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Del Potro se compara a Guga e diz que brasileiro fez mais que Vilas

Quinta, 28 de maio 2009 às 17:10:00 AMT

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Juan Del Potro - RG 09

Por Fabrizio Gallas, direto de Paris

O Tênis News teve o prazer de conversar nesta Quinta-feira com o número 5 do mundo, o argentino Juan Martin Del Potro, em uma das salas de entrevistas da quadra Phillippe Chatrier. O talentoso argentino de 20 anos é uma pessoa tranquila e tímida, mas falou bastante sobre sua admiração por Diego Maradona, comparou Gustavo Kuerten a Guillermo Vilas e destacou seus sonhos e o porque estar longe do grupo dos quatro melhores formado por Federer, Nadal, Djokovic e Murray. Leia!

Tênis News - Você, Juan Monaco e Mariano Zabaleta vieram de Tandil. O que acontece para tal lugar produzir tamanho número de talentos ? Alguma coisa na água de lá é diferenciada ?
Juan Del Potro -
Eu diria que a carne e um treinador ,Marcelo Gomez, são os segredos de Tandil. Ele ensina os jovens de 7, 8 anos a jogar muito bem e se inserir nesse esporte que é muito difícil.

TN – Você é um amante do futebol e foi espectador da geração Maradona, o viu ganhar a Copa de 1986. Hoje em dia como se sente inserido dentro de uma geração espetacular no tênis ?
JDP -
Estar perto de Mats Wilander, Guillermo Vilas, Bjorn Borg, e John McEnroe nos torneios é muito legal. McEnroe me cumprimentou no vestiário nessa semana, imagina como eu me senti. Mas ver Maradona significa muito mais a mim do que aos melhores do tênis. Sobre os jogadores atuais me sinto honrado em dividir o vestiário, o lugar na hora do almoço, estar nos mesmos lugares onde estão dois dos mais grandes do tênis como Federer e Nadal.

TN - Ouvi que você deu camisas do Boca Juniors para Federer e Djokovic. Há um ano atrás, quando ainda não estava inserido no circuito, seria capaz de ter feito isso ?
JDP -
Ano passado não conhecia muito os tops. Mas ai fui ganhando partidas, indo às finais e sempre me encontrava com o Roger, Rafa, conversavamos sempre de futebol suíço, italiano, espanhol com o Rafa e um pouco do argentino, eles conheciam e gostavam do Boca aí decidi dar de presente a camisa a eles autografada pelos jogadores do time.

TN - Brasil e Argentina sempre brigam com essa questão de quem foi o melhor, Pelé ou Maradona. Para você quem é o maior de todos ?
JDP -
Pelé e Maradona foram dois grandes jogadores, é a mesma coisa que comparar Nadal e Federer, vi muito pouco o Pelé jogar e como sou argentino digo que Maradona foi o melhor.

TN - Agora no tênis. Guga ganhou três Roland Garros foi número 1 do mundo e Vilas esteve perto do topo e ganhou alguns Slams. Quem foi o melhor pra você ?
JDP -
É muito difícil. Guga é uma grande pessoa, grande jogador. Fiscamente é parecido comigo, é um ídolo. Vilas também é argentino e todos nós jogamos graças a ele que começou isso tudo. Mas ser número 1 e número 2 é uma grande diferença.

TN - Qual sua opinião sobre o torneio de Wimbledon. Acredita que seja o Grand Slam mais difícil ?
JDP -
Sim, Wimbledon é o mais difícil Grand Slam por se jogar na grama, mesmo que meu jogo seja bom pro piso com um bom serviço e voleio. Creio que nenhum argentino gosta desse torneio. Eu gosto de Wimbledon pois quero aprender a jogar lá e o torneio é a catedral do tênis. Mas ainda preciso aprender muito na grama. Ganhar em Wimbledon é o mais forte que pode se passar na carreira de um tenista.

TN - Ganhar Wimbledon seria maior do que vencer a um Roland Garros no saibro por exemplo ?
JDP -
Particularmente meu sonho é ganhar o US Open, meu Slam preferido. Pelo lugar, as pessoas, a superfície. Me encanta esse torneio.

TN - Em Wimbledon normalmente te tratam de forma distinta, mas aqui em Roland Garros, depois de subir no ranking e ser um top 5, como está sendo o tratamento ?
JDP -
Nesse ano aqui em Roland Garros não ficam olhando muito sua credencial, é um tratamento diferente depois que você sobe no ranking. Ninguém te para. Mas dentro do vestiário todos são iguais, as toalhas são as mesmas pra todos, não há diferença pra mim. Mas eu não fico pensando muito se sou melhor ou pior com o que está ao lado, trato apenas de desfrutar um Grand Slam.

TN - No ano passado você viveu uma polêmica em Roma com Andy Murray com troca de ofensas. Como está o relacionamento de vocês hoje ?
JDP - Estou bem com o Andy Murray. Foi lindo ganhar Murray ainda mais no dia de seu aniversário, mas não tenho problema com ele, nos conhecemos desde o juvenil, convivemos muito no circuito.

TN - E o Nalbandian ? Como está o relacionamento de vocês depois do ocorrido em Mar del Plata onde se disse até que brigaram dentro do vestiário ?
JDP -
A briga do vestiário em Mar del Plata foi tudo mentira, tudo coisa de bastidores equivocados. Hoje nós temos boa relação tanto eu com ele como todos os tenistas argentinos. Posso dizer que somos colegas.

TN - Quão bom foi para sua carreira ganhar pela primeira vez de nomes como Nadal e Murray ?
JDP -
Foi muito importante ganhar dos dois. Pude conseguir e isso acrescentou na minha confiança para fazer acreditar que possa ganhar desses jogadores bons. Mas o que me falta é regularidade. Os top 4 não ficam de fora de uma semifinal, uma final e isso me falta. Mas pra mim fica complicado pois já nas quartas tenho que enfrentar um dos quatro, depois na semi e final mais outros dois. Por enquanto estou mais perdendo que ganhando, mas o bom é que vou aprendendo.

TN - A Argentina hoje possui vários entre os top 100. Qual seria sua explicação pra isso ? Há apoio da federação local ?
JDP -
A forma de trabalhar na Argentina é diferente e nós argentinos acreditamos em nós antes de qualquer coisa, ir atrás de nossos objetivos. Hoje não faço idéia se a federação apóia os tenistas mais jovens, mas quando eu era jovem me apoiavam muito pouco.

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