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Irmãos torcem pelos outros na Semana Guga Kuerten

Quinta, 11 de junho 2009 às 16:08:34 AMT

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Tênis Profissional
Quando era um adolescente cheio de energia para praticar diversos esportes, Guga contou com um exemplo em casa para seguir adiante. Como se não bastasse o envolvimento do pai, Aldo, com o esporte, o irmão mais velho, Rafael, já era um apaixonado pelo tênis. Dona Alice conta que, na época, acreditava que Rafael estava mais próximo de se tornar um campeão. O olho do pai, porém, foi certeiro - era Guga quem despontaria na carreira de tenista.

Histórias como as de Rafael e Guga repetem-se todos os dias no mundo do tênis, inclusive na Copa Guga Kuerten, uma das maiores competições infanto-juvenis do país que ocorre no Lagoa Iate Clube até o próximo domingo. Irmãos torcem e incentivam uns aos outros para viverem o sonho de, um dia, se tornarem campeões na vida e no tênis. Os catarinenses André e Ana Baran e os paulistas Stephania e Michel Haddad são exemplos de famílias unidas em torno do esporte e que estão presentes na Semana Guga Kuerten.

HERANÇA DO PAI

Os irmãos Baran, André e Ana Carolina, herdaram do pai, Sandro, a paixão pelo tênis. Em 1993, o brusquense foi campeão dos Jogos Abertos de Santa Catarina em Tubarão, jogando na equipe de Guga, Larri e Marcelo Rebelo, o "Cascata". Na época, André estava com dois anos e começava a esboçar uma intimidade com a raquete. Aos cinco, entrou para a escolinha da Sociedade Esportiva Bandeirante, em Brusque. Hoje, André está com 18 anos e totalmente focado no tênis profissional, com nove pontos conquistados na ATP e um calendário recheado de Futures no Brasil e no exterior - neste ano já passou por Marrocos e Turquia. Sua participação na Semana Guga Kuerten tem um motivo especial: foi convidado pelo próprio tricampeão de Roland Garros a prestigiar o torneio jogando a categoria 18 anos.

Quatro anos mais velho, aos poucos ele foi levando a irmã, Ana, para o mundo competitivo do tênis. "Ela é mais nova, então eu sempre procuro dar dicas e passar um pouco da minha experiência", conta o primogênito. "Ele sempre me orienta. Sei que, se segui-lo, estarei fazendo o certo. Foi ele que sempre me incentivou a levar o tênis a sério e me ajudou a conceber meu sonho de ser uma tenista profissional", explicou a garota de 14 anos, sétima do país na categoria. "Ele assiste aos meus treinos e jogos, depois me cobra, me dá dicas, mas também briga comigo quando eu teimo em um erro", completou Ana, quadrifinalista da Copa Guga Kuerten após vencer, nesta quinta-feira, por duplo 6 a gaúcha Ana John.

Mas quem pensa que entre eles tudo é calmo, engana-se. André deixou a casa dos pais quando tinha 14 anos e foi morar em Balneário Camboriú para treinar com Larri Passos. Ana seguiu o mesmo caminho e com 12 estava morando com o irmão mais velho. Tornaram-se mais próximos e mais amigos, mas como em qualquer família, também existem os momentos de discussão. A briga é para saber quem vai lavar a louça.

"Ele é muito bagunceiro. Sou eu que cuido de tudo. Depois que fui morar em Balneário, ele não quer mais saber de lavar a louça, deixa tudo comigo", disse Ana. Quando o papo foi com André, porém, a história não era a mesma. "Eu que organizo tudo em casa", rechaçou o garoto, entre risadas. A mãe, Susi Baran, acabou com a discussão: "Atualmente a Ana é quem é mais responsável com isto". Arrumações da casa à parte, Ana concluiu com muita bajulação: "Ele é meu exemplo".

CUIDADO ENTRE PRIMOGÊNITA E CAÇULA

Na família Haddad, Stephania é a mais velha, tem 16, mas foi Michel, de 15, quem levou a irmã para o tênis. Segundo os irmãos, o talento ficou com Michel, enquanto para Stephania restou a força de vontade. "Ele jogava muito bem, então estava sempre alguns níveis acima de mim", riu Stephania, quinta do país nos 16 anos e segunda favorita na Copa Guga Kuerten, vitoriosa por 6 e 61 no jogo contra Andrea D'Ávila, nesta quinta.

"Eu adoro treinar com ela, ela melhorou muito", contou Michel, que começou a jogar aos 5 anos por influência do pai. "Às vezes eu fico nervoso vendo os jogos dela, pego no pé, digo que ela precisava ter usado mais curtas", completou.

No que diz respeito à organização e à responsabilidade, é a mais velha que comanda tudo. "Ele não seria nada sem mim. Sou eu quem cuido do dinheiro que a mãe nos dá, das passagens, dos horários", disse Stephania, sob o olhar de aprovação do caçula.

Apesar de ser mais novo, porém, Michel também gosta de cuidar da irmã. "Ele é ciumento, não pode ter muitos meninos vendo meu jogo porque ele não gosta", disse. "Não sou não, mas eu cuido dela", finalizou Michel, que nesta quinta-feira perdeu para o cabeça-de-chave número 1 dos 16 anos, André Tavares (PR), por 61 e 6.

Assim como os irmãos Baran e Haddad, diversas outras famílias estão reunidas na Copa Guga Kuerten. É o caso dos irmãos Tazinaffo, Garcia, Machado, Giudici, Chain, Maia, e também dos gêmeos Alexandre e Nicolas Sola, que além de estarem juntos diariamente nos treinos e torneios, também formam uma parceria nas chaves de duplas.
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