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Federer e Roland Garros – Uma história de amor com final feliz!

Domingo, 07 de junho 2009 às 13:08:19 AMT

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Federer - RG 09

Por Vitor Souza Paula

Neste domingo o suíço Roger Federer conquistou pela primeira vez o Aberto de Roland Garros, único título de Grand Slam que ainda lhe faltava, e de quebra igualou o recorde do americano Pete Sampras como maior vencedor de majors em todos os tempos com 14 conquistas. Mas até faturar seu primeiro título na capital francesa, o atual número 2 do mundo precisou batalhar bastante. Por isso o Tênis News preparou uma retrospectiva com toda a trajetória do gênio em Paris. Confira!

1999 – Um árduo Debut

Em 1999, Federer fez sua estreia no saibro parisiense com apenas 17 anos. Estreando na chave principal ainda como uma promessa, o suíço, que ocupava a então modesta 111ª posição no ranking, teve azar no sorteio e logo de cara iria enfrentar o australiano Patrick Rafter, então número 3 do ranking. O natural da Basileia até começou bem e ‘roubou’ um set do favorito, mas sucumbiu com virada em quatro sets e com direito a um pneu: 5/7 6/3 6/0 6/2.

2000 – As primeiras vitórias...

Já entre os 60 melhores do mundo, Federer, então com 18 anos, fez sua primeira boa campanha no saibro francês. Mesmo com dificuldades, o suíço foi avançando e chegou às oitavas-de-final, onde caiu diante do espanhol Alex Corretja (que no seguinte iria à decisão contra Gustavo Kuerten). Nesse ano Federer fez sua primeira partida de cinco sets em Roland Garros, derrotando o compatriota Michel Kratochvil por 8/6 na parcial decisiva.

2001 – A primeira vez como cabeça-de-chave

Já no top 20, Federer disputou pela terceira vez Roland Garros, mas desta vez vivendo a inédita experiência de ser cabeça-de-chave. O suíço vivia um bom ano e havia conquistado há alguns meses seu primeiro título ATP, no torneio de Milão (Itália). Mesmo sem fazer grandes campanhas nos torneios de saibro na Europa, o então número 18 do ranking foi superando seus rivais um a um e chegou às quartas-de-final de um Grand Slam pela primeira vez na carreira. Ele encarou o espanhol Albert Costa por uma vaga na semi, mas acabou derrotado em três sets.

2004 - ’Ô Federer, pode esperar, a sua hora vai chegar’

Depois de decepcionar e ser eliminado na estreia em 2002 e 2003, Federer chegou a Roland Garros em 2004 pela primeira vez na carreira como número um do mundo. Campeão em Wimbledon no ano passado e do Aberto da Austrália naquele ano, o suíço era cotado para ser campeão em Paris, favoritismo que aumentou muito depois que ele venceu o Masters Series de Hamburgo derrotando na final o argentino Guillermo Coria, um dos melhores jogadores de saibro em atividade no momento.

Depois de duas vitórias relativamente tranquilas, Federer iria enfrentar na terceira rodada o brasileiro Gustavo Kuerten, então número 30 do mundo. Com a quadra central Philippe Chartrier lotada, a torcida brasileira, presente em bom número, cantava profeticamente para o suíço: ‘Ô Federer, pode esperar, a sua hora vai chegar’. E não deu outra! Com uma atuação de gala, Guga arrasou o suíço em uma de suas últimas grandes exibições no circuito. Com um triplo 6/4, Guga tirou a chance de Federer fazer o ‘Grand Slam’ naquele ano e adiou o sonho do gênio. Desde então, Federer não cai antes de uma semifinal em Grand Slam, acumulando desde então a incrível marca de 20 semifinais seguidas em majors.

2005 – O Carrasco: Parte I

Se no ano anterior, como número um do mundo, Federer já era o grande favorito ao título, em 2005 tal status aumentou consideravelmente. Depois de vencer três Slams e a Masters Cup em 2004, o suíço perseguia na França o único grande torneio que ainda lhe faltava. Seus principais rivais, os argentinos Gaston Gaudio e Guillermo Coria e o espanhol Carlos Moya, não pareciam ser capazes de detê-lo e o título parecia certo.

Federer começou bem o torneio e ia fazendo uma campanha impecável, chegando à semifinal pela primeira vez e sem ceder sets. Contudo, em jogo considerado a final antecipada daquele ano, ele encarou o espanhol Rafael Nadal, então com 18 anos e número 5 do ranking. Em uma partida muito equilibrada, o suíço acabou caindo em quatro sets, parciais de 6/3 4/6 6/4 6/3. Era o início de uma longa rivalidade...

2006 – O Carrasco: Parte II

Pelo terceiro ano consecutivo, Federer chega a Roland Garros como número um do mundo e grande favorito ao título, já dividindo o favoritismo com Nadal. Os dois haviam se enfrentado há algumas semanas em Roma e depois de uma incrível batalha de cinco sets, o espanhol levou a melhor salvando match-points. Depois do jogo Federer disse que tinha o jogo para derrotar o rival em Paris. Fazendo campanhas tranquilas, eles foram avançando até a final e pela primeira vez jogaram uma final de Grand Slam. No primeiro set, Federer atropelou e marcou 6/1, dando a impressão de que realmente poderia ser campeão. Contudo, o tenista de Manacor reagiu, devolveu o set seguinte na mesma moeda e sacramentou o triunfo em quatro sets para conquistar o bi: 1/6 6/1 6/4 7/6.

2007: O Carrasco: Parte III

Já com o status de Gênio, Federer perseguia Roland Garros para se sagrar definitivamente como maior da história. Mais uma vez como favorito absoluto, ele entrou no torneio com muita confiança após bater pela primeira vez Nadal no saibro com direito a pneu (6/0, na gíria do tênis) na final em Hamburgo há alguns dias. Com uma campanha tranqüila, ele chegou à final e caminhava para o título. Só Nadal seria capaz de batê-lo. E foi isso que o espanhol fez mais uma vez. Novamente em quatro sets, Federer caiu diante do espanhol, que sagrou-se tricampeão e recebeu o troféu das mãos de Gustavo Kuerten.

2008 – A Fúria do Touro

Federer não vinha fazendo uma boa temporada em 2008 e seu único título conquistado até então na temporada havia sido o ATP de Estoril, ao passo que seu maior rival, Nadal vinha ganhando tudo no saibro e se aproximava cada vez mais do suíço no ranking. Mas mesmo assim, o ainda líder do ranking jogou o suficiente para chegar à final pelo terceiro ano consecutivo e enfrentar pela quarta vez o tenista de Manacor. Contudo, desta vez, ao contrário dos anos anteriores, Federer não fez frente ao espanhol e sentiu a fúria do ‘Touro Miúra’, caindo sem impor resistência em sets diretos: 6/1 6/3 6/0.

2009 – Quem acredita sempre alcança!

Em 2009 Federer chegou a Roland Garros pela primeira vez em seis edições sem ser o principal cabeça-de-chave. Um pouco desacreditado pelo início de ano não tão empolgante, a situação começou a mudar para o tenista da Basileia em Madri, quando, jogando pela primeira vez no saibro contra Nadal no saibro no ano, ele bateu o rival por duplo 6/4 e chegou mais confiante a Paris.

Com grande apoio do público francês, Federer foi ganhando, mesmo aos trancos e barrancos, e foi avançando rodada a rodada, enquanto via seus principais rivais, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray, caírem precocemente. O suíço então chegou à final pelo quarto ano seguido, desta vez contra o sueco Robin Soderling, algoz de Nadal nas oitavas, e com uma atuação segura marcou 6/1 7/6 6/4 sobre o rival, sagrando-se enfim campeão em Roland Garros.

Após o título, o suíço, visivelmente emocionado, desabou em lágrimas ao receber o troféu das mãos do americano Andre Agassi e chegou assim à incrível marca de 14 títulos de Grand Slam, tornando-se o maior vencedor de Majors de todos os tempos ao lado de Pete Sampras.
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