do torneio e de sua premiação.

Em Viña, por exemplo, os jogos eram jogados com 6 bolas e a troca era de 7/9. O que quer dizer 7/9? Os 5 minutos de aquecimento são contados como dois games, e sabemos que quem começa recebendo, vai ser o primeiro a sacar com bolas novas, e depois alternando. Então, 7 mais 2, do aquecimento, são 9. Nos 7 primeiros ela será trocada e depois de 9 em 9, sempre. Igual se a troca for de 9/11: são contados 2 games no aquecimento: 2 mais 9 é igual a 11. E depois de 11 em 11. Ou se for 11/13. Essas são as possíveis trocas: 7/9, 9/11 e 11/13.

Outra observação importante, é que às vezes a troca de bola coincide com o começo do tié break. Imaginem que está jogando o A contra o B, e será a hora do B servir com bolas novas e é tié break. Não seria justo ele ter que “dividir” as bolas novas com o A. Ele tem o direito de servir todo o game, e não só alguns pontos. Então a troca de bolas é adiada, até o segundo game do set seguinte, para que o jogador B volte a ter o serviço.

Espero ter conseguido explicar bem e que vocês gostem das fotos. E qualquer dúvida, já sabem: Na linha, Paulinha!

Um beijo e até mais,

Paulinha

Paulinha Capulo responde aos internautas:

Oi Paulinha,

Parabéns pela coluna e pelo trabalho excelente. Gostaria de saber porque depois de um tie-break quem saca a seguir é o cara que não sacou o primeiro ponto do tie break? É isso mesmo e por quê? Não seria mais lógico sacar o outro que iria começar o próximo set, pois no tie break ambos sacam praticamente iguais? Será q consegui me explicar direito? Espero que sim e aguardo uma resposta.

Um abraço, Betinha.

Oi Betinha,

Obrigada pelo e-mail. Conseguiu explicar bem sim. Bom, o tie break é considerado um game. Sempre que o jogador começar sacando, ele estará recebendo no primeiro game do seguinte set. Não importando se ele foi o último a sacar no tie-break. O importante foi que ele começou sacando no game (tie-break) e terá que ser o recebedor no seguinte.

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